Por que as pessoas não reciclam? Pesquisa Vox Lab revela o comportamento do brasileiro na reciclagem

Reciclar é fundamental para o desenvolvimento sustentável. A maioria das pessoas concorda com a ideia que esta é uma prática necessária. Mas, por que os índices de reciclagem são tão incipientes no Brasil? 

O Vox Lab, laboratório de pesquisas de comportamento do Instituto Recicleiros, desenvolveu uma pesquisa inédita sobre hábitos de reciclagem da população brasileira que ajuda a entender esse contexto. O conteúdo está no e-book “O Brasil que diz sim, mas não separa!”, que acaba de ser lançado e pode ser baixado gratuitamente.

Após dois anos de trabalho de campo, batendo à porta de pessoas em 11 cidades, distribuídas por oito estados e quatro regiões, a pesquisa do Vox Lab, que conta com apoio da SIG, ouviu 4.419 pessoas para compreender como a população se relaciona com a coleta seletiva, qual o nível de conhecimento sobre reciclagem e o que impede que atitudes positivas se concretizem em práticas urbanas.

A pesquisa, conduzida com rigor científico e realizada junto aos municípios que integram o Programa Recicleiros Cidades, revela dados inéditos das barreiras comportamentais que dificultam o avanço da reciclagem no país. 

Baixe agora o e-book “O Brasil que diz sim, mas não separa!”

O conteúdo deste material pode ser aproveitado de maneira estratégica por gestores públicos na formulação de políticas públicas; programas de ESG de empresas comprometidas com a causa socioambiental; iniciativas de educação ambiental; e ações de comunicação e mobilização social.

“Essa pesquisa revela que os desafios da reciclagem no Brasil não estão somente na infraestrutura, mas também no comportamento da população. Ao escutarmos mais de quatro mil pessoas em suas próprias casas, conseguimos entender nuances profundas do porquê o brasileiro diz que recicla, mas não separa. Nesse e-book, trazemos um recorte destas análises, com o propósito de ser um material de apoio para entendermos melhor as lacunas da cultura, educação e mobilização para a mudança de comportamento para reciclagem no Brasil”, diz a pesquisadora Mônica Alves, mestre em Sustentabilidade Socioeconômica e Ambiental e Ciências Ambientais. 

Segundo a gerente de Sustentabilidade da SIG, “a reciclagem vai muito além da gestão de resíduos: ela é um vetor de impacto ambiental, social e econômico. Este e-book traduz conhecimento científico em caminhos práticos, capazes de fortalecer políticas públicas, orientar empresas e engajar cidadãos na construção de uma cadeia de reciclagem ética, inclusiva e transformadora.”

Sobre o Vox Lab

O Vox Lab, que tem a SIG como patrocinadora semente, é um laboratório voltado para as experiências e geração de conhecimento em mudança de comportamento para a reciclagem. Desde agosto de 2022, desenvolve pesquisas e testes dentro dos territórios do Programa Recicleiros Cidades. 

Primeira iniciativa consolidada de Recicleiros Lab, o Vox Lab se dedica a gerar dados com base em experiências práticas e transformar em conhecimento para ser compartilhado com o ecossistema, a fim de promover uma reciclagem de impacto, geradora de transformação social, viável economicamente e passível de ser replicada.

O Vox Lab produz conhecimento com base em experimentação prática, registro de dados qualificados e realização de pesquisas quantitativas e qualitativas. Tudo isso baseado no rigor científico e na qualidade que está no modo de ser Recicleiros.

Cartografia e políticas públicas: mapas como ferramentas de transformação

A cartografia vai muito além de simplesmente projetar ou desenhar mapas, é uma ferramenta revolucionária que transforma dados complexos em representações visuais que revelam as diferentes nuances de um território. 

O Núcleo de Políticas Públicas Recicleiros (NPP) se utiliza dessa ferramenta para enxergar padrões, conexões e lacunas que antes eram invisíveis no projeto Recicla+Pernambuco. É uma valorização dos dados, pois agora é possível visualizar, de maneira clara e estratégica, a adesão, a cobertura e o impacto do projeto em cada canto do território para consolidar decisões com precisão e inovação.

“Os mapas sempre foram, para nós, ferramentas fundamentais de visualização da capilaridade e do impacto das iniciativas do Programa Recicleiros Cidades, especialmente na seleção dos municípios que integram a plataforma. No Recicla+Pernambuco, com a chegada da geógrafa Camila Guedes ao time, o que antes era uma fotografia estática do território ganhou profundidade analítica e novas camadas de interpretação — sem aumentar a complexidade de uso. Esse avanço representa um ganho expressivo para o projeto, fortalecendo a tomada de decisão e permitindo que os gestores públicos de Pernambuco formulem soluções mais estratégicas, integradas e orientadas por evidências territoriais”, comenta Cezar Augusto, Gerente do NPP.

Enquanto planilhas organizam dados de forma linear, os mapas nos permitem enxergar como esses mesmos dados se manifestam no território, revelando dinâmicas e relações que só se tornam visíveis quando observadas espacialmente.

NPP Recicleiros e o projeto Recicla+Pernambuco

Construir mapas detalhados a partir dos dados do projeto Recicla+Pernambuco representa uma estratégia inovadora que fortalece a área técnica e a atuação do Instituto Recicleiros, além de proporcionar uma comunicação clara e transparente com investidores e parceiros sobre os resultados e abrangência do projeto. 

“A produção cartográfica deste ciclo do Recicla+Pernambuco foi essencial para analisarmos os territórios e compreendermos melhor aspectos como formação dos consórcios, posicionamento geográfico e densidade demográfica dos municípios. Os mapas nos permitiram visualizar de forma clara o impacto regional do projeto, facilitando a tomada de decisão e o diálogo com parceiros institucionais. Além disso, tornaram o diagnóstico mais acessível e estratégico, fortalecendo o planejamento e o monitoramento das ações no estado e do Instituto”, analisa Fábio Augusto, Coordenador de Projetos do NPP.

Mapas que contam histórias

Iremos agora adentrar aos mapas produzidos a partir dos dados da plataforma da Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP). Antes, a autora dos materiais nos traz sua ideia acerca do uso da ferramenta.

“A ideia de construir os mapas surgiu de uma curiosidade: entender o território para além das planilhas. Como geógrafa, eu queria visualizar os dados do Recicla+Pernambuco de uma forma espacial, capaz de revelar padrões e relações que os números sozinhos, distribuídos de forma linear, não mostram. Durante o processo, percebi o quanto a cartografia amplia nossa leitura sobre o projeto. Ela nos permite compreender o espaço como o lugar onde as políticas se concretizam, onde as relações sociais, econômicas e ambientais ganham forma. Pensar a gestão pública com essa visão espacial é fundamental porque é no território que as ações se tornam efetivas e ganham sentido. No fim, ficou ainda mais claro pra mim que tudo o que Recicleiros faz é geografia em prática, só que com outro nome. Cada projeto, cada articulação territorial, é uma forma de planejar e transformar o espaço onde as políticas públicas ganham vida”, revela Camila Guedes, Atendimento da Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP).

Um dos mapas mais expressivos em dados é o da Capilaridade da Formação dos Gestores Públicos Municipais. O levantamento mostrou que houve 89 inscrições de municípios no Edital de Chamamento. Desses, 25 municípios concluíram a plataforma, enquanto outros 25 acessaram a plataforma, mas não a concluíram. Foram esses dados que permitiram analisar a abrangência territorial, comparar proximidade entre municípios e visualizar a participação por mesorregião, revelando que o projeto atendeu diretamente ao que o edital prevê: a promoção da qualificação nas quatro mesorregiões do Estado de Pernambuco, fortalecendo a legitimidade institucional e o compromisso do Instituto com a formação de gestores públicos no território.

O outro mapa intitulado “Distribuição Territorial dos Municípios Classificados no Edital Recicla+Pernambuco” evidencia a organização territorial dos municípios classificados e permite visualizar como os consórcios se articulam no espaço. Foram indicados os municípios participantes de consórcios como Comagsul, Comsul, Comrio e Cimpajeú e revela conexões e proximidades estratégicas entre municípios que apontam para novas possibilidades de cooperação intermunicipal e de otimização logística nas ações do projeto.

Por fim, o mapa comparativo de inscrições analisou o histórico entre editais de 2021 e 2023, e o edital Recicla+Pernambuco. Entre os municípios inscritos, 89 participaram do Recicla+Pernambuco, sendo que 25 desses municípios já haviam participado de outros editais e 12 municípios participaram apenas de editais anteriores. Quando isso é visto no mapa em si, vemos um aumento expressivo da atuação Recicleiros no estado de Pernambuco.  Ao observar o mapa, é possível identificar novas áreas de atuação e perceber uma expansão territorial mais densa, impulsionada pela parceria com o Governo do Estado, que ampliou o engajamento e a adesão de municípios que ainda não haviam participado de iniciativas anteriores.

O valor da cartografia na tomada de decisão

A cartografia aplicada pelo Núcleo de Políticas Públicas Recicleiros organiza informações e transforma dados em conhecimento estratégico. A partir dele, é possível tomar decisões mais embasadas, identificar regiões prioritárias e mensurar impactos de políticas públicas com precisão. 

Em um mundo cada vez mais orientado por dados, os mapas são mais do que ferramentas visuais, são instrumentos de planejamento, análise e transformação territorial.

Texto: Janayna Rodrigues

Recicleiros, Alcoa Foundation e Prefeitura de Juruti juntos pela reciclagem inclusiva

Durante a COP30 que acontece em Belém (PA), o Instituto Recicleiros, a Alcoa Foundation e o município de Juruti, no oeste do Pará, anunciaram uma parceria para fortalecer o ecossistema de reciclagem na cidade.

O projeto prevê investimentos de R$ 2,8 milhões e criará uma nova Unidade de Reciclagem, desenvolverá um Plano Municipal de Coleta Seletiva e oferecerá treinamento técnico e apoio inicial a cooperativas de reciclagem locais, melhorando a eficiência, a segurança e a geração de renda para cerca de 40 catadoras e catadores de materiais recicláveis e suas famílias.

“O projeto Recicleiros demonstra como melhorar a vida das pessoas e proteger o meio ambiente podem andar de mãos dadas”, afirma Erich Burger, Diretor Institucional do Recicleiros. “Com o apoio da Alcoa Foundation, vamos capacitar os catadores de materiais recicláveis locais, fortalecer a infraestrutura de reciclagem e ajudar Juruti a se tornar um modelo de economia circular na Amazônia.”

A parceria é resultado da experiência prática do Instituto Recicleiros por meio do Programa Recicleiros Cidades que incuba, atualmente, 15 cooperativas de catadores de materiais recicláveis nos municípios brasileiros, unindo empresas, gestores públicos, catadores e sociedade. Até setembro último, o Programa Recicleiros Cidades já recuperou 22,5 mil toneladas de materiais, atende 1.013 milhão de pessoas com coleta seletiva na porta e gera 275 postos de trabalho diretos.

“Por meio dessa colaboração, estamos reforçando o compromisso da Alcoa Foundation com o desenvolvimento comunitário sustentável e inclusivo”, disse Caroline Rossignol, presidente da Alcoa Foundation. “Ao apoiar o trabalho de Recicleiros, estamos criando oportunidades reais para as pessoas e, ao mesmo tempo, fortalecendo os sistemas circulares que protegem o planeta.”

O evento, que aconteceu na COP no Espaço ABAL Free Zone (Praça da Bandeira), contou com as presenças de Pâmella De-Cnop, Diretora de assuntos externos e sustentabilidade da Alcoa e Presidente do Instituto Alcoa; Lucidia Batista, Prefeita de Juruti, Gerson Paes, Coordenador de Licenciamento da Mineração na SEMAS; Daniel Santos, Presidente da Alcoa Brasil; e Erich Burger, do Instituto Recicleiros.

Vale lembrar que a Alcoa Foundation apoia a Academia Recicleiros do Catador, uma plataforma de educação online gratuita que oferece treinamento profissional e comportamental para membros de cooperativas em todo o país. O currículo da Academia inclui módulos sobre operações, segurança, liderança, administração e governança, fortalecendo a economia circular do Brasil desde a base.

Instituto Recicleiros apresenta o Relatório de Impacto Socioambiental 2024

O Instituto Recicleiros lançou a mais nova edição do seu Relatório Anual de Impacto Socioambiental, com os resultados referentes a 2024. 

Em sua terceira edição, o Relatório Recicleiros reforça o compromisso da organização com transparência e inovação e lembra sua missão primordial: fomentar a cultura da reciclagem no Brasil. O material destaca as principais conquistas, os desafios enfrentados ao longo do ano e os resultados alcançados pelas cooperativas de reciclagem que integram o Programa Recicleiros Cidades.

Veja alguns números do Relatório 2024:

  • 978.977 pessoas atendidas com o Programa Recicleiros Cidades;
  • 7.186,98 toneladas de resíduos reciclados em 2024 (18.065,24 toneladas desde o início do programa);
  • 2.136 ações de mobilização social e educação ambiental realizadas.

Muito mais do que um balanço, o relatório é um convite para a reflexão, a fim de inspirar, orientar e engajar os leitores na construção da necessária transformação socioambiental.

O documento, disponível para acesso público, também apresenta as iniciativas do Instituto Recicleiros em sua missão de integrar e dialogar com os diferentes setores da sociedade envolvidos na causa socioambiental – técnicos e gestores públicos, catadoras e catadores de materiais recicláveis, empresas e cidadãos.

Quer conhecer melhor o trabalho do Instituto Recicleiros? Baixe agora o Relatório de Impacto Socioambiental 2024!

Aproveite a leitura!

Com apoio de Recicleiros, Simpósio sobre Resíduos Sólidos reuniu sociedade, academia e empresas para discutir cidades inteligentes e sustentáveis

Palestras, debates, conexões e muito conhecimento. Ao longo de quatro dias, diferentes segmentos da sociedade se uniram para a nona edição do Simpósio sobre Resíduos Sólidos (SIRS), uma realização do Núcleo de Estudo e Pesquisa de Resíduos Sólidos (NEPER) da Universidade de São Paulo (USP), com apoio do Instituto Recicleiros e patrocínio da SIG. 

O evento deste ano, um dos mais relevantes do país no tema resíduos sólidos, teve como tema “Cidades Inteligentes e Sustentáveis”, e foi realizado na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP).

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O Simpósio foi dividido em quatro dias e os seguintes eixos temáticos: 

  • Governança e Políticas Públicas; 
  • Engajamento Social; 
  • Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo;
  • Workshop e Apresentações dos Trabalhos. 

Além das palestras de especialistas e mesas redondas de debates sobre a questão dos resíduos nas cidades, o evento contou com a apresentação de trabalhos acadêmicos desenvolvidos pelos alunos.

Depoimentos dos palestrantes

Destaque para a participação da nossa parceria SIG, representada por Isabela de Marchi, Gerente de Sustentabilidade, que apresentou a “Estratégia de Circularidade SIG: construindo uma cadeia ética de reciclagem”.

“Esse encontro foi extremamente produtivo e reforça a importância de promover o diálogo entre academia, sociedade civil, iniciativa privada e governo. A construção de uma cadeia ética é um grande desafio e só avançará de forma concreta com o engajamento conjunto de todos esses atores. O evento mostrou, na prática, como essa troca é enriquecedora e quantas oportunidades podem surgir para gerar impacto positivo a partir da colaboração”, destacou Isabela.

Para o Instituto Recicleiros, que atua na linha de frente para estruturar a coleta seletiva e reciclagem inclusiva em municípios brasileiros, eventos como esse, que unem diferentes atores da sociedade, são fundamentais.

“Foi muito interessante participar do simpósio realizado pelo NEPER/USP, que exerce um papel fundamental ao fomentar conhecimento técnico e debates qualificados. Tivemos a oportunidade de compreender melhor como diferentes stakeholders e representantes da sociedade podem atuar de forma conjunta: a academia promovendo reflexão e conhecimento, o governo — representado pelo Estado de Pernambuco —, a indústria, os pesquisadores e as organizações da sociedade civil, todos discutindo caminhos para avançar com mais inteligência na gestão de resíduos. Saio bastante satisfeito e animado com os resultados”, afirmou Erich Burger, Diretor Institucional do Instituto Recicleiros.

Já Danilo Nogueira, Gerente Geral de Economia Circular da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha (SEMAS), destacou a qualidade das trocas de conhecimento: “foram trocas super ricas, com conhecimento, pesquisas de ponta, com dados que são importantes para o desenvolvimento de políticas públicas”.

Participação do Instituto Recicleiros e parceiros

A programação do SIRS incluiu palestras, mesas redondas e apresentação de trabalhos técnico-científicos. Foram abordados temas como políticas públicas, economia circular, logística reversa, inclusão de catadores, inovação, tecnologias aplicadas à gestão de resíduos, entre outros.

Veja as participações de Recicleiros e SIG dentro da programação:

1

Tema – Instituto Recicleiros: Núcleo de Políticas Públicas

Palestrante – Erich Burger (Diretor Institucional Instituto Recicleiros)

2

Tema – O projeto Recicla+Pernambuco: coleta seletiva e reciclagem inclusiva para municípios do estado

Palestrantes – Danilo Nogueira (Gerente Geral de Economia Circular – Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha do Estado de Pernambuco) e Erich Burger

3

Tema – Estratégia de Circularidade SIG: construindo uma cadeia ética de reciclagem. 

Palestrante – Isabela de Marchi (Gerente de Sustentabilidade da SIG)

4

Tema – Mesa Redonda sobre Governança e Políticas Públicas 

Participantes –  Danilo Nogueira (Gerente Geral de Economia Circular – Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha do Estado de Pernambuco); Erich Burger (Diretor Institucional Instituto Recicleiros); Isabela de Marchi (Gerente de Sustentabilidade da SIG); e Rafael Rodrigues (Diretor de Operações Instituto Recicleiros)

5

Tema – Apresentação Vox Lab (Laboratório de Pesquisas do Instituto Recicleiros)

Palestrantes – Luciana Ribeiro (Analista de Projetos do Vox Lab do Instituto Recicleiros); e Mônica Alves (Pesquisadora do Vox Lab do Instituto Recicleiros)

6

Tema – Mesa Redonda sobre Engajamento Social

Palestrantes – Luciana Ribeiro (Analista de Projetos do Vox Lab do Instituto Recicleiros); e Mônica Alves (Pesquisadora do Vox Lab do Instituto Recicleiros)

7

Tema – Workshop Academia do Catador: Formação Técnica e Humana 

Palestrantes – Lusimar Guimarães Pereira (Gerente da Academia Recicleiros do Catador); e Monike Vasconcelos Santos Teixeira (Coordenadora de Projetos da Academia Recicleiros do Catador)

O Simpósio de Resíduos Sólidos reforçou que não faltam conhecimento, tecnologia ou vontade. O que precisamos é de conexões – poder público, empresas, catadores e sociedade – e união entre a teoria e a prática. E que cada um de nós pode (e deve) contribuir para buscar soluções para os desafios socioambientais das nossas cidades.

Lançamento: Academia Recicleiros do Catador investe na inclusão e capacitação de profissionais da reciclagem

As catadoras e catadores de materiais recicláveis acabam de ganhar uma ferramenta inovadora para o empoderamento individual e coletivo. Nesta quinta-feira (29), o Instituto Recicleiros lançou a Academia Recicleiros do Catador, plataforma que oferece acesso gratuito a todo o público de catadores e técnicos que atuam no ecossistema da reciclagem no Brasil. A iniciativa nasceu a partir de uma parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, além de SIG, Nestlé, Instituto Heineken e Alcoa Foundation.

O objetivo da Academia do Catador é formar pessoas e promover a mobilidade social desses profissionais a partir do empreendedorismo. Para tanto, desenvolve um processo de formação profunda e transversal, considerando todas as dimensões necessárias para que o negócio dos catadores possa ser bem sucedido. As trilhas de capacitação desenvolvem conhecimento operacional, de segurança, administrativo, liderança, cooperativismo, governança, relacionamento interpessoal, entre outros assuntos técnicos e comportamentais. 

“A Academia é a concretização de um sonho de constituir uma escola que não tratasse apenas de questões produtivas e administrativas, mas considerasse a dimensão humana, olhando para a origem e a história de vida dessas pessoas. A reciclagem, para nós, só é sustentável se for inclusiva e emancipatória”, explica Lusimar Guimarães, gerente do Núcleo de Desenvolvimento do Catador (NDC).

Parceria estratégia com o Ministério do Meio Ambiente

A parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima acontece por meio da assinatura de um Acordo de Cooperação, que envolve o lançamento e o desenvolvimento contínuo da plataforma Academia do Catador. O acordo considera a evolução e a gestão da plataforma pelo Instituto Recicleiros, incluindo suporte técnico e monitoramento. Por parte do Ministério do Meio Ambiente, abrange a colaboração na sugestão de temas, inserção de conteúdos normativos como Logística Reversa, Lei de Incentivo à Reciclagem, Remuneração de Serviços Ambientais, além da promoção da plataforma online. 

A metodologia de formação da Academia Recicleiros do Catador já vem sendo utilizada e constantemente melhorada nas operações do Programa Recicleiros Cidades. São mais de 300 catadores e 40 técnicos facilitadores, em 14 cidades, passando pela formação da Academia. Recicleiros vem sistematizando esse conteúdo há 18 anos de atuação no campo para torná-lo disponível de maneira gratuita para catadores de todo o país.

Com uma jornada intensiva, transversal e de longo prazo, a Academia do Catador busca desenvolver condições ideais para que as pessoas mais vulneráveis da comunidade possam atuar de maneira profissional e altamente eficiente em suas cooperativas, tornando-se elo estratégico e competitivo em um mercado cada vez mais explorado.

“Trabalhava em uma associação de catadores de materiais recicláveis em Guaxupé (MG). Fui treinado e capacitado para fazer a separação de materiais e, depois, fazer a coleta na rua com o caminhão três dias na semana. Mas sem equipamentos de proteção e minha retirada era abaixo de um salário mínimo. Tempos depois, a associação fechou e o Instituto Recicleiros chegou e inaugurou a Recicla Guaxupé, em parceria com a prefeitura. Participei da seleção e fui convidado a fazer parte da cooperativa, que inaugurou em 2020. Passei pela esteira de separação, prensa, pré-triagem e hoje sou coordenador de mobilização. Aqui trabalhamos com EPI´s e recebemos uma remuneração digna. Estou feliz por fazer parte da Recicla Guaxupé e grato a todos que confiam em mim”, conta Carlos Alberto da Cruz Filho, coordenador de mobilização da cooperativa de catadores Recicla Guaxupé.

Erich Burger, Diretor Institucional de Recicleiros e um dos idealizadores da Academia, fala do impacto positivo que a Academia do Catador provoca. 

“Entendemos que a demanda por capacitação de qualidade e aderente à realidade dos catadores vem de todo o Brasil. Com a experiência do Instituto Recicleiros na incubação e profissionalização de catadores, associada à possibilidade de deixar isso acessível e padronizado para quantos catadores tiverem interesse, acreditamos que temos um produto extremamente valioso e gerador de profundo impacto social. É um projeto de longa duração, de melhoria contínua, até que se torne a melhor e mais completa solução para o desenvolvimento profissional dos catadores”, diz Erich Burger. 

Empresas têm papel preponderante na Academia do Catador

Para dar escala à Academia do Catador, Recicleiros conta com o apoio de empresas que acreditam e apoiam essa causa. Tornar tanto o método quanto o conteúdo livres e gratuitos para catadores de todo o Brasil foi o que chamou a atenção e incentivou organizações como SIG, Nestlé, Instituto Heineken e Alcoa Foundation a investirem no programa.

Além disso, a Academia trabalha com a lógica de ‘inovação aberta’, conceito que busca a inovação a partir da criação de parcerias externas com outras pessoas e organizações. Dessa maneira, os investidores têm a oportunidade de contribuir para a construção dos módulos educativos, estudos socioeconômicos e projetos especiais dentro do espectro da Academia do Catador.

“Com o apoio de mais empresas, vamos amplificar este modelo que estrutura, qualifica e emancipa os atores envolvidos nesse segmento da cadeia produtiva, além de gerar conhecimento que é aberto e compartilhado com outras organizações que promovem os catadores. E, por fim, transformar o que alguns ainda chamam de lixo em recursos, trabalho e dignidade, afinal, essa é a nossa missão”, finaliza Lusimar Guimarães.

Evento com painéis de debates

Para celebrar o lançamento da Academia do Catador, o Instituto Recicleiros promoveu um evento com painéis de debate com especialistas e referências do mercado para tratar dos principais temas que impactam o trabalho das cooperativas de reciclagem. O tema central foi “Inclusão Socioprodutiva de Catadores: construindo capacidade na base da cadeia de valor”, que teve quatro painéis ao longo do dia com nomes importantes dos setores público e privado.

O evento pode ser assistido na íntegra no canal do YouTube do Instituto Recicleiros.

Recicleiros e Governo de Pernambuco lançam projeto de coleta seletiva e reciclagem inclusiva para municípios do estado

O Instituto Recicleiros, em parceria com o Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas-PE), está lançando o projeto Recicla+Pernambuco, que vai transformar a gestão de resíduos sólidos no estado. O evento de lançamento, realizado na terça-feira (15), no Palácio do Campo das Princesas, contou com a participação da governadora Raquel Lyra.

O objetivo do inédito Recicla+Pernambuco é fomentar o desenvolvimento de políticas públicas para o aumento dos índices de reciclagem e a inclusão socioprodutiva de catadoras e catadores. O processo de qualificação de gestores públicos acontecerá por meio da plataforma Academia Recicleiros do Gestor Público e será aberto à participação gratuita dos 184 municípios do estado, mais Fernando de Noronha.

“Estamos levando desenvolvimento a todos os municípios de Pernambuco e isso também passa pela proteção do meio ambiente. Ao firmar esta parceria hoje com o Instituto Recicleiros e lançar o projeto Reciclar+Pernambuco, iremos incentivar nossas cidades a melhorarem a gestão de resíduos sólidos, assegurando melhorias ambientais e também nos índices de saúde municipais. O projeto também vai incluir os catadores de materiais recicláveis, que terão direito a um rendimento digno e outros benefícios. Em Pernambuco, a sustentabilidade caminha de mãos dadas com a justiça social e o cuidado com aqueles que mais precisam”, enfatiza a governadora Raquel Lyra.

Além de qualificar gestores municipais para o desenvolvimento da política pública de coleta seletiva e reciclagem, a iniciativa vai selecionar quatro municípios ou consórcios para implantação do projeto de coleta seletiva. Os investimentos serão destinados para montagem de Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs) completas, campanhas de comunicação para engajamento da população, assessoria técnica para formação socioprofissional dos catadores, capital de giro limitado e, também, apoio técnico de longo prazo para a municipalidade. A duração prevista do projeto é de cinco anos.

Em contrapartida, as cidades deverão se responsabilizar pela regulamentação para criação da política pública de gestão de resíduos sólidos, além dos custos das etapas de coleta, transporte e processamento dos recicláveis. A incubação promovida por Recicleiros poderá beneficiar até cerca de 200 trabalhadores e suas famílias, por meio da geração de trabalho digno e da formação socioprofissional para empreenderem suas cooperativas.

“Esse é um projeto muito inovador e transformador para o estado. Com o Recicla+Pernambuco, oferecemos a oportunidade de todos os 184 municípios e o Arquipélago de Fernando de Noronha serem capacitados por uma instituição de vasta experiência teórica e prática para implantar efetivamente a coleta seletiva em seus territórios. O projeto também abrange a dimensão humana da reciclagem. Milhares de pessoas sobrevivem da coleta, separação e venda de materiais recicláveis no nosso estado. Capacitar e profissionalizar esses trabalhadores é uma ferramenta poderosa de emancipação econômica e social”, ressalta Ana Luiza Ferreira, secretária de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha.

Baseado no conceito de blended finance, o projeto conta com aproximadamente R$ 21 milhões do Governo de Pernambuco e cerca de R$ 9 milhões de recursos complementares a serem captados pelo Instituto Recicleiros. O montante deverá vir de fontes como a logística reversa de embalagens, Lei de Incentivo à Reciclagem e de fundos não reembolsáveis (grants). Empresas e organizações interessadas em investir podem entrar em contato pelo e-mail: contato@recicleiros.org.br.

A SIG, líder no fornecimento de sistemas e soluções para embalagens, é apoiadora do projeto por meio do patrocínio da Academia Recicleiros do Gestor Público e patrocinadora semente Recicleiros. Desde 2018, acredita no programa que implementa e mantém nos municípios brasileiros um sistema de coleta seletiva e reciclagem eficiente e inclusivo.

“O Recicla+Pernambuco traz para o estado uma grande oportunidade de protagonismo e inspiração em relação às políticas de reciclagem e inclusão de catadores. Da forma como o projeto foi estruturado, teremos condições de oferecer suporte técnico qualificado para todos os municípios desenvolverem suas políticas públicas a partir de uma perspectiva de sustentabilidade. Para aqueles que decidirem participar da seletiva para as quatro vagas de implantação, será um caminho abreviado para ter uma operação modelo e economicamente viável”, comenta Erich Burger, Diretor Institucional do Instituto Recicleiros.

Os municípios e consórcios interessados em participar do processo de qualificação e seleção de cidades, devem realizar o cadastro em: https://conteudos.recicleiros.org.br/reciclapernambuco 

Origem do projeto

O Recicla+Pernambuco será realizado com base na experiência de 18 anos do Instituto Recicleiros e do Programa Recicleiros Cidades empreendido por Recicleiros, que incuba, atualmente, 14 sistemas municipais de coleta seletiva com a participação de cooperativas de catadores em onze estados brasileiros, inclusive Serra Talhada (PE). 

O Programa, que tem a SIG como patrocinadora semente, promove uma cadeia ética de reciclagem nos municípios, conectando todos os envolvidos no processo para garantir que a reciclagem seja justa do ponto de vista socioambiental, eficiente, de alto impacto e economicamente viável. Recicleiros oferece às prefeituras conhecimento técnico, parcerias e investimentos para ajudar a implementar a coleta seletiva e reciclagem como uma política pública perene.

Além disso, introduz um novo modelo de centrais de reciclagem: unidades modernas, seguras e eficientes, equipadas com tecnologia avançada e gestão profissional. Essas centrais geram oportunidades de trabalho e capacitação constante para pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica.

Em paralelo, Recicleiros e a cooperativa realizam ações educativas para sensibilizar conscientizar, mobilizar e engajar a população local, incentivando a responsabilidade comunitária compartilhada com o meio ambiente e com as pessoas. Dessa forma, o projeto consolida uma tecnologia socioambiental inspiradora e de sucesso em diversas cidades brasileiras.

Saiba como o Núcleo de Políticas Públicas Recicleiros está transformando a gestão de resíduos no Brasil

A gestão eficiente de resíduos sólidos é um dos maiores desafios enfrentados pelos municípios brasileiros nas últimas décadas. Com leis ambientais mais rígidas e a necessidade urgente de ações sustentáveis para a harmonia do ecossistema do planeta, os gestores públicos precisam de soluções inovadoras e apoio técnico para implementar sistemas eficientes de coleta seletiva e reciclagem inclusiva.

É dentro desse contexto que nasce o Núcleo de Políticas Públicas (NPP) Recicleiros, cujo objetivo é oferecer uma parceria estratégica para capacitar gestores, fortalecer políticas públicas e criar caminhos sólidos para a sustentabilidade da reciclagem no Brasil. O compromisso é construir soluções duradouras, fortalecer a economia circular e ampliar a inclusão socioeconômica das catadoras e dos catadores, os protagonistas da reciclagem.

“A implementação de políticas públicas eficazes para a gestão de resíduos sólidos exige mais do que intenção – requer conhecimento técnico, planejamento estruturado e articulação institucional. Foi com essa visão que estruturamos o NPP, consolidando um modelo que oferece suporte completo aos gestores municipais. Nosso compromisso vai além da qualificação: criamos caminhos regulatórios, viabilizamos infraestrutura e fomentamos parcerias estratégicas para garantir que a coleta seletiva e a reciclagem inclusiva sejam políticas públicas sólidas e permanentes nos municípios brasileiros”, explica Fábio Augusto, Coordenador de Projetos, responsável pelo do eixo de entrada do NPP, Relacionamento e Qualificação de Municípios.

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A trajetória do NPP começou ainda em 2017, com o Edital Cidade+Recicleiros, uma iniciativa pioneira para apoiar municípios na estruturação da coleta seletiva e reciclagem inclusiva. Em 2021, a área deu um salto a partir da criação da Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP), uma plataforma online inovadora que ampliou o alcance de Recicleiros na esfera municipal e, além disso, aprimorou o suporte técnico oferecido.

Agora, em 2025, o NPP se fortaleceu como um pilar estratégico do Instituto Recicleiros, atuando em três frentes principais: qualificação municipal; desenvolvimento do espaço regulatório; e planejamento e instalação de ecossistemas perenes de reciclagem

Soluções que geram resultados para os municípios

O propósito do Núcleo de Políticas Públicas (NPP) Recicleiros é ser agentes de transformação, conectando governos, sociedade civil e setor privado para construir sistemas estruturantes de coleta seletiva e reciclagem que funcionem de verdade.

Para tanto, o NPP está estabelecido em quatro pilares principais de atuação:

Capacitação de Gestores: por meio da Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP), oferece cursos, mentorias e trilhas de conhecimento para preparar agentes públicos na implementação de políticas públicas sólidas de coleta seletiva e reciclagem.

Assessoria Técnica: auxilia na construção do arcabouço regulatório, diagnóstico local e planejamento operacional, garantindo segurança legal e eficiência nas operações.

Implantação de Infraestrutura: coordenação da instalação de Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs) dentro do Programa Recicleiros Cidades, estruturando a cadeia da reciclagem ética e inclusiva.

Articulação de Parcerias: facilitação da conexão entre municípios, cooperativas e empresas, promovendo a economia circular e a inclusão socioprodutiva de catadoras e catadores Brasil afora.

Ao longo dos anos, o NPP vem oferecendo ferramentas reais para transformar a gestão de resíduos no país. Os números mostram a importância da área para os gestores públicos municipais e as suas respectivas cidades:

  • +1.400 agentes municipais capacitados desde 2018;
  • 596 acessos à plataforma ARGP, com gestores de quase todos os estados brasileiros;
  • 18 mentorias técnicas realizadas, beneficiando prefeitos, secretários de meio ambiente e equipes técnicas;
  • 7 Leis Municipais da Coleta Seletiva, 6 Leis Orçamentárias Anuais e 4 Leis de Distribuição da Sacola Plástica implementadas com apoio direto do NPP.

Muito além de um projeto, o Núcleo de Políticas Públicas Recicleiros, que tem a SIG como patrocinadora semente, é um movimento organizado pela gestão inteligente de resíduos no Brasil. Com capacitação, estruturação e parcerias, o NPP acredita que é possível transformar desafios em oportunidades e construir cidades mais limpas, justas e sustentáveis.

Se o seu município quer promover transformações socioambientais significativas, o NPP pode indicar o caminho. Vamos juntos?

Programa Recicleiros Cidades: conheça a história do jingle que avisa as pessoas que o caminhão da coleta está chegando

O dia 6 de janeiro entrou para a história do Instituto Recicleiros. Foi na noite daquela segunda-feira que, em meio à matéria especial do Jornal Nacional sobre reciclagem, surgiu a música “Plástico, vidro, papel, metal e óleo de cozinha… não jogue no lixo comum, separe pro dia do caminhão da reciclagem”.

O jingle, criado em 2018, e que está até hoje sendo tocado nos caminhões de coleta seletiva nos municípios que integram o Programa Recicleiros Cidades, abriu a participação do Instituto Recicleiros na série especial de quatro episódios sobre reciclagem exibido no maior e mais tradicional telejornal brasileiro.

Mas, qual é a história por trás dessa música leve e convidativa que vem marcando época e serve como um lembrete às pessoas que o caminhão da reciclagem está chegando?

 

O jingle que ganhou o Brasil

Há 7 anos, Recicleiros buscava iniciativas para conscientizar as pessoas dos municípios beneficiados com o Programa Recicleiros Cidades. A proposta era alertar a população que o caminhão da reciclagem estava passando para que os munícipes, dia a dia, adotassem o hábito de fazer a separação e a destinação correta. Afinal, para a reciclagem acontecer, de fato, é essencial que os materiais cheguem às Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs).

“Então surgiu a ideia de usar o caminhão como mídia porque o veículo passa em frente à casa das pessoas, além de um jingle para ser veiculado nas rádios locais”, lembra Felipe Sauma, Diretor de Criação, responsável por coordenar o desenvolvimento desse material.

De acordo com Sauma, o processo criativo considerou uma música que ficasse na mente dos ouvintes – lembra da música do caminhão do gás? –, mas sem criar poluição sonora. Havia o compromisso de ser uma música leve, cadenciada, mas com um tom animado, e com um refrão e uma instrução no final.

A música, desenvolvida em cerca de um mês, conta com elementos sonoros de materiais recicláveis, que serviram como percussão. Todos os itens estavam representados. “Estudamos os timbres para ver quais funcionariam melhor na música. Por exemplo, utilizamos sons de garrafas de vidro, papel amassado, tina de plástico e latão de metal”, acrescenta que se diz realizado com essa produção: “estamos trabalhando a mudança de cultura das pessoas, que estão cuidando do meio ambiente”.

Propósito de informar e conscientizar

Como a separação e o descarte correto são essenciais para a reciclagem funcionar, o jingle cumpre uma missão importantíssima na adesão da coleta seletiva e reciclagem. É isso o que tem ficado evidente nas praças que contam com cooperativas de reciclagem incubadas pelo Instituto Recicleiros.

Nas pesquisas Vox Lab realizadas por Recicleiros nos municípios onde o Programa está em pleno funcionamento, o carro de som foi um dos meios de comunicação mais votados pela população como um bom local para receber informações sobre a coleta, atrás apenas do rádio e redes sociais.

Durante as mobilizações porta a porta, é muito comum que os munícipes se refiram ao caminhão da coleta seletiva como “aquele da musiquinha”. Também não é raro ver moradores que preferem entregar o material para os coletores e, para isso, esperam ouvir a música se aproximando. E é claro, outro grande indicador de sucesso sempre será o engajamento das crianças, que costumam reproduzir a música em casa ou em atividades escolares. Sinal que o jingle tem cumprido seu propósito.

Ficha técnica

Música

“Separe pro caminhão da reciclagem.”

Direção de Criação

Felipe Sauma

Composição

Daniel Ayres

Felipe Sauma

Rodrigo Scarcello

Produção

Rodrigo Scarcello

Músicos

Ed Encarnação

Raphael Zarella

Rodrigo Scarcello

 

 

Como a reciclagem pode colaborar no combate às mudanças climáticas?

A reciclagem é mais do que apenas um simples ato de separar e destinar resíduos. É um processo de transformação, onde o que se achava que não tinha valor vira algo novo, como uma metáfora para o próprio futuro que queremos para o nosso planeta. À medida que enfrentamos as mudanças climáticas, ela se torna um caminho fundamental para garantir o bem-estar ambiental e social, transformando o ciclo da produção e do consumo em algo equilibrado em todos os sentidos.

Realidade das mudanças climáticas: causas e consequências

As mudanças climáticas representam um dos maiores desafios globais do século XXI. Fenômenos como o aumento das temperaturas médias globais, a frequência crescente de eventos climáticos extremos e a perda irreversível da biodiversidade são consequências de como lidamos coletivamente com a natureza. Grande parte dessa degradação ambiental é impulsionada pela crescente demanda por recursos naturais e pela produção excessiva e descarte inadequado de resíduos sólidos.

No Brasil, aproximadamente 4% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) provêm do setor de resíduos sólidos, 64,1% desse total resulta da destinação inadequada de resíduos em lixões, aterros controlados e aterros sanitários, e esse número pode aumentar se não adotarmos práticas de gestão integrada.

Logo, a reciclagem se torna uma estratégia central para mitigação das consequências das mudanças climáticas.

A economia circular 

No Brasil, apenas 4% dos resíduos sólidos são reciclados, segundo dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA). Há muito o que se fazer para aumentar essa taxa, dentre as estratégias, podemos aprimorar processos de reciclagem a partir da economia circular, onde os produtos não seguem um ciclo linear de produção-consumo-descarte, mas são constantemente reintegrados no ciclo. Ou seja, em vez de extrair recursos da Terra, se reaproveita os materiais que já foram anteriormente produzidos, isso preserva os ecossistemas naturais e reduz a pressão sobre o que tiramos da natureza, que são recursos finitos.

A reciclagem de plástico, vidro, papel, metal e óleo de cozinha reduz o volume de resíduos nos aterros sanitários e no meio ambiente, evitando a liberação de metano — um gás de efeito estufa com um impacto 82,5 vezes maior que o dióxido de carbono (CO2) ao longo dos próximos 20 anos.

Porém, para que as cadeias de reciclagem sejam capazes de conduzir alguma mudança nesse cenário, é urgente que aconteça a integração dos setores e seus atores e se crie uma cultura de responsabilidade compartilhada.

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A urgência da ação coletiva

Embora as vantagens da reciclagem sejam visíveis, a transição para um sistema de gestão de resíduos sustentável depende do esforço coletivo. É central que governos, indústrias e cidadãos desempenhem seu papel da melhor forma possível.

Governos precisam pensar em políticas públicas que incentivem a reciclagem em larga escala, oferecendo incentivos para as organizações, além de investir em infraestrutura de coleta e processamento de materiais recicláveis. As indústrias, por sua vez, podem adotar a economia circular como modelo de negócios, integrando a reciclagem como uma prática intrínseca em seus processos produtivos. E, por último, os cidadãos precisam compreender as questões de reciclagem como um direito e um dever, compreendendo a importância da separação adequada dos resíduos e se comprometendo com o consumo responsável, tudo isso com possibilidade de acesso à informação e fortalecimento comunitário.

O Instituto Recicleiros é uma das organizações comprometidas com essa pauta, atuando como um agente integrador entre prefeituras, empresas, catadoras e catadores. Por meio de sua atuação, o Instituto capacita gestores públicos municipais para implementar políticas públicas voltadas à coleta seletiva e à reciclagem, enquanto apoia processos de incubação de cooperativas de reciclagem, colaborando para que se tornem empreendedores coletivos organizados. Além disso, busca mobilizar a população através de ações de educação socioambiental para que a cadeia da reciclagem entre em circularidade onde todos os atores são engajados.

Ainda há chances

O poder de transformação está em nossas mãos, e com cada gesto, estamos não só protegendo o ambiente, mas também construindo um futuro onde o respeito à natureza é a base para uma convivência harmônica com nosso planeta.

O futuro está sendo moldado hoje. Reciclar é acreditar que um mundo com justiça socioambiental é possível e que as mudanças climáticas não são um destino, mas uma chance para nos reinventarmos.

Fontes:

Global Alliance for Incinerator Alternatives. RESÍDUO ZERO PARA ZERO EMISSÕES: A REDUÇÃO DE RESÍDUOS COMO A VIRADA DE JOGO CLIMÁTICA. out. 2022. Disponível em: <https://polis.org.br/wp-content/uploads/2023/05/completo-ZWZE-paginaunica.pdf>