Guaxupé (MG) é selecionada em edital internacional para desenvolver projeto de ação climática focado em compostagem

Foto: André Sanches e Fernando Pavoski.

O município de Guaxupé (MG), reconhecido por sua política pública de coleta seletiva e reciclagem, foi selecionado em edital internacional promovido pela rede C40 Cities e pelo Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM). A iniciativa apoia cidades na estruturação de sistemas de gestão e tratamento de resíduos orgânicos com foco na mitigação climática. O anúncio ocorreu durante a 89ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP).

O projeto “Guaxupé Composta – Implantação de Sistema Integrado de Tratamento de Resíduos Orgânicos” foi submetido pela Prefeitura de Guaxupé em parceria com o Instituto Recicleiros e a cooperativa de catadores Recicla Guaxupé, e aprovado pelo Programa Mutirão Brasil. No total, 33 cidades e dois estados foram selecionados para receber suporte técnico e financeiro entre mais de 150 propostas enviadas.

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“Prefeitos de todo o Brasil estão avançando com ideias ousadas para enfrentar a crise climática ao mesmo tempo em que melhoram o dia a dia da população. O Programa Mutirão Brasil conecta as cidades ao conhecimento técnico e às parcerias necessárias para transformar planos em ação”, afirma Mark Watts, diretor executivo da C40 Cities.

O “Guaxupé Composta” busca estruturar um piloto de compostagem municipal, gerar dados operacionais reais e, a partir disso, elaborar o Plano Municipal de Compostagem, com potencial de escala para que outras cidades da região possam avançar nessa agenda. O projeto contribuirá para reduzir emissões de metano ao desviar matéria orgânica do aterro sanitário e promover o tratamento por compostagem. Esse material será convertido em composto para uso em agricultura e áreas verdes, com potencial de geração de créditos de carbono.

“Ter conseguido entrar nesse processo foi um grande passo para o município, visto que a compostagem é essencial para a gestão sustentável de resíduos. Ao transformar restos orgânicos em adubo, reduz-se o volume enviado a aterros e os impactos ambientais, como a emissão de gases de efeito estufa. Além disso, a prática pode ser integrada a ações de educação ambiental, incentivando a participação da população”, afirma Rafaela Macedo Soares, Diretora de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura de Guaxupé.

O sistema de compostagem será implantado em área pública já dedicada à gestão de resíduos sólidos, onde já funcionam a Unidade de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMR), o sistema municipal de gestão de resíduos da construção civil (RCC) e outras estruturas de manejo de resíduos urbanos. A expectativa inicial é de que o projeto trate cerca de 200 toneladas mensais. 

Impactos esperados

Ambientais: redução da disposição de orgânicos em aterro, diminuição de emissões de metano e produção de composto orgânico.

Sociais: fortalecimento da cooperativa de catadores Recicla Guaxupé, que será capacitada também para trabalhar na área de resíduos orgânicos, o que vai ampliar as oportunidades de trabalho e renda.

Econômicos: redução dos custos com a destinação final e potencial de geração futura de receitas com créditos de carbono.

Institucionais: elaboração do Plano Municipal de Compostagem, que vai gerar dados técnicos que servirão de modelo para outras cidades.

Assim, Guaxupé avança na implantação de um sistema integrado de tratamento de resíduos orgânicos, alinhando compostagem, inclusão de catadores e planejamento climático ao sistema de reciclagem já consolidado no município.

Programa Recicleiros Cidades

Desde 2020, Guaxupé integra o Programa Recicleiros Cidades, plataforma de desenvolvimento de políticas públicas de reciclagem e economia circular. Em 2025, o município registrou 548,19 toneladas de materiais reciclados, com 21 catadoras e catadores atuando no sistema e 484 ações de mobilização e educação ambiental realizadas.

“Guaxupé está construindo uma caminhada sólida e bem orientada rumo a um modelo de gestão de resíduos inclusivo e de baixo impacto ambiental. Um verdadeiro exemplo que prova que isso é possível quando a administração municipal é séria e comprometida. Com mais essa iniciativa, a cidade avança ainda mais, depois de estabelecer seu programa de reciclagem de sólidos secos em parceria com a cooperativa de catadores que agora terá mais esta oportunidade de desenvolvimento. Que sirva de referência e inspiração”, comenta  Erich Burger, Diretor Institucional do Instituto Recicleiros.

Catadores como protagonistas

A cooperativa Recicla Guaxupé, que já atua no processamento de resíduos sólidos no município, será protagonista no projeto “Guaxupé Composta”, já que vai ampliar sua atuação para os materiais orgânicos. “A Recicla abraça esse novo desafio inovador e acredita que o projeto será o início de uma nova etapa na gestão de resíduos em Guaxupé”, prevê Daniela Paulino, Presidente da Recicla Guaxupé.

A seleção de Guaxupé no Programa Mutirão Brasil é resultado da parceria entre a Prefeitura Municipal de Guaxupé, responsável pela coordenação institucional, infraestrutura e parte do financiamento do projeto; o Instituto Recicleiros, que atua no planejamento estratégico, suporte técnico e articulação institucional; e a Cooperativa Recicla Guaxupé, responsável pela operação, coleta, controle de dados e futura gestão de créditos de carbono, com apoio das Secretarias de Meio Ambiente, Obras e Serviços Urbanos e Educação.

Com a iniciativa, Guaxupé reforça o papel dos municípios na implementação de soluções climáticas concretas, conectando gestão de resíduos, política pública e impacto ambiental.

Cataguases inaugura Sistema Municipal de Coleta Seletiva e lança cooperativa de catadores como parte da política pública de reciclagem

A cidade de Cataguases (MG) acaba de dar mais um passo importante em direção à gestão responsável de resíduos sólidos com a inauguração do Sistema Municipal de Coleta Seletiva e da cooperativa Recicla Cataguases. O evento de abertura contou com a presença de representantes da prefeitura, das empresas e organizações investidoras, como BNDES e Alliance To End Plastic Waste, e do Instituto Recicleiros, que incuba o projeto.

Mais do que uma infraestrutura segura, moderna e completa para processamento de materiais recicláveis, a Recicla Cataguases representa um modelo inovador de cooperativa inserido dentro de uma política pública para gestão de resíduos – desenvolvida em parceria com gestores públicos, empresas e sociedade civil – que coloca os catadores como protagonistas dentro do ecossistema.

“Cataguases está dando o exemplo não só para a região mas para todo o país. Uma cidade que se propõe a enxergar a realidade dos resíduos como ela é e, a partir disso, prover as condições necessárias para que o serviço se estabeleça e avance, sem perder de vista a questão de direitos humanos e justiça social. O que está sendo feito aqui em Cataguases é a inauguração de uma política socioambiental que não negligencia a questão humana ao reconhecer que reciclar tem um custo e que pessoas que precisam de renda digna e estável são o coração dessa operação”, diz Erich Burger, diretor do Instituto Recicleiros.

Inclusão Social

A implantação do Sistema Municipal de Coleta Seletiva de Cataguases estabelece uma política pública que integra coleta, triagem, educação ambiental e comercialização de recicláveis. A iniciativa inclui contrato estruturado entre a Prefeitura e a cooperativa de catadores, garantindo remuneração justa pelos serviços ambientais prestados, estabilidade para a operação da coleta seletiva e reciclagem, continuidade das ações de educação ambiental e a expansão da cobertura do serviço até sua universalização para atender todo o município.

O prefeito José Henriques destacou que a implantação do sistema representa um avanço importante para a cidade, unindo preservação ambiental, geração de oportunidades e melhoria da qualidade de vida da população. “Estamos construindo uma política pública sólida, que transforma um problema ambiental em oportunidade de desenvolvimento social e econômico. A coleta seletiva significa uma cidade mais limpa, mais consciente e com novas oportunidades para quem vive do trabalho da reciclagem”, afirmou.

Dentro desse sistema, as cooperativas são empreendimentos que fazem a diferença na sociedade. As catadoras e os catadores da Recicla Cataguases são os responsáveis por receber, separar e processar os materiais recicláveis em uma central de triagem com infraestrutura de ponta, com segurança e condições dignas de trabalho, além de atuarem na execução das ações de educação ambiental, tudo isso com previsão de pagamento dos serviços prestados. Assim, transformam o que era “lixo” em fonte de renda para os profissionais e suas famílias.

“A Recicla Cataguases quer deixar como legado uma cidade mais limpa, mais sustentável e dar uma vida melhor para cada catador. É muito importante o apoio de todas e todos porque sem a prefeitura, investidores e Recicleiros, não teríamos galpão e estrutura para um trabalho digno dos cooperados”, afirma Brenda Liberato, diretora administrativa da cooperativa.

Além de todo o trabalho essencial pelo meio ambiente, os cooperados participam de uma série de cursos e formações técnicas profissionalizantes, conduzidas pelo Instituto Recicleiros. Após o período de incubação, os profissionais herdam toda a estrutura e contratos estabelecidos e passam a operar de forma autônoma dentro do ecossistema de coleta seletiva e reciclagem municipal.

“Essa cooperativa reforça os investimentos que a Alliance vem fazendo junto ao Instituto Recicleiros para ampliar a infraestrutura de Coleta e Separação de Resíduos Plásticos no Brasil, possibilitando sua valorização”, afirma Hugo Ladeira, Presidente Alliance To End Plastic Waste Brasil sobre a Recicla Cataguases. 

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destaca o projeto como exemplo prático das políticas operacionais do Banco com foco na sustentabilidade, inclusão produtiva e economia circular.  “Mais do que apoio financeiro, estamos levando dignidade aos catadores e catadoras, reconhecendo-os como agentes ambientais essenciais e fortalecendo a coleta seletiva para gerar emprego e renda na Zona da Mata mineira”, ressaltou. “Essa operação está em conformidade com a legislação brasileira de resíduos sólidos, engajando cooperativas e o setor privado no processo de transição ecológica. Ao apoiar os trabalhadores mais vulneráveis da cadeia de reciclagem, estamos cumprindo o compromisso do governo do presidente Lula com a retomada do papel social do BNDES”.

Como parte da implantação do Sistema Municipal de Coleta Seletiva, já começaram e continuarão sendo realizadas de forma perene ações de mobilização para orientar a população sobre a separação correta dos resíduos recicláveis. As ações vão desde visitas porta a porta, passando pelo uso de comunicação digital, trabalho em escolas, órgãos públicos, entre outras. Em paralelo, foram estruturadas as rotinas operacionais e logísticas necessárias para o funcionamento da coleta seletiva no município.

Vale frisar que a coleta seletiva porta a porta está sendo implementada em todo o município de Cataguases de forma gradativa. No segundo semestre, todo o perímetro urbano será atendido pelo caminhão da coleta seletiva.

Cataguases, seja bem-vinda ao Programa Recicleiros Cidades!

Por que as pessoas não reciclam? Pesquisa Vox Lab revela o comportamento do brasileiro na reciclagem

Reciclar é fundamental para o desenvolvimento sustentável. A maioria das pessoas concorda com a ideia que esta é uma prática necessária. Mas, por que os índices de reciclagem são tão incipientes no Brasil? 

O Vox Lab, laboratório de pesquisas de comportamento do Instituto Recicleiros, desenvolveu uma pesquisa inédita sobre hábitos de reciclagem da população brasileira que ajuda a entender esse contexto. O conteúdo está no e-book “O Brasil que diz sim, mas não separa!”, que acaba de ser lançado e pode ser baixado gratuitamente.

Após dois anos de trabalho de campo, batendo à porta de pessoas em 11 cidades, distribuídas por oito estados e quatro regiões, a pesquisa do Vox Lab, que conta com apoio da SIG, ouviu 4.419 pessoas para compreender como a população se relaciona com a coleta seletiva, qual o nível de conhecimento sobre reciclagem e o que impede que atitudes positivas se concretizem em práticas urbanas.

A pesquisa, conduzida com rigor científico e realizada junto aos municípios que integram o Programa Recicleiros Cidades, revela dados inéditos das barreiras comportamentais que dificultam o avanço da reciclagem no país. 

Baixe agora o e-book “O Brasil que diz sim, mas não separa!”

O conteúdo deste material pode ser aproveitado de maneira estratégica por gestores públicos na formulação de políticas públicas; programas de ESG de empresas comprometidas com a causa socioambiental; iniciativas de educação ambiental; e ações de comunicação e mobilização social.

“Essa pesquisa revela que os desafios da reciclagem no Brasil não estão somente na infraestrutura, mas também no comportamento da população. Ao escutarmos mais de quatro mil pessoas em suas próprias casas, conseguimos entender nuances profundas do porquê o brasileiro diz que recicla, mas não separa. Nesse e-book, trazemos um recorte destas análises, com o propósito de ser um material de apoio para entendermos melhor as lacunas da cultura, educação e mobilização para a mudança de comportamento para reciclagem no Brasil”, diz a pesquisadora Mônica Alves, mestre em Sustentabilidade Socioeconômica e Ambiental e Ciências Ambientais. 

Segundo a gerente de Sustentabilidade da SIG, “a reciclagem vai muito além da gestão de resíduos: ela é um vetor de impacto ambiental, social e econômico. Este e-book traduz conhecimento científico em caminhos práticos, capazes de fortalecer políticas públicas, orientar empresas e engajar cidadãos na construção de uma cadeia de reciclagem ética, inclusiva e transformadora.”

Sobre o Vox Lab

O Vox Lab, que tem a SIG como patrocinadora semente, é um laboratório voltado para as experiências e geração de conhecimento em mudança de comportamento para a reciclagem. Desde agosto de 2022, desenvolve pesquisas e testes dentro dos territórios do Programa Recicleiros Cidades. 

Primeira iniciativa consolidada de Recicleiros Lab, o Vox Lab se dedica a gerar dados com base em experiências práticas e transformar em conhecimento para ser compartilhado com o ecossistema, a fim de promover uma reciclagem de impacto, geradora de transformação social, viável economicamente e passível de ser replicada.

O Vox Lab produz conhecimento com base em experimentação prática, registro de dados qualificados e realização de pesquisas quantitativas e qualitativas. Tudo isso baseado no rigor científico e na qualidade que está no modo de ser Recicleiros.

A Reciclagem Não Tira Férias: quando os dados guiam ação e mobilização

A campanha “A Reciclagem Não Tira Férias” nasceu de uma leitura atenta dos dados coletados pelo Programa Recicleiros Cidades. Em 2024, uma das metas do programa era ampliar a arrecadação de materiais recicláveis nas escolas municipais, de forma a fortalecer o engajamento de alunos, famílias, educadoras e educadores na coleta seletiva.

Durante a análise dos relatórios, um dado chamou atenção: em Cajazeiras (PB), a captação de materiais havia caído de 3,4 toneladas em abril de 2022 para 1,5 tonelada no mesmo período de 2023. Em contrapartida, observou-se um padrão de replicação entre mobilizadores, quando uma equipe iniciava a ação, outras cidades tendiam a acompanhar, mantendo uma média de cerca de 4 toneladas.

As equipes de campo também relataram que muitas escolas realizavam o descarte de materiais escolares sem possibilidade de reutilização, como livros e cadernos. A partir desse cenário, surgiu a pergunta central que orientou a campanha: como potencializar essa destinação e transformar esse momento em uma ação coletiva?

Assim se estruturou a campanha que envolve escolas, comunidades, cooperativas e gestores públicos em uma mobilização ambiental que ultrapassa o ano letivo.

Material arrecadado na campanha em Três Rios/RJ

Duas frentes de trabalho, um objetivo em comum

A campanha foi organizada em duas frentes principais, com estudantes incentivados a realizar o descarte adequado dos materiais usados ao longo do ano e as escolas responsáveis por encaminhar livros, apostilas e itens que não poderiam ser aproveitados no ano seguinte.

Com sugestões das equipes locais, a mobilização foi ampliada para toda a comunidade, por meio da instalação de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) temporários em cooperativas, bibliotecas, secretarias e demais locais de grande circulação.

Ponto de entrega voluntária (PEV) em Serra Talhada/PE

A comunicação priorizou clareza e praticidade, conectando as redes sociais de prefeituras e cooperativas, grupos de responsáveis e bilhetes enviados pelas escolas. As ações resultaram em forte engajamento comunitário, os  moradores passaram a organizar caixas para coleta seletiva, famílias levam materiais aos PEVs e os cooperados são preparados para receber esse aumento no fluxo de resíduos recicláveis.

“A campanha ‘A reciclagem não tira férias’ é de suma importância para cooperativa, porque temos a chance de aumentar a massa devido ao descarte de cadernos e livros usados no ano letivo. No primeiro ano, entrou muito material de algumas escolas que estavam acumulando, demos muita sorte”, diz Daniela Paulino, Presidente da Cooperativa Recicla Guaxupé.

Parte do material arrecadado na campanha em Guaxupé/MG

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Impacto medido em toneladas e em participação

A campanha contou com a adesão de 9 das 12 cidades participantes do Programa Recicleiros Cidades e alcançou 136 toneladas de materiais arrecadados. O destaque ficou para Cajazeiras, que registrou 27,1 toneladas, quase 18 vezes mais que no ano anterior, contudo as outras cidades também revelaram mudanças na rotina da UPMR. 

Esse aumento expressivo de materiais foi comemorado por toda a equipe de triagem e mobilização, destacando a importância e impacto positivo direto que o trabalho cotidiano de uma cooperativa tem na comunidade.

“No primeiro ano, a dúvida sobre a adesão das escolas, pais e alunos deu lugar a uma grande surpresa: o sucesso! O trabalho de mobilização dos cooperados e a colaboração na divulgação de parceiros, o envolvimento de toda a comunidade escolar… a campanha arrecadou uma grande quantidade de livros, apostilas e papéis, muitos guardados há anos. Foi sucesso e fez uma enorme diferença para o trabalho da cooperativa e para o meio ambiente”, comenta Gisele Biléia, Líder Local de Guaxupé.

Um ciclo que se renova

As escolas participantes receberam certificados e a ação ganhou visibilidade nas mídias locais. No ano seguinte, a campanha foi replicada em novas cidades, consolidando-se como prática recorrente dentro do Programa Recicleiros Cidades.

Entrega de certificado pela Recicla Guaxupé à Escola Municipal Coronel Antônio Costa Monteiro.

O avanço da iniciativa demonstra como ações orientadas por dados podem gerar resultados sustentáveis, articulando educação ambiental, gestão de resíduos e participação comunitária. À medida que novos anos letivos se encerram, novas oportunidades de fortalecer essa mobilização continuam surgindo.

Recicleiros, Alcoa Foundation e Prefeitura de Juruti juntos pela reciclagem inclusiva

Durante a COP30 que acontece em Belém (PA), o Instituto Recicleiros, a Alcoa Foundation e o município de Juruti, no oeste do Pará, anunciaram uma parceria para fortalecer o ecossistema de reciclagem na cidade.

O projeto prevê investimentos de R$ 2,8 milhões e criará uma nova Unidade de Reciclagem, desenvolverá um Plano Municipal de Coleta Seletiva e oferecerá treinamento técnico e apoio inicial a cooperativas de reciclagem locais, melhorando a eficiência, a segurança e a geração de renda para cerca de 40 catadoras e catadores de materiais recicláveis e suas famílias.

“O projeto Recicleiros demonstra como melhorar a vida das pessoas e proteger o meio ambiente podem andar de mãos dadas”, afirma Erich Burger, Diretor Institucional do Recicleiros. “Com o apoio da Alcoa Foundation, vamos capacitar os catadores de materiais recicláveis locais, fortalecer a infraestrutura de reciclagem e ajudar Juruti a se tornar um modelo de economia circular na Amazônia.”

A parceria é resultado da experiência prática do Instituto Recicleiros por meio do Programa Recicleiros Cidades que incuba, atualmente, 15 cooperativas de catadores de materiais recicláveis nos municípios brasileiros, unindo empresas, gestores públicos, catadores e sociedade. Até setembro último, o Programa Recicleiros Cidades já recuperou 22,5 mil toneladas de materiais, atende 1.013 milhão de pessoas com coleta seletiva na porta e gera 275 postos de trabalho diretos.

“Por meio dessa colaboração, estamos reforçando o compromisso da Alcoa Foundation com o desenvolvimento comunitário sustentável e inclusivo”, disse Caroline Rossignol, presidente da Alcoa Foundation. “Ao apoiar o trabalho de Recicleiros, estamos criando oportunidades reais para as pessoas e, ao mesmo tempo, fortalecendo os sistemas circulares que protegem o planeta.”

O evento, que aconteceu na COP no Espaço ABAL Free Zone (Praça da Bandeira), contou com as presenças de Pâmella De-Cnop, Diretora de assuntos externos e sustentabilidade da Alcoa e Presidente do Instituto Alcoa; Lucidia Batista, Prefeita de Juruti, Gerson Paes, Coordenador de Licenciamento da Mineração na SEMAS; Daniel Santos, Presidente da Alcoa Brasil; e Erich Burger, do Instituto Recicleiros.

Vale lembrar que a Alcoa Foundation apoia a Academia Recicleiros do Catador, uma plataforma de educação online gratuita que oferece treinamento profissional e comportamental para membros de cooperativas em todo o país. O currículo da Academia inclui módulos sobre operações, segurança, liderança, administração e governança, fortalecendo a economia circular do Brasil desde a base.

Mobilização orientada por dados: transformando informação em impacto

Quando falamos em Mobilização, aposto que você pensa logo nas ações feitas nas escolas com as crianças, nas ruas, nas campanhas… e é isso mesmo! Esse é o lado visível, que toca as pessoas. Mas, o que nem todo mundo sabe é que, por trás de tudo isso, existe uma estrutura enorme de dados, planilhas e análises que ajudam o setor a funcionar do jeito certo.

No contexto do Programa Recicleiros Cidades, a Mobilização passou por uma transformação silenciosa, mas profunda. O que antes era apenas o registro manual das tarefas realizadas e a percepção empírica se transformou em um modelo organizado e orientado por dados, onde cada ação é mapeada, analisada e transformada em conhecimento.

Do registro à inteligência

O processo foi gradual. Começamos com planilhas simples com registros que mostravam onde estivemos, quando, com quem e com qual objetivo. Mas, conforme o trabalho crescia, ficou claro que precisávamos enxergar além.

Foi assim que nasceram os dashboards de Mobilização: painéis dinâmicos que reúnem dados de campo, relatórios de eventos, resultados de campanhas e indicadores de impacto, que representaram uma verdadeira virada de chave. Hoje, conseguimos não apenas saber o que foi feito, mas como e por que cada ação gerou determinado resultado.

Dados que contam histórias

Esses números não são frios, eles contam histórias. Mostram o engajamento crescente da comunidade, as campanhas que mais despertam interesse, os territórios que demandam atenção e os resultados das ações de educação ambiental.

Cada ponto no gráfico representa uma ação, com pessoas reais, que se envolveram, participaram e transformaram seu entorno. E é justamente isso que torna a Mobilização do Instituto Recicleiros única: a combinação entre encantamento humano e precisão analítica.

Eficiência com propósito

Com essa estrutura, o planejamento ficou mais estratégico. As equipes conseguem cruzar dados de participação, adesão e engajamento, além de identificar tendências e gargalos.

Os dashboards permitem atuar com agilidade, reforçando o princípio da melhoria contínua, um dos pilares da Mobilização. Agora, cada reunião, campanha e nova ideia nascem sustentadas em evidências. Isso garante que o trabalho em campo seja inspirador, eficiente e mensurável.

É aí que a Mobilização se torna ainda melhor. Quando você consegue enxergar os resultados de forma clara, tudo ganha outro ritmo. As reuniões ficam mais objetivas, as campanhas são pensadas com base no que deu certo (e no que não deu), e o tempo em campo é usado com mais estratégia.

A verdade é que os dashboards viraram uma espécie de bússola. Não substituem o olhar humano, mas dão base a ele. Afinal, mobilizar continua sendo sobre pessoas, conversa e vínculo. A diferença é que agora temos informação estruturada para apoiar cada decisão.

Um futuro orientado por dados e pessoas

A Mobilização segue sendo o ponto de partida das transformações nas cidades. Mas, hoje, é também um espaço de análise, planejamento e aprendizado.

Cada dado registrado é uma semente plantada e cada insight gerado é um passo em direção a comunidades mais engajadas e cooperativas mais fortalecidas.

Porque mobilizar é, sim, sobre pessoas, mas também sobre entender o que os dados nos contam sobre elas para seguir transformando realidades com mais clareza, eficiência e impacto.

A Mobilização segue em crescimento, se reinventando e aprendendo com o que os dados mostram e com o que as pessoas ensinam. Porque é assim que o encantamento e a análise se encontram: um orienta o outro.

Instituto Recicleiros apresenta o Relatório de Impacto Socioambiental 2024

O Instituto Recicleiros lançou a mais nova edição do seu Relatório Anual de Impacto Socioambiental, com os resultados referentes a 2024. 

Em sua terceira edição, o Relatório Recicleiros reforça o compromisso da organização com transparência e inovação e lembra sua missão primordial: fomentar a cultura da reciclagem no Brasil. O material destaca as principais conquistas, os desafios enfrentados ao longo do ano e os resultados alcançados pelas cooperativas de reciclagem que integram o Programa Recicleiros Cidades.

Veja alguns números do Relatório 2024:

  • 978.977 pessoas atendidas com o Programa Recicleiros Cidades;
  • 7.186,98 toneladas de resíduos reciclados em 2024 (18.065,24 toneladas desde o início do programa);
  • 2.136 ações de mobilização social e educação ambiental realizadas.

Muito mais do que um balanço, o relatório é um convite para a reflexão, a fim de inspirar, orientar e engajar os leitores na construção da necessária transformação socioambiental.

O documento, disponível para acesso público, também apresenta as iniciativas do Instituto Recicleiros em sua missão de integrar e dialogar com os diferentes setores da sociedade envolvidos na causa socioambiental – técnicos e gestores públicos, catadoras e catadores de materiais recicláveis, empresas e cidadãos.

Quer conhecer melhor o trabalho do Instituto Recicleiros? Baixe agora o Relatório de Impacto Socioambiental 2024!

Aproveite a leitura!

MPMS desenvolve Nota Técnica que orienta a contratação de organizações de catadores por prefeituras

O Ministério Público do Mato Grosso do Sul lançou uma Nota Técnica orientativa para gestores públicos sobre a contratação de cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis.

A Nota Técnica destaca que a contratação pelo poder público deve ser a principal fonte de receita para cooperativas e associações. Além disso, o documento apresenta outras cinco alternativas que podem garantir a sustentabilidade econômica dessas organizações:

  • Contratação pelo poder público (prioritária);
  • Venda do material;
  • Créditos de logística reversa;
  • Serviços a grandes geradores;
  • Pagamento por serviços ambientais;
  • Créditos de carbono.

“O documento nasce da necessidade de enfrentar os desafios da destinação ambientalmente adequada dos resíduos e da valorização do trabalho das associações e cooperativas de catadores, historicamente responsáveis pela coleta, triagem e comercialização de recicláveis no país. Trata-se de um instrumento que visa assegurar o cumprimento dos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, do trabalho, da função socioambiental das políticas públicas e da inclusão social”, afirma Luciano Loubet, Promotor de Justiça – Coordenador do Núcleo Ambiental de apoio ao Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente (CAOMA).

Recicleiros presente na iniciativa do MPMS

O Instituto Recicleiros participou desse processo com apoio técnico na elaboração do documento e fornecimento de dados, estudos e experiências acumuladas pelo Programa Recicleiros Cidades.

“Essa medida é muito importante na medida em que o valor de venda dos materiais historicamente não tem sido suficiente para garantir as premissas mínimas de dignidade, respeito aos direitos humanos e princípios da organização internacional do trabalho. A Nota vem como uma forma de reforçar que essa atividade seja reconhecida como um serviço que deve ser prestado para toda população pelas administrações públicas, independentemente da presença de investimentos de logística reversa e protegido da influência que o preço da matéria-prima virgem tem sobre o mercado de recicláveis pós-consumo”, comenta Rafael Henrique, Diretor de Operações do Instituto Recicleiros. 

“Entretanto, é preciso ficar claro que essa alternativa não exime de responsabilidade o setor empresarial que tem por obrigação contribuir para viabilizar a estruturação e a operacionalização desses sistemas na medida que eles também servem ao cumprimento de suas obrigações legais quanto às embalagens que colocam no mercado”, completa.

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Essa contribuição reafirma a missão do Instituto Recicleiros de fortalecer políticas públicas que promovem a sustentabilidade econômica e a inclusão socioprodutiva de catadores em todo o Brasil.

Veja a notícia e acesse a Nota Técnica completa

Parecer jurídico sobre a contratação direta

Na esteira da Nota Técnica, o corpo jurídico do Instituto Recicleiros elaborou um parecer técnico-jurídico a respeito da contratação direta de cooperativas de catadores de materiais recicláveis por município. O parecer está disponível aqui.

“O parecer jurídico visa a auxiliar as municipalidades para contratação direta de cooperativas de catadores por meio de dispensa de licitação que, além de atender o princípio da economicidade processual, poupando a Administração Pública de burocracias para contratação do serviço de coleta, processamento e destinação dos resíduos recicláveis, também traz justiça social para uma parcela vulnerável da população, com renda digna, segurança, saúde, que também são direitos constitucionais básicos”, diz Bruno Segantini, Coordenador Jurídico do Instituto Recicleiros.

Esse documento oferece respaldo técnico e jurídico para que gestores públicos adotem um modelo de contratação mais ágil, inclusivo e alinhado aos princípios constitucionais.

Vale lembrar que os gestores públicos de todo o Brasil que desejam apoio para cumprir a lei e implementar um sistema eficiente de coleta seletiva e reciclagem inclusiva podem solicitar acesso gratuito à Academia Recicleiros do Gestor Público.

Ministério do Meio Ambiente habilita Recicleiros como entidade gestora de logística reversa

O Instituto Recicleiros foi habilitado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) como entidade gestora de sistemas de logística reversa de embalagens em geral, em âmbito nacional. As entidades gestoras são pessoas jurídicas responsáveis por estruturar, implementar e operar sistemas de logística reversa de produtos e embalagens em modelo coletivo. A Portaria Nº 1.469, assinada pela Ministra Marina Silva, foi publicada no Diário Oficial da União neste mês de setembro.

A publicação reconhece oficialmente o trabalho desenvolvido pelo Instituto Recicleiros ao longo dos anos por meio do Programa Recicleiros Cidades, e reforça o compromisso da organização com a regulamentação existente. Entre os requisitos desse processo de habilitação estão a atuação nacional, além da experiência e a capacidade técnica reconhecida. Hoje, de acordo com o SINIR, existem 13 entidades gestoras habilitadas pelo Ministério.

“Acreditamos que o mercado criado pela obrigatoriedade da logística reversa pode ser viabilizador da transformação estrutural necessária para fomentar a economia circular. Desempenhar o papel de entidade gestora se torna necessário para que possamos operar e comprovar esses mecanismos de impacto inovadores. Portanto, estamos felizes com a homologação”, diz Erich Burger, Diretor Institucional do Instituto Recicleiros.

O Programa Recicleiros Cidades, até o momento, já recuperou 22,5 mil toneladas de materiais, atende 1.013 milhão de pessoas com coleta seletiva na porta e gera 275 postos de trabalho diretos.

Confira a Portaria n°1469 em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/mma-n-1.469-de-11-de-setembro-de-2025-655172752

Por que a reciclagem não tira férias, e nem deveria?

Reciclar vai muito além do ato de separar o lixo seco do orgânico. É, antes de tudo, um gesto de pertencimento. Um passo em direção à cidade que a gente quer habitar e reconhecer que somos agentes ativos nela.

Na raiz da transformação que a reciclagem pode gerar, estão as pessoas. E é por isso que toda campanha que se propõe a incentivar esse movimento precisa valorizar quem está no centro dele: as catadoras e os catadores, os estudantes, os professores, as famílias, as comunidades e todo esse ecossistema que é uma cidade.

Foi com esse espírito que nasceu a campanha “A Reciclagem Não Tira Férias”, integrada ao projeto “Reciclando o Futuro”, que percorreu escolas, ruas e cooperativas nas diferentes cidades brasileiras em que atuamos. Um trabalho que floresceu a partir da educação ambiental, da mobilização social e da confiança de que é possível aprender e ensinar com o cotidiano, com o que se toca, se transforma e se devolve à natureza com respeito.

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75,4 toneladas de transformação

Durante os meses de dezembro de 2024 a março de 2025, a campanha arrecadou 75,4 toneladas de materiais recicláveis em nove cidades: Cajazeiras, Caldas Novas, Garça, Guaxupé, Maracaju, Naviraí, São José do Rio Pardo, Serra Talhada e Três Rios. Cada uma dessas praças, com suas realidades, desafios e potências, adaptou o calendário à sua maneira, o que ampliou o engajamento e a participação local.

Maracaju liderou a arrecadação com 15 toneladas, seguida por Cajazeiras (12 t) e por Guaxupé, Naviraí e Três Rios, com 11 toneladas cada. Mesmo em praças com menor volume, como São José do Rio Pardo, o impacto ainda assim é profundo, porque cada quilo coletado carrega histórias, escolhas e novas possibilidades para os resíduos e para as pessoas envolvidas.

Educação ambiental que atravessa o ano letivo

Ao longo do ano, o projeto Reciclando o Futuro segue por uma trilha de aprendizagem nas escolas que leva, justamente, à campanha de férias. É como se fosse uma colheita pedagógica: os estudantes colocam em prática aquilo que aprenderam, levando para casa, para os vizinhos, para os pais e responsáveis, a responsabilidade compartilhada de cuidar do que descartamos.

Nesse processo, as crianças se tornam multiplicadoras. Os resíduos ganham valor. E as escolas deixam de ser apenas prédios, passam a ser florestas de ideias, cidadania e transformação.

Catadoras e catadores como os principais tecelões dessa rede

Outro aspecto essencial da campanha é o reconhecimento das cooperativas e dos profissionais da reciclagem. Quando valorizamos esse trabalho, combatemos estigmas, fortalecemos economias locais e damos visibilidade a quem sustenta, com as próprias mãos, um novo começo.

Em cada cidade, o envolvimento das cooperativas foi decisivo. Algumas receberam os materiais diretamente das escolas; outras participaram de formações e rodas de conversa, criando pontes com a comunidade e ampliando os vínculos com o território.

Quando o pertencimento vira política pública

Mais do que uma ação pontual, a campanha se consolida como parte de uma estratégia maior de educação ambiental. Uma política viva, que reconhece a potência das conexões e o poder da prática educativa para inspirar novos hábitos (e novos mundos).

Porque reciclar também é um gesto político. É dizer que o futuro começa agora, na escolha de onde e como colocamos nossos resíduos. E que cada pessoa, ao participar, reafirma o desejo de viver numa cidade mais habitável, mais justa e mais solidária.

A Reciclagem Não Tira Férias. E a vontade de transformar também não.