Guaxupé (MG) é selecionada em edital internacional para desenvolver projeto de ação climática focado em compostagem

Foto: André Sanches e Fernando Pavoski.

O município de Guaxupé (MG), reconhecido por sua política pública de coleta seletiva e reciclagem, foi selecionado em edital internacional promovido pela rede C40 Cities e pelo Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM). A iniciativa apoia cidades na estruturação de sistemas de gestão e tratamento de resíduos orgânicos com foco na mitigação climática. O anúncio ocorreu durante a 89ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP).

O projeto “Guaxupé Composta – Implantação de Sistema Integrado de Tratamento de Resíduos Orgânicos” foi submetido pela Prefeitura de Guaxupé em parceria com o Instituto Recicleiros e a cooperativa de catadores Recicla Guaxupé, e aprovado pelo Programa Mutirão Brasil. No total, 33 cidades e dois estados foram selecionados para receber suporte técnico e financeiro entre mais de 150 propostas enviadas.

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“Prefeitos de todo o Brasil estão avançando com ideias ousadas para enfrentar a crise climática ao mesmo tempo em que melhoram o dia a dia da população. O Programa Mutirão Brasil conecta as cidades ao conhecimento técnico e às parcerias necessárias para transformar planos em ação”, afirma Mark Watts, diretor executivo da C40 Cities.

O “Guaxupé Composta” busca estruturar um piloto de compostagem municipal, gerar dados operacionais reais e, a partir disso, elaborar o Plano Municipal de Compostagem, com potencial de escala para que outras cidades da região possam avançar nessa agenda. O projeto contribuirá para reduzir emissões de metano ao desviar matéria orgânica do aterro sanitário e promover o tratamento por compostagem. Esse material será convertido em composto para uso em agricultura e áreas verdes, com potencial de geração de créditos de carbono.

“Ter conseguido entrar nesse processo foi um grande passo para o município, visto que a compostagem é essencial para a gestão sustentável de resíduos. Ao transformar restos orgânicos em adubo, reduz-se o volume enviado a aterros e os impactos ambientais, como a emissão de gases de efeito estufa. Além disso, a prática pode ser integrada a ações de educação ambiental, incentivando a participação da população”, afirma Rafaela Macedo Soares, Diretora de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura de Guaxupé.

O sistema de compostagem será implantado em área pública já dedicada à gestão de resíduos sólidos, onde já funcionam a Unidade de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMR), o sistema municipal de gestão de resíduos da construção civil (RCC) e outras estruturas de manejo de resíduos urbanos. A expectativa inicial é de que o projeto trate cerca de 200 toneladas mensais. 

Impactos esperados

Ambientais: redução da disposição de orgânicos em aterro, diminuição de emissões de metano e produção de composto orgânico.

Sociais: fortalecimento da cooperativa de catadores Recicla Guaxupé, que será capacitada também para trabalhar na área de resíduos orgânicos, o que vai ampliar as oportunidades de trabalho e renda.

Econômicos: redução dos custos com a destinação final e potencial de geração futura de receitas com créditos de carbono.

Institucionais: elaboração do Plano Municipal de Compostagem, que vai gerar dados técnicos que servirão de modelo para outras cidades.

Assim, Guaxupé avança na implantação de um sistema integrado de tratamento de resíduos orgânicos, alinhando compostagem, inclusão de catadores e planejamento climático ao sistema de reciclagem já consolidado no município.

Programa Recicleiros Cidades

Desde 2020, Guaxupé integra o Programa Recicleiros Cidades, plataforma de desenvolvimento de políticas públicas de reciclagem e economia circular. Em 2025, o município registrou 548,19 toneladas de materiais reciclados, com 21 catadoras e catadores atuando no sistema e 484 ações de mobilização e educação ambiental realizadas.

“Guaxupé está construindo uma caminhada sólida e bem orientada rumo a um modelo de gestão de resíduos inclusivo e de baixo impacto ambiental. Um verdadeiro exemplo que prova que isso é possível quando a administração municipal é séria e comprometida. Com mais essa iniciativa, a cidade avança ainda mais, depois de estabelecer seu programa de reciclagem de sólidos secos em parceria com a cooperativa de catadores que agora terá mais esta oportunidade de desenvolvimento. Que sirva de referência e inspiração”, comenta  Erich Burger, Diretor Institucional do Instituto Recicleiros.

Catadores como protagonistas

A cooperativa Recicla Guaxupé, que já atua no processamento de resíduos sólidos no município, será protagonista no projeto “Guaxupé Composta”, já que vai ampliar sua atuação para os materiais orgânicos. “A Recicla abraça esse novo desafio inovador e acredita que o projeto será o início de uma nova etapa na gestão de resíduos em Guaxupé”, prevê Daniela Paulino, Presidente da Recicla Guaxupé.

A seleção de Guaxupé no Programa Mutirão Brasil é resultado da parceria entre a Prefeitura Municipal de Guaxupé, responsável pela coordenação institucional, infraestrutura e parte do financiamento do projeto; o Instituto Recicleiros, que atua no planejamento estratégico, suporte técnico e articulação institucional; e a Cooperativa Recicla Guaxupé, responsável pela operação, coleta, controle de dados e futura gestão de créditos de carbono, com apoio das Secretarias de Meio Ambiente, Obras e Serviços Urbanos e Educação.

Com a iniciativa, Guaxupé reforça o papel dos municípios na implementação de soluções climáticas concretas, conectando gestão de resíduos, política pública e impacto ambiental.

Reciclando o Futuro: conheça o projeto Recicleiros de educação ambiental nas escolas municipais

O Instituto Recicleiros, por meio do time de Mobilização e Marketing, iniciou neste ano um projeto piloto diferenciado de educação e conscientização ambiental nas escolas municipais, em parceria com prefeituras e secretarias de educação e meio ambiente. 

Batizado de Reciclando o Futuro, o objetivo é promover educação ambiental constante para esta e as próximas gerações nas cidades em que o Programa Recicleiros Cidades está em andamento. No momento, o projeto está em operação em seis municípios: Caçador (SC), Cajazeiras (PB), Caldas Novas (GO), Garça (SP), Naviraí (MS) e Serra Talhada (PE).

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A ideia surgiu da vontade de estar presente dentro das escolas, levando a educação ambiental, os materiais recicláveis e a coleta seletiva para o dia a dia dos alunos nos anos iniciais do ensino fundamental, sempre evidenciando a importância da reciclagem. E a expectativa do projeto é impactar a população das cidades por meio da educação ambiental, acarretando no aumento de massa para a cooperativa de reciclagem através da coleta seletiva municipal.

“O Reciclando o Futuro é voltado para alunos do ensino fundamental I, porém, impacta diretamente os docentes que têm acesso às atividades, planos de aula e material de apoio, e são responsáveis por repassar o conteúdo no melhor formato e didática. E indiretamente também atinge os responsáveis pelos alunos, que também são encorajados a participarem do projeto dentro de casa junto com as crianças”, explica Flavia Natero, analista de marketing do Instituto Recicleiros.

Educação ambiental na teoria e na prática

A equipe de Mobilização e Marketing de Recicleiros é responsável pela criação dos conteúdos e materiais, os mobilizadores locais enviam para as secretarias ou diretorias de escolas, que distribuem aos professores. Esses, por fim, aplicam os conteúdos em sala de aula. Todo mês tem uma atividade diferente.

“O diferencial do Reciclando o Futuro é ter uma trilha de conhecimento muito didática e apropriada para a idade. No primeiro semestre, convidamos os alunos a conhecerem os materiais recicláveis e a terem um olhar sobre o seu próprio consumo e como realizar o descarte correto. Já no segundo semestre, o intuito é falar sobre o descarte de forma incorreta, mostrando as consequências das suas ações e da irresponsabilidade do seu consumo. Tratamos também da destinação final daquele reciclável que o aluno teve tanto contato o ano inteiro, encerrando assim com a economia circular”, conta Mariana Almeida, analista de marketing do Instituto Recicleiros.

O projeto tem duração de 11 meses. Na teoria, percorre a trilha de conhecimento proposta por Recicleiros mês a mês e, na prática, faz atividades lúdicas mensalmente com os alunos em sala de aula para demonstrar, de fato, como é fácil e importante reciclar.

Mascotes para tornar a reciclagem mais lúdica

Para tornar a reciclagem mais amigável e próxima das crianças, o projeto conta com mascotes que representam cada um dos recicláveis – plástico (Pati), vidro (Vitor), papel (Pepe), metal (Mel) e óleo de cozinha (Léo) –, além do rejeito (Renê). “Pensamos que as crianças precisavam ter mais intimidade e afeto com os recicláveis para criarem vínculo com o tema e de fato terem vontade de realizar a ação corretamente. Assim surgiram os personagens com representatividade e acolhimento”, comenta Flavia.

As primeiras impressões do Reciclando o Futuro são positivas. Até o momento, as cidades que estão aplicando a trilha do conhecimento têm dado bons retornos. Os alunos estão se envolvendo com as atividades e se identificando com as personagens e os professores estão se mostrando satisfeitos com os planos de aula. 

A intenção do time de Mobilização e Marketing é que o projeto Reciclando o Futuro se torne perene, replicado nos anos seguintes com novos conteúdos e até mesmo, para novos anos escolares, a fim de difundir cada vez mais a educação ambiental e a importância da reciclagem nos municípios brasileiros.