O Protocolo Ético para a Cadeia de Materiais Recicláveis é o primeiro guia prático da Cadeia Ética da Reciclagem, visão que o Instituto Recicleiros vem construindo desde 2017. O documento é um projeto da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Paraná (SEDEST-PR) e SIG Combibloc, implementado pela Earthworm Foundation, com apoio de Recicleiros, Yattó e so+ma. Ao todo, reúne 7 princípios e 23 critérios sobre direitos humanos, sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica, orientando cooperativas de catadores, empresas e poder público na prática do dia a dia.
No Relatório Anual de Impacto 2025, o Instituto Recicleiros contará a trajetória completa desse trabalho: como a parceria amadureceu ano após ano até o conceito de cadeia ética ganhar reconhecimento oficial do governo do Paraná, que hoje o adota voluntariamente para orientar investimentos e projetos com cooperativas no Estado.
Há mais de 18 anos, o Instituto Recicleiros constrói sistemas municipais de coleta seletiva que unem reciclagem e inclusão social de catadores, hoje presentes em 14 municípios. A Cadeia Ética é a visão que orienta esse trabalho: relações mais justas entre catadores, cooperativas, empresas e poder público em toda a cadeia de valor dos resíduos.
O departamento de comunicação e marketing do Instituto Recicleiros tem a missão de contar as histórias que emergem no cotidiano e amplificar as mensagens para promover um ecossistema da reciclagem ético e inclusivo. Diferente da publicidade tradicional, focada em vender um produto a um público consumidor, Recicleiros lida com uma rica e desafiadora pluralidade de públicos: empresas, gestores públicos, catadores e sociedade em geral.
Cada um desses públicos exige uma abordagem única, um cuidado específico com a linguagem e uma escuta ativa. Por isso, o trabalho é intrinsecamente colaborativo, uma troca constante com outras áreas da organização para garantir que a mensagem seja precisa, respeitosa e transformadora. O desafio diário, portanto, é navegar por diferentes perspectivas para, nos canais certos, conectar cada pessoa a sua importância nessa grande cadeia da reciclagem.
As principais ações da área em 2025
Eventos
Organizar encontros para unir pessoas, promover trocas de experiências e celebrar as conquistas integra a estratégia de comunicação de Recicleiros, e os eventos fazem exatamente isso. Ao longo do ano, Recicleiros organizou e coproduziu importantes encontros híbridos (presenciais e remotos) como o lançamento do Recicla+Pernambuco e da Academia do Catador, o evento de formalização do Termo de Compromisso de Logística Reversa com Pernambuco e o Seminário Empreender Juntos, da Academia do Catador. Além de promover debates qualificados e discutir temas essenciais para o desenvolvimento da cadeia ética da reciclagem, os eventos criaram conexões importantes entre todos os elos da cadeia, portanto, cumpriram seu papel primordial.
+1000 pessoas envolvidas presencialmente.
+3000 interações nos canais digitais.
Os eventos podem ser acompanhados no canal Recicleiros no YouTube: https://www.youtube.com/recicleiros
Campanha com Municípios Recicla+Pernambuco
As primeiras fases do Recicla+Pernambuco necessitavam de uma estratégia de comunicação certeira para apresentar o projeto a todos os municípios do estado e convidá-los a se inscreverem e participarem do processo de qualificação. A partir de campanhas simultâneas nos canais certos para o público-alvo, as informações se pulverizaram entre os gestores públicos municipais.
Por fim, o processo de qualificação da Academia Recicleiros do Gestor Público, ministrado pelo Núcleo de Políticas Públicas Recicleiros, contou com 89 municípios inscritos, e contemplou uma série de ações e atividades para desenvolver um sistema de coleta seletiva e reciclagem inclusiva. Ao longo dessa fase, 168 gestores participaram das quatro Oficinas Presenciais, 177 pessoas assinaram a lista de presença nas cinco Mentorias Técnicas On-line e 25 gestores e técnicos concluíram a Trilha de Conhecimento da plataforma on-line.
Entre as 34 candidaturas, foram classificados 18 municípios e mais um consórcio, que avançaram à próxima fase do Recicla+Pernambuco (Processo de Habilitação).
Imprensa: um novo capítulo para Recicleiros
Em 2025, o time de Marketing internalizou o relacionamento com a imprensa, abrindo novas possibilidades de comunicação.
Além do contato direto com os jornalistas e os veículos de comunicação, o setor colaborou na produção de releases em campanhas desenvolvidas pelos parceiros, como SIG e Recicla+Pernambuco.
O Instituto Recicleiros celebra mais um importante avanço institucional: a contratação pelo Município de São José do Rio Preto/SP para elaboração de Plano de Coleta Seletiva (PCS).
Por: Bruno Segantini. Advogado e pós-graduado em controle de contas públicas e em gestão pública, com 18 anos de experiência de atuação em direito administrativo e público. Atualmente é coordenador jurídico do Instituto Recicleiros.
Embora o Instituto já possua experiências anteriores em contratações públicas — inclusive por hipóteses de inexigibilidade de licitação, modalidade utilizada quando a própria natureza técnica e especializada do serviço inviabiliza competição entre fornecedores — esta é a primeira vez que a instituição é contratada por dispensa de licitação com fundamento no art. 75, inciso XV, da Lei nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos.
A conquista possui relevância jurídica e institucional especial porque a dispensa de licitação constitui medida excepcional dentro do regime de contratações públicas brasileiro. Como regra, a Constituição Federal determina que a Administração Pública realize procedimento licitatório para contratação de serviços e aquisição de bens. As hipóteses de contratação direta, portanto, somente podem ocorrer nos casos expressamente autorizados pela legislação.
No caso do art. 75, XV, a própria lei estabelece requisitos particularmente rigorosos para que a contratação seja válida. O dispositivo autoriza a contratação direta apenas de instituições brasileiras sem fins lucrativos que possuam finalidade estatutária compatível com o objeto contratado e detenham “inquestionável reputação ética e profissional”.
Na prática, isso significa que a Administração Pública somente pode utilizar esse fundamento jurídico quando identifica, de forma objetiva e motivada, elevado grau de confiabilidade institucional, capacidade técnica e reconhecimento profissional da entidade contratada.
A contratação realizada pelo Município de São José do Rio Preto/SP representa, portanto, não apenas a celebração de um contrato administrativo, mas também o reconhecimento formal da trajetória construída pelo Instituto ao longo dos anos na área ambiental, especialmente no desenvolvimento de soluções relacionadas à gestão de resíduos sólidos, coleta seletiva e implementação de instrumentos previstos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), incluindo ações ligadas à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. A Prefeitura de São José do Rio Preto também registrou, em seu portal oficial, a apresentação das bases técnicas do Plano de Coleta Seletiva ao Núcleo Permanente de Gestão Integrada de Resíduos, evidenciando o avanço técnico do trabalho no município.
Além disso, o modelo jurídico previsto pela Lei nº 14.133/2021 traz importantes avanços operacionais para organizações da sociedade civil que atuam na execução de políticas públicas. Diferentemente das parcerias estruturadas exclusivamente sob a lógica do MROSC, a contratação administrativa pela Lei de Licitações possui foco predominantemente orientado à entrega técnica do objeto contratado, mediante definição clara de produtos, cronogramas e resultados esperados.
Isso proporciona maior objetividade na execução contratual, simplificação relevante de fluxos administrativos e fortalecimento da segurança jurídica das relações entre poder público e organizações especializadas.
A experiência também possui importância estratégica mais ampla: contribuir para ampliar e consolidar caminhos jurídicos que permitam ao poder público acessar expertise técnica qualificada da sociedade civil organizada na formulação e implementação de soluções ambientais.
Em um cenário no qual os desafios relacionados à gestão de resíduos sólidos exigem soluções cada vez mais técnicas, integradas e territorialmente adaptadas, mecanismos legais que aproximam a Administração Pública de instituições técnicas sem fins lucrativos podem representar importante instrumento de eficiência, inovação e fortalecimento das políticas públicas ambientais.
Para o Instituto, a contratação simboliza não apenas um avanço administrativo, mas a consolidação de uma trajetória baseada em credibilidade técnica, compromisso ético e atuação profissional voltada à transformação socioambiental.
A experiência de São José do Rio Preto demonstra que a legislação vigente oferece caminhos seguros para aproximar a Administração Pública de organizações técnicas especializadas na implementação de políticas públicas ambientais. Gestores públicos interessados em conhecer essa experiência e suas possibilidades de aplicação em outros territórios podem entrar em contato pelo e-mail parcerias@recicleiros.org.br.
Depois de seis meses de preparação intensa, trocas técnicas, mentorias e qualificação dos gestores públicos, o programa Recicla+Pernambuco chega a um marco decisivo: a seleção dos quatro municípios que receberão os investimentos necessários para implantar, de forma estruturada e inclusiva, a coleta seletiva em seus territórios. Bezerros, Camaragibe, Pesqueira e Salgueiro foram os selecionados pelo Governo de Pernambuco, após todo o processo conduzido pelo Instituto Recicleiros.
A decisão representa mais do que a escolha de municípios: simboliza o início de um novo ciclo de gestão de resíduos no estado, com foco em inclusão socioprodutiva, eficiência, sustentabilidade e profissionalização por uma cadeia ética da reciclagem.
O Recicla+Pernambuco representa um avanço expressivo para a reciclagem no estado. Os sistemas implantados terão potencial para processar até 10.000 toneladas de materiais recicláveis por ano, devolvendo esse volume ao ciclo produtivo. Os quatro novos empreendimentos também poderão gerar até 200 postos de trabalho, com abertura inicial estimada em cerca de 80 vagas, acompanhadas de qualificação para todos os envolvidos. A coleta seletiva também passará a atender mais de 310 mil pessoas, considerando a população urbana dos quatro municípios, ampliando o alcance da política pública. Esses resultados reforçam os efeitos concretos do programa no cotidiano dos municípios.
Como foi o percurso até aqui
A jornada começou ainda em março, com o processo de inscrição dos municípios interessados em participar do Recicla+Pernambuco. Após essa etapa inicial, os gestores selecionados participaram de oficinas presenciais e, na sequência, passaram a acessar a plataforma da Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP), onde concluíram trilhas formativas e participaram de mentorias técnicas ao vivo.
O processo de habilitação dos municípios, iniciado em julho, foi altamente produtivo. Ao longo desse período, foram oferecidas consultorias intensivas aos 18 municípios e ao consórcio classificados, com o objetivo de apoiar o cumprimento dos requisitos essenciais para a sedimentação da política pública. Em menos de quatro meses, a equipe realizou mais de 30 reuniões, entre virtuais e presenciais, avaliou 440 documentos e emitiu 60 relatórios orientativos.
Os resultados obtidos são expressivos, confira abaixo:
A fase de habilitação foi conduzida pelo Comitê de Seleção, com o apoio do técnico do Instituto Recicleiros, que também será responsável pela implementação dos sistemas nos municípios. Com a escolha oficializada, os quatro municípios passam agora para a fase de celebração da parceria. Após essa etapa, receberão investimentos para a estruturação completa da coleta seletiva, incluindo a aquisição de máquinas e equipamentos para Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs), ações de mobilização social, assessoria técnica especializada e formação profissional de catadores. O suporte técnico se estenderá por até cinco anos, para assegurar estabilidade e amadurecimento da política pública.
“Estamos celebrando muito este momento e o empenho de todos os municípios que participaram do processo. Aos que não avançaram, fica um legado importante para o desenvolvimento de suas cidades. Para os quatro selecionados, inicia-se agora a etapa de celebração de parcerias para que seja possível a implementação dos ecossistemas, momento que exigirá ainda mais comprometimento das prefeituras para transformar todo o trabalho dos últimos meses em benefícios concretos para a sociedade”, afirma Erich Burger, diretor institucional do Instituto Recicleiros.
Investimentos e impactos esperados
O Recicla+Pernambuco adota o conceito de blended finance, combinando financiamento público e recursos privados complementares. São aproximadamente R$21 milhões investidos pelo Governo de Pernambuco, somados a cerca de R$9 milhões a serem captados pelo Instituto Recicleiros junto a fontes como logística reversa, Lei de Incentivo à Reciclagem e fundos não reembolsáveis. A SIG Group, tradicional fabricante de embalagens, é uma das empresas investidoras que apoiam a iniciativa a partir da Academia Recicleiros Gestor Público.
“O Recicla+Pernambuco é um exemplo concreto da união entre governo, sociedade civil e empresas para a construção de uma cadeia ética de reciclagem. A SIG tem um imenso prazer em trabalhar com estes parceiros para impactar na construção de políticas públicas de promoção da reciclagem e garantia da inclusão socioeconômica de catadores e catadoras.” comenta Isabela De Marchi, Gerente de Sustentabilidade da SIG Brasil.
Esses recursos viabilizarão reformas de galpões, aquisição de máquinas e equipamentos, estruturação completa das UPMRs, campanhas de comunicação para mobilizar a população, assessoria técnica intensiva, formação socioprodutiva das cooperativas e até cinco anos de acompanhamento técnico aos municípios.
O modelo adotado segue a experiência consolidada do Instituto Recicleiros, que há 18 anos atua em soluções sustentáveis para a gestão de resíduos sólidos e que hoje incuba 15 sistemas municipais de coleta seletiva em diversos estados brasileiros. O Programa Recicleiros Cidades, base metodológica do Recicla+Pernambuco, promove a reciclagem inclusiva com tecnologia, gestão profissional, participação comunitária e geração de trabalho e renda para pessoas em situação de vulnerabilidade.
O Recicla+Pernambuco está pronto para receber empresas que queiram investir em transformação de verdade que muda o território, valoriza as pessoas e fortalece a economia circular no estado.
Se a sua empresa quer fazer parte de algo maior, este é o momento, somar com o Recicla+Pernambuco é escolher construir um futuro mais digno e mais sustentável para todos. Acesse:
O projeto não se resume à montagem de centrais modernas. Ele envolve também ações educativas, campanhas comunitárias, formação continuada para catadores e um esforço contínuo de integração entre prefeituras, cooperativas, empresas e cidadãos. A premissa é simples e potente: só existe coleta seletiva de verdade quando todos participam – da gestão pública à população.
O Recicla+Pernambuco inaugura um modelo estruturado e inclusivo de gestão de resíduos sólidos no estado. Ao combinar investimento público robusto, qualificação técnica e inclusão socioprodutiva de catadores, o projeto estabelece as bases de uma política pública efetiva, que beneficiará milhares de pessoas.
As unidades estruturadas dentro do programa tornam a reciclagem mais eficiente, mais segura e economicamente viável. São espaços pensados para garantir dignidade, capacitação e perspectivas reais de futuro para catadores e catadoras, que passam a integrar um sistema organizado e profissionalizado.
O que dizem os municípios
A etapa de qualificação deixou marcas importantes nos territórios.
“Além do ganho em conhecimentos e experiências dos Recicleiros, o município avançou na questão seletiva de recicláveis, até então somente pensada de forma indiferenciada, atualizou sua legislação e certidões necessárias para realizar parcerias futuras. Ampliou a interação entre secretarias e órgãos municipais afins.” Maria do Socorro, Secretária Adjunta de Buíque/PE.
Reunião Presencial em Bezerros/PE
“Incrível a atuação do Instituto Recicleiros, abriu um novo caminho para a coleta seletiva municipal e quero agradecer ao governo do estado de Pernambuco, que acredita nessa transformação. Onde os resíduos sólidos são oportunidade de melhoria socioeconômica e não só uma problemática dos municípios.” Marco Aurélio Ribeiro, Diretor de Meio Ambiente de Bezerros/PE.
Os depoimentos reforçam o quanto o processo vai além da formação técnica: ele mobiliza equipes, atualiza legislações, fortalece parcerias e abre novas perspectivas para o futuro da gestão de resíduos.
Sobre o Instituto Recicleiros
O Instituto Recicleiros é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) com 18 anos de atuação voltada à recuperação de embalagens pós-consumo, inclusão socioprodutiva de catadores e fortalecimento de políticas públicas de gestão de resíduos no Brasil. Por meio do Programa Recicleiros Cidades, apoia municípios na implantação de modelos economicamente viáveis, eficientes e sustentáveis de coleta seletiva.
A Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP) complementa essa atuação, oferecendo formação contínua e ferramentas para que gestores planejem, implementem e consolidem políticas de reciclagem inclusiva em seus territórios.
A campanha “A Reciclagem Não Tira Férias” nasceu de uma leitura atenta dos dados coletados pelo Programa Recicleiros Cidades. Em 2024, uma das metas do programa era ampliar a arrecadação de materiais recicláveis nas escolas municipais, de forma a fortalecer o engajamento de alunos, famílias, educadoras e educadores na coleta seletiva.
Durante a análise dos relatórios, um dado chamou atenção: em Cajazeiras (PB), a captação de materiais havia caído de 3,4 toneladas em abril de 2022 para 1,5 tonelada no mesmo período de 2023. Em contrapartida, observou-se um padrão de replicação entre mobilizadores, quando uma equipe iniciava a ação, outras cidades tendiam a acompanhar, mantendo uma média de cerca de 4 toneladas.
As equipes de campo também relataram que muitas escolas realizavam o descarte de materiais escolares sem possibilidade de reutilização, como livros e cadernos. A partir desse cenário, surgiu a pergunta central que orientou a campanha: como potencializar essa destinação e transformar esse momento em uma ação coletiva?
Assim se estruturou a campanha que envolve escolas, comunidades, cooperativas e gestores públicos em uma mobilização ambiental que ultrapassa o ano letivo.
Material arrecadado na campanha em Três Rios/RJ
Duas frentes de trabalho, um objetivo em comum
A campanha foi organizada em duas frentes principais, com estudantes incentivados a realizar o descarte adequado dos materiais usados ao longo do ano e as escolas responsáveis por encaminhar livros, apostilas e itens que não poderiam ser aproveitados no ano seguinte.
Com sugestões das equipes locais, a mobilização foi ampliada para toda a comunidade, por meio da instalação de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) temporários em cooperativas, bibliotecas, secretarias e demais locais de grande circulação.
Ponto de entrega voluntária (PEV) em Serra Talhada/PE
A comunicação priorizou clareza e praticidade, conectando as redes sociais de prefeituras e cooperativas, grupos de responsáveis e bilhetes enviados pelas escolas. As ações resultaram em forte engajamento comunitário, os moradores passaram a organizar caixas para coleta seletiva, famílias levam materiais aos PEVs e os cooperados são preparados para receber esse aumento no fluxo de resíduos recicláveis.
“A campanha ‘A reciclagem não tira férias’ é de suma importância para cooperativa, porque temos a chance de aumentar a massa devido ao descarte de cadernos e livros usados no ano letivo. No primeiro ano, entrou muito material de algumas escolas que estavam acumulando, demos muita sorte”, diz Daniela Paulino, Presidente da Cooperativa Recicla Guaxupé.
Parte do material arrecadado na campanha em Guaxupé/MG
A campanha contou com a adesão de 9 das 12 cidades participantes do Programa Recicleiros Cidades e alcançou 136 toneladas de materiais arrecadados. O destaque ficou para Cajazeiras, que registrou 27,1 toneladas, quase 18 vezes mais que no ano anterior, contudo as outras cidades também revelaram mudanças na rotina da UPMR.
Esse aumento expressivo de materiais foi comemorado por toda a equipe de triagem e mobilização, destacando a importância e impacto positivo direto que o trabalho cotidiano de uma cooperativa tem na comunidade.
“No primeiro ano, a dúvida sobre a adesão das escolas, pais e alunos deu lugar a uma grande surpresa: o sucesso! O trabalho de mobilização dos cooperados e a colaboração na divulgação de parceiros, o envolvimento de toda a comunidade escolar… a campanha arrecadou uma grande quantidade de livros, apostilas e papéis, muitos guardados há anos. Foi sucesso e fez uma enorme diferença para o trabalho da cooperativa e para o meio ambiente”, comenta Gisele Biléia, Líder Local de Guaxupé.
Um ciclo que se renova
As escolas participantes receberam certificados e a ação ganhou visibilidade nas mídias locais. No ano seguinte, a campanha foi replicada em novas cidades, consolidando-se como prática recorrente dentro do Programa Recicleiros Cidades.
Entrega de certificado pela Recicla Guaxupé à Escola Municipal Coronel Antônio Costa Monteiro.
O avanço da iniciativa demonstra como ações orientadas por dados podem gerar resultados sustentáveis, articulando educação ambiental, gestão de resíduos e participação comunitária. À medida que novos anos letivos se encerram, novas oportunidades de fortalecer essa mobilização continuam surgindo.
No último sábado (15), os diretores fundadores do Instituto Recicleiros, Erich Burger e Rafael Henrique realizaram na COP30 o painel “Cadeia Ética da Reciclagem: o valor humano por trás do resíduo”, que teve como objetivo debater sobre a dimensão humana da reciclagem a partir da conexão entre cidades sustentáveis, justiça climática e economia circular.
O evento fez parte do Festival Coletivo, realizado pela Gael e Menos1Lixo, na Casa Brasil Belém 2025. Os presentes e o público online puderam acompanhar um debate aberto e provocador sobre o real cenário da reciclagem no Brasil e o cumprimento da responsabilidade compartilhada pelos resíduos gerados nas cidades brasileiras. Participaram também da discussão o presidente do Instituto Movimento Eu sou Catador (MESC), Tião Santos, e a presidente da Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis das Águas Lindas (ARAL) e diretora da Recicla Pará, Sarah Reis.
No painel foi realizada uma constatação incômoda: 15 anos após a Política Nacional de Resíduos Sólidos, quase nada mudou para quem sustenta a reciclagem no Brasil: os catadores. O cenário ainda continua o mesmo, uma parcela significativa dos catadores e catadoras ainda trabalham em lixões ou nas ruas, sem garantias básicas e recebendo menos de meio salário mínimo por um trabalho essencial. Enquanto isso, grande parte das empresas cumpre metas ambientais com base em créditos obtidos às custas de mão de obra sub-remunerada.
Os participantes expuseram o paradoxo central: a reciclagem virou símbolo da economia circular, mas continua operando sobre uma base de trabalho informal, mal pago e invisível.
Alguns pontos críticos do debate:
1. A responsabilidade compartilhada virou desculpa compartilhada.
Prefeituras não estruturam coleta seletiva, empresas sub-remuneram os créditos, cidadãos seguem desinformados e cada elo aponta para o outro.
2. O mercado de créditos virou um mecanismo que “bate meta”, mas não paga dignidade.
Em diversos cenários, a cooperativa é responsável por processar e destinar o material, garantindo a geração dos créditos. No entanto, não recebe pelo serviço prestado, já que o valor de venda do material cobre, no máximo, apenas custos operacionais, como o frete para a destinação final.
3. Infraestrutura sem remuneração não resolve.
Prensa, galpão e caminhão ajudam, mas não fecham a conta quando ninguém paga pelo serviço ambiental prestado. O básico, salário mínimo, INSS, férias, condições de segurança, simplesmente não chega.
4. O imaginário da reciclagem ainda é romântico.
Há a crença de que o material “paga” o processo. Mas, como provocaram: se o material realmente pagasse a operação, por que nenhuma empresa aceitaria um contrato público de limpeza recebendo apenas o material?
5. Falta coragem para tratar reciclagem como política pública real.
Gestores evitam instituir a taxa de resíduos (prevista em lei), não fiscalizam separação domiciliar e continuam operando com restrição orçamentária e pouco resultado.
6. Sem ética mínima, não existe cadeia circular possível.
Se um crédito de reciclagem é gerado em condições de trabalho indignas, ele é antiético por definição, ainda que cumpra a meta de logística reversa e apareça nos relatórios ESG.
7. Caminho para o futuro: ética como padrão do setor.
O painel propõe um novo marco: um selo de reciclagem ética, garantindo que o material reciclado carregue não só rastreabilidade, mas também respeito ao trabalhador.
8. Educação é necessária, mas não suficiente.
Conscientizar o cidadão é essencial, mas esperar gerações é inviável. O avanço real nos países que reciclam mais veio de fiscalização, regras claras e sanção — não só de campanhas.
Para que a economia circular se consolide de fato, é indispensável que se reconheça com dignidade os trabalhadores da reciclagem e seu papel central na cadeia de valor.
Quando falamos em Mobilização, aposto que você pensa logo nas ações feitas nas escolas com as crianças, nas ruas, nas campanhas… e é isso mesmo! Esse é o lado visível, que toca as pessoas. Mas, o que nem todo mundo sabe é que, por trás de tudo isso, existe uma estrutura enorme de dados, planilhas e análises que ajudam o setor a funcionar do jeito certo.
No contexto do Programa Recicleiros Cidades, a Mobilização passou por uma transformação silenciosa, mas profunda. O que antes era apenas o registro manual das tarefas realizadas e a percepção empírica se transformou em um modelo organizado e orientado por dados, onde cada ação é mapeada, analisada e transformada em conhecimento.
Do registro à inteligência
O processo foi gradual. Começamos com planilhas simples com registros que mostravam onde estivemos, quando, com quem e com qual objetivo. Mas, conforme o trabalho crescia, ficou claro que precisávamos enxergar além.
Foi assim que nasceram os dashboards de Mobilização: painéis dinâmicos que reúnem dados de campo, relatórios de eventos, resultados de campanhas e indicadores de impacto, que representaram uma verdadeira virada de chave. Hoje, conseguimos não apenas saber o que foi feito, mas como e por que cada ação gerou determinado resultado.
Dados que contam histórias
Esses números não são frios, eles contam histórias. Mostram o engajamento crescente da comunidade, as campanhas que mais despertam interesse, os territórios que demandam atenção e os resultados das ações de educação ambiental.
Cada ponto no gráfico representa uma ação, com pessoas reais, que se envolveram, participaram e transformaram seu entorno. E é justamente isso que torna a Mobilização do Instituto Recicleiros única: a combinação entre encantamento humano e precisão analítica.
Eficiência com propósito
Com essa estrutura, o planejamento ficou mais estratégico. As equipes conseguem cruzar dados de participação, adesão e engajamento, além de identificar tendências e gargalos.
Os dashboards permitem atuar com agilidade, reforçando o princípio da melhoria contínua, um dos pilares da Mobilização. Agora, cada reunião, campanha e nova ideia nascem sustentadas em evidências. Isso garante que o trabalho em campo seja inspirador, eficiente e mensurável.
É aí que a Mobilização se torna ainda melhor. Quando você consegue enxergar os resultados de forma clara, tudo ganha outro ritmo. As reuniões ficam mais objetivas, as campanhas são pensadas com base no que deu certo (e no que não deu), e o tempo em campo é usado com mais estratégia.
A verdade é que os dashboards viraram uma espécie de bússola. Não substituem o olhar humano, mas dão base a ele. Afinal, mobilizar continua sendo sobre pessoas, conversa e vínculo. A diferença é que agora temos informação estruturada para apoiar cada decisão.
Um futuro orientado por dados e pessoas
A Mobilização segue sendo o ponto de partida das transformações nas cidades. Mas, hoje, é também um espaço de análise, planejamento e aprendizado.
Cada dado registrado é uma semente plantada e cada insight gerado é um passo em direção a comunidades mais engajadas e cooperativas mais fortalecidas.
Porque mobilizar é, sim, sobre pessoas, mas também sobre entender o que os dados nos contam sobre elas para seguir transformando realidades com mais clareza, eficiência e impacto.
A Mobilização segue em crescimento, se reinventando e aprendendo com o que os dados mostram e com o que as pessoas ensinam. Porque é assim que o encantamento e a análise se encontram: um orienta o outro.
O Instituto Recicleiros lançou a mais nova edição do seu Relatório Anual de Impacto Socioambiental, com os resultados referentes a 2024.
Em sua terceira edição, o Relatório Recicleiros reforça o compromisso da organização com transparência e inovação e lembra sua missão primordial: fomentar a cultura da reciclagem no Brasil. O material destaca as principais conquistas, os desafios enfrentados ao longo do ano e os resultados alcançados pelas cooperativas de reciclagem que integram o Programa Recicleiros Cidades.
Veja alguns números do Relatório 2024:
978.977 pessoas atendidas com o Programa Recicleiros Cidades;
7.186,98 toneladas de resíduos reciclados em 2024 (18.065,24 toneladas desde o início do programa);
2.136 ações de mobilização social e educação ambiental realizadas.
Muito mais do que um balanço, o relatório é um convite para a reflexão, a fim de inspirar, orientar e engajar os leitores na construção da necessária transformação socioambiental.
O documento, disponível para acesso público, também apresenta as iniciativas do Instituto Recicleiros em sua missão de integrar e dialogar com os diferentes setores da sociedade envolvidos na causa socioambiental – técnicos e gestores públicos, catadoras e catadores de materiais recicláveis, empresas e cidadãos.
O Instituto Recicleiros tem como uma de suas missões transformar a reciclagem no Brasil a partir da inovação. E uma dessas ações é a incubação de cooperativas até a sua emancipação. Nesse caminho, a equipe de Serviços Técnicos apresentou um conjunto de ferramentas de gestão voltadas aos processos produtivos e à manutenção, com foco na melhoria da qualidade, produtividade e padronização nas Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs).
O objetivo vai além de garantir eficiência operacional, é sobre criar um ambiente de evolução constante, onde ajustes de rota, padronização e soluções direcionadas fortalecem o trabalho das catadoras e catadores e ampliam o impacto socioambiental da reciclagem.
De dados a decisões: como a gestão se transforma e melhora
Essas soluções ajudam as cooperativas a sair de um modelo onde os problemas só são tratados quando surgem, para uma atuação preventiva e estratégica. O acompanhamento dos dados se torna um aliado para medir impacto, identificar falhas, corrigir processos e apoiar decisões mais assertivas.
“As ferramentas de gestão fortalecem o controle dos processos produtivos e de manutenção, assegurando qualidade, produtividade e padronização nas UPMRs. Elas permitem monitorar dados de forma integrada, orientar as ações junto às cooperativas e propor melhorias contínuas com base em indicadores confiáveis”, explica Renato Sobrinho, Gerente de Serviços Técnicos do Instituto Recicleiros.
Ferramentas que fazem diferença no dia a dia
Conheça as ferramentas para uma gestão eficaz e aprimorada:
Controle e validação de dados operacionais: monitoram peso de fardos, volume de materiais processados, calendário de atividades e outras métricas que orientam ajustes imediatos.
Registros de estoque: corrigem inconsistências que antes geravam desperdícios de tempo, recursos e eficiência e dificultavam a rastreabilidade.
Auditoria de processos por câmeras: permite observar etapas-chave da produção, sempre acompanhadas de orientações práticas para aperfeiçoamento.
Matriz de Avaliação de Desempenho: avalia não só processos, mas também a atuação das equipes e coordenadores de produção, onde indicadores viram planos de ação estratégicos.
Portal de Serviços Técnicos e Dashboard de Manutenção: centralizam checklists, relatórios, chamados e indicadores de manutenção, o que eleva a sustentabilidade pela dispensa de controles em papel, uma eficiente ferramenta de gestão digital integrada.
Como essas ferramentas mudam o dia a dia das cooperativas?
Um dos principais pontos é que equipe técnica Recicleiros e cooperativas conseguem caminhar lado a lado. Não é um trabalho que só aparece quando algum problema acontece, os dados ajudam a enxergar sinais antes, permitem agir rápido e evitam impactos maiores no processo. Isso dá mais segurança para quem está na ponta.
Além disso, as soluções chegam de forma direcionada. Cada cooperativa tem sua realidade, seus desafios e sua forma de trabalhar, e é justamente aí que a tecnologia se faz importante para um suporte específico a fim de aprimorar os processos.
O reflexo disso é um ecossistema de reciclagem de maior qualidade e padronização, mas sem perder a singularidade e potencial de cada lugar. A sustentabilidade se constrói, de fato, nos três eixos: social, ambiental e econômico, pois garante melhor dinâmica de trabalho, cuidado para que o material reciclável seja tratado de forma devida, do começo ao fim do ciclo e retorno financeiro sendo reflexo de todo o processo.
É uma gestão que sai do papel e vira prática. São dados que deixam de ser números apenas e se transformam em decisão, um conhecimento que não fica guardado, mas que se multiplica, tanto dentro das cooperativas quanto no território em que elas estão inseridas.
O Governo de Pernambuco e o Instituto Recicleiros assinaram um Termo de Compromisso de Logística Reversa (TCLR) pioneiro, que introduz conceitos transformadores para modernizar a gestão de resíduos no Brasil. O TCLR introduz regras claras para valorizar créditos de logística reversa vinculados à profundidade do impacto socioambiental gerado, oferecendo segurança jurídica e incentivos para empresas que precisam cumprir suas responsabilidades com a logística reversa e contribuir com a agenda socioambiental.
O evento de celebração aconteceu nesta quinta-feira (28), em Recife (PE), com promoção da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas-PE), Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e Instituto Recicleiros e apoio institucional da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (ADEPE), Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) e Câmara Americana de Comércio (AMCHAM) Pernambuco.
O acordo inovador vai além dos modelos tradicionais ao incorporar critérios como adicionalidade, integridade e limitação de responsabilidade, considerados essenciais para o avanço da reciclagem inclusiva.
Mas, antes de avançar nos conceitos e conquistas, é importante contextualizar de onde surgem essas discussões. As regulamentações de Logística Reversa estão passando por processo de necessária modernização, seja na esfera federal ou estadual. O debate tem se concentrado na constatação de que a Logística Reversa, em dadas situações, tem se distanciado de seu propósito original, conforme estabelecido na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS): ser um instrumento de desenvolvimento econômico e social ao viabilizar a reinserção de resíduos na cadeia produtiva.
Além disso, há uma discussão sobre quais medidas podem ser adotadas para corrigir as distorções que se configuraram ao longo dos anos. Dentro desse contexto, no caso da Logística Reversa de Embalagens Pós-Consumo, Recicleiros propõe uma discussão objetivando pautar a adoção de critérios para determinar as condições em que uma determinada massa de recicláveis pode gerar um crédito legalmente reconhecido; e definir pesos diferenciados para esses créditos no cumprimento das metas quantitativas, levando em conta a dimensão do impacto social e ambiental gerados ao longo da cadeia, bem como sua contribuição para a estruturação da cadeia.
Por que o modelo de Pernambuco é inovador?
O novo modelo proposto por Recicleiros em Pernambuco é um marco importante porque busca reconhecer e valorizar projetos estruturantes de reciclagem a partir da:
Adicionalidade: medidas que ampliam a capacidade de reciclagem além da existente, como novas plantas de processamento, melhorias de infraestrutura e capacitação de catadores, além de gerar impactos adicionais em outras dimensões por conta dos ganhos sociais decorrentes do desenvolvimento da política pública, da geração de trabalho e renda, do desenvolvimento da cultura de reciclagem nas comunidades, entre outros;
Integridade: ações que garantem condições mínimas de trabalho digno e segurança aos catadores, como remuneração justa, saúde e segurança no ambiente de trabalho e seguridade social;
Limitação de responsabilidade: dispositivo que protege investidores de riscos sistêmicos ao longo do tempo, o que incentiva aportes em projetos estruturantes e de longo prazo, como massa futura.
Para que o sistema de créditos realmente contribua para a economia circular e não se torne apenas um mecanismo de compensação sem efeito real, adicionalidade e integridade devem ser garantidas. Se os créditos não atenderem a esses dois critérios – integridade e adicionalidade –, há o risco de que o sistema apenas sirva como uma ferramenta de “greenwashing”, sem impacto real na ampliação da logística reversa e no atendimento das metas crescentes de reciclagem.
Pesos diferentes para ações que geram benefícios reais
Hoje, o sistema de logística reversa no Brasil valoriza todos os créditos de reciclagem de forma igual, independentemente de sua origem. Isso significa que uma tonelada de material reciclado por meio de cooperativas estruturadas, com catadores formalizados e condições dignas de trabalho, inseridos em sistemas municipais formais, vale o mesmo que uma tonelada proveniente de notas fiscais sem rastreabilidade ou benefício social real.
“Um crédito de reciclagem que gera emprego digno, desenvolvimento sistêmico e amplia a capacidade do setor não pode valer o mesmo que um mero documento sem comprovação de impacto real”, explica Erich Burger, diretor institucional do Instituto Recicleiros. “Estamos dando um passo importante na modernização dos termos da logística reversa no país e tenho convicção de que esta atitude pioneira de Pernambuco tem potencial para influenciar políticas públicas em outros estados e até mesmo na esfera federal, incentivando investimentos em reciclagem com maior impacto socioambiental”, aposta Burger.
Efeito multiplicador de resultados
Um dos grandes trunfos do novo Termo de Compromisso firmado com Pernambuco é o efeito multiplicador, um grande avanço nos resultados de logística reversa. Ao considerar os benefícios da adicionalidade, integridade e a dimensão do impacto de uma atuação sistêmica e estruturante, o Termo reconhece e valoriza a reciclagem de maior impacto socioambiental como forma de incentivar sua ocorrência no estado. Na prática, uma tonelada reciclada em um projeto estruturante gerador de adicionalidade resulta em dois ou até quatro créditos, a depender do escopo do projeto.
Importante: isso não significa que as empresas precisarão reciclar menos, mas sim que investimentos em projetos de maior qualidade serão mais valorizados, criando um incentivo para a reciclagem inclusiva e sustentável.
“Queremos que esse modelo inovador se espalhe pelos quatro cantos do país, porque só assim a reciclagem no Brasil vai crescer de verdade, com bases sólidas, dignidade para os catadores, resultados mensuráveis e satisfatórios para todos os elos envolvidos na cadeia”, encerra o diretor do Instituto Recicleiros.
Mais do que cumprir suas obrigações legais, ao investirem no TCLR as empresas têm a oportunidade de demonstrar seu compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social, contribuir para o desenvolvimento de Pernambuco e participar de uma iniciativa inovadora que está redefinindo o futuro da reciclagem no país.
A assinatura do Termo de Compromisso de Logística Reversa vem na esteira do projeto Recicla+Pernambuco, uma iniciativa do Estado, em parceria com Recicleiros, que busca fortalecer a cadeia de reciclagem no estado. O objetivo é fomentar o desenvolvimento de políticas públicas para o aumento dos índices de reciclagem e a inclusão socioprodutiva de catadoras e catadores.
Além de qualificar gestores municipais para o desenvolvimento da política pública de coleta seletiva e reciclagem, a iniciativa vai selecionar quatro municípios ou consórcios para implantação do projeto de coleta seletiva.
Os investimentos serão destinados para montagem de Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs) completas, campanhas de comunicação para engajamento da população, assessoria técnica para formação socioprofissional dos catadores, capital de giro limitado e, também, apoio técnico de longo prazo para a municipalidade.
Termos de Compromisso e Massa Futura
Promover ações inspiradoras e indutoras de políticas públicas de coleta seletiva e reciclagem faz parte da história do Instituto Recicleiros. Anos atrás, outros estados, como São Paulo e Mato Grosso do Sul, assinaram Termos de Compromisso com Recicleiros, por meio da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) e Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL).
Os dois estados, vale lembrar, foram pioneiros na formalização do Termo de Compromisso, uma iniciativa inovadora proposta por Recicleiros para criar um ambiente mais seguro do ponto de vista jurídico e que acabou por alavancar investimentos para ações estruturantes.
Importante lembrar que esses Termos de Compromisso influenciaram a legislação federal e de outros estados no que diz respeito ao reconhecimento do caráter estruturante de sua iniciativa de logística reversa. E, além disso, dos chamados Créditos de Massa Futura hoje disciplinados pelo Decreto Federal nº 11.413/2023.