Recicla+Pernambuco: quatro municípios avançam para a implementação de sistemas completos de coleta seletiva e reciclagem inclusiva

Depois de seis meses de preparação intensa, trocas técnicas, mentorias e qualificação dos gestores públicos, o programa Recicla+Pernambuco chega a um marco decisivo: a seleção dos quatro municípios que receberão os investimentos necessários para implantar, de forma estruturada e inclusiva, a coleta seletiva em seus territórios. Bezerros, Camaragibe, Pesqueira e Salgueiro foram os selecionados pelo Governo de Pernambuco, após todo o processo conduzido pelo Instituto Recicleiros.

A decisão representa mais do que a escolha de municípios: simboliza o início de um novo ciclo de gestão de resíduos no estado, com foco em inclusão socioprodutiva, eficiência, sustentabilidade e profissionalização por uma cadeia ética da reciclagem.

O Recicla+Pernambuco representa um avanço expressivo para a reciclagem no estado. Os sistemas implantados terão potencial para processar até 10.000 toneladas de materiais recicláveis por ano, devolvendo esse volume ao ciclo produtivo. Os quatro novos empreendimentos também poderão gerar até 200 postos de trabalho, com abertura inicial estimada em cerca de 80 vagas, acompanhadas de qualificação para todos os envolvidos. A coleta seletiva também passará a atender mais de 310 mil pessoas, considerando a população urbana dos quatro municípios, ampliando o alcance da política pública. Esses resultados reforçam os efeitos concretos do programa no cotidiano dos municípios.

Como foi o percurso até aqui

A jornada começou ainda em março, com o processo de inscrição dos municípios interessados em participar do Recicla+Pernambuco. Após essa etapa inicial, os gestores selecionados participaram de oficinas presenciais e, na sequência, passaram a acessar a plataforma da Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP), onde concluíram trilhas formativas e participaram de mentorias técnicas ao vivo.

O processo de habilitação dos municípios, iniciado em julho, foi altamente produtivo. Ao longo desse período, foram oferecidas consultorias intensivas aos 18 municípios e ao consórcio classificados, com o objetivo de apoiar o cumprimento dos requisitos essenciais para a sedimentação da política pública. Em menos de quatro meses, a equipe realizou mais de 30 reuniões, entre virtuais e presenciais, avaliou 440 documentos e emitiu 60 relatórios orientativos.

Os resultados obtidos são expressivos, confira abaixo:

A fase de habilitação foi conduzida pelo Comitê de Seleção, com o apoio do técnico do Instituto Recicleiros, que também será responsável pela implementação dos sistemas nos municípios. Com a escolha oficializada, os quatro municípios passam agora para a fase de celebração da parceria. Após essa etapa, receberão investimentos para a estruturação completa da coleta seletiva, incluindo a aquisição de máquinas e equipamentos para Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs), ações de mobilização social, assessoria técnica especializada e formação profissional de catadores. O suporte técnico se estenderá por até cinco anos, para assegurar estabilidade e amadurecimento da política pública.  

“Estamos celebrando muito este momento e o empenho de todos os municípios que participaram do processo. Aos que não avançaram, fica um legado importante para o desenvolvimento de suas cidades. Para os quatro selecionados, inicia-se agora a etapa de celebração de parcerias para que seja possível a implementação dos ecossistemas, momento que exigirá ainda mais comprometimento das prefeituras para transformar todo o trabalho dos últimos meses em benefícios concretos para a sociedade”, afirma Erich Burger, diretor institucional do Instituto Recicleiros.

Investimentos e impactos esperados

O Recicla+Pernambuco adota o conceito de blended finance, combinando financiamento público e recursos privados complementares. São aproximadamente R$21 milhões investidos pelo Governo de Pernambuco, somados a cerca de R$9 milhões a serem captados pelo Instituto Recicleiros junto a fontes como logística reversa, Lei de Incentivo à Reciclagem e fundos não reembolsáveis. A SIG Group, tradicional fabricante de embalagens, é uma das empresas investidoras que apoiam a iniciativa a partir da Academia Recicleiros Gestor Público.

“O Recicla+Pernambuco é um exemplo concreto da união entre governo, sociedade civil e empresas para a construção de uma cadeia ética de reciclagem. A SIG tem um imenso prazer em trabalhar com estes parceiros para impactar na construção de políticas públicas de promoção da reciclagem e garantia da inclusão socioeconômica de catadores e catadoras.” comenta Isabela De Marchi, Gerente de Sustentabilidade da SIG Brasil.

Esses recursos viabilizarão reformas de galpões, aquisição de máquinas e equipamentos, estruturação completa das UPMRs, campanhas de comunicação para mobilizar a população, assessoria técnica intensiva, formação socioprodutiva das cooperativas e até cinco anos de acompanhamento técnico aos municípios.

O modelo adotado segue a experiência consolidada do Instituto Recicleiros, que há 18 anos atua em soluções sustentáveis para a gestão de resíduos sólidos e que hoje incuba 15 sistemas municipais de coleta seletiva em diversos estados brasileiros. O Programa Recicleiros Cidades, base metodológica do Recicla+Pernambuco, promove a reciclagem inclusiva com tecnologia, gestão profissional, participação comunitária e geração de trabalho e renda para pessoas em situação de vulnerabilidade.

O Recicla+Pernambuco está pronto para receber empresas que queiram investir em transformação de verdade que muda o território, valoriza as pessoas e fortalece a economia circular no estado. 

Se a sua empresa quer fazer parte de algo maior, este é o momento, somar com o Recicla+Pernambuco é escolher construir um futuro mais digno e mais sustentável para todos. Acesse:

https://conteudos.recicleiros.org.br/investimento-recicla-pernambuco 

Tecnologia social que transforma cidades

O projeto não se resume à montagem de centrais modernas. Ele envolve também ações educativas, campanhas comunitárias, formação continuada para catadores e um esforço contínuo de integração entre prefeituras, cooperativas, empresas e cidadãos. A premissa é simples e potente: só existe coleta seletiva de verdade quando todos participam – da gestão pública à população.

O Recicla+Pernambuco inaugura um modelo estruturado e inclusivo de gestão de resíduos sólidos no estado. Ao combinar investimento público robusto, qualificação técnica e inclusão socioprodutiva de catadores, o projeto estabelece as bases de uma política pública efetiva, que beneficiará milhares de pessoas.

As unidades estruturadas dentro do programa tornam a reciclagem mais eficiente, mais segura e economicamente viável. São espaços pensados para garantir dignidade, capacitação e perspectivas reais de futuro para catadores e catadoras, que passam a integrar um sistema organizado e profissionalizado.

O que dizem os municípios

A etapa de qualificação deixou marcas importantes nos territórios. 

“Além do ganho em conhecimentos e experiências dos Recicleiros, o município avançou na questão seletiva de recicláveis, até então somente pensada de forma indiferenciada, atualizou sua legislação e certidões necessárias para realizar parcerias futuras. Ampliou a interação entre secretarias e órgãos municipais afins.”
Maria do Socorro, Secretária Adjunta de Buíque/PE.

Reunião Presencial em Bezerros/PE

“Incrível a atuação do Instituto Recicleiros, abriu um novo caminho para a coleta seletiva municipal e quero agradecer ao governo do estado de Pernambuco, que acredita nessa transformação. Onde os resíduos sólidos são oportunidade de melhoria socioeconômica e não só uma problemática dos municípios.”
Marco Aurélio Ribeiro, Diretor de Meio Ambiente de Bezerros/PE.

Os depoimentos reforçam o quanto o processo vai além da formação técnica: ele mobiliza equipes, atualiza legislações, fortalece parcerias e abre novas perspectivas para o futuro da gestão de resíduos.

Sobre o Instituto Recicleiros

O Instituto Recicleiros é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) com 18 anos de atuação voltada à recuperação de embalagens pós-consumo, inclusão socioprodutiva de catadores e fortalecimento de políticas públicas de gestão de resíduos no Brasil. Por meio do Programa Recicleiros Cidades, apoia municípios na implantação de modelos economicamente viáveis, eficientes e sustentáveis de coleta seletiva.

A Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP) complementa essa atuação, oferecendo formação contínua e ferramentas para que gestores planejem, implementem e consolidem políticas de reciclagem inclusiva em seus territórios.

A Reciclagem Não Tira Férias: quando os dados guiam ação e mobilização

A campanha “A Reciclagem Não Tira Férias” nasceu de uma leitura atenta dos dados coletados pelo Programa Recicleiros Cidades. Em 2024, uma das metas do programa era ampliar a arrecadação de materiais recicláveis nas escolas municipais, de forma a fortalecer o engajamento de alunos, famílias, educadoras e educadores na coleta seletiva.

Durante a análise dos relatórios, um dado chamou atenção: em Cajazeiras (PB), a captação de materiais havia caído de 3,4 toneladas em abril de 2022 para 1,5 tonelada no mesmo período de 2023. Em contrapartida, observou-se um padrão de replicação entre mobilizadores, quando uma equipe iniciava a ação, outras cidades tendiam a acompanhar, mantendo uma média de cerca de 4 toneladas.

As equipes de campo também relataram que muitas escolas realizavam o descarte de materiais escolares sem possibilidade de reutilização, como livros e cadernos. A partir desse cenário, surgiu a pergunta central que orientou a campanha: como potencializar essa destinação e transformar esse momento em uma ação coletiva?

Assim se estruturou a campanha que envolve escolas, comunidades, cooperativas e gestores públicos em uma mobilização ambiental que ultrapassa o ano letivo.

Material arrecadado na campanha em Três Rios/RJ

Duas frentes de trabalho, um objetivo em comum

A campanha foi organizada em duas frentes principais, com estudantes incentivados a realizar o descarte adequado dos materiais usados ao longo do ano e as escolas responsáveis por encaminhar livros, apostilas e itens que não poderiam ser aproveitados no ano seguinte.

Com sugestões das equipes locais, a mobilização foi ampliada para toda a comunidade, por meio da instalação de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) temporários em cooperativas, bibliotecas, secretarias e demais locais de grande circulação.

Ponto de entrega voluntária (PEV) em Serra Talhada/PE

A comunicação priorizou clareza e praticidade, conectando as redes sociais de prefeituras e cooperativas, grupos de responsáveis e bilhetes enviados pelas escolas. As ações resultaram em forte engajamento comunitário, os  moradores passaram a organizar caixas para coleta seletiva, famílias levam materiais aos PEVs e os cooperados são preparados para receber esse aumento no fluxo de resíduos recicláveis.

“A campanha ‘A reciclagem não tira férias’ é de suma importância para cooperativa, porque temos a chance de aumentar a massa devido ao descarte de cadernos e livros usados no ano letivo. No primeiro ano, entrou muito material de algumas escolas que estavam acumulando, demos muita sorte”, diz Daniela Paulino, Presidente da Cooperativa Recicla Guaxupé.

Parte do material arrecadado na campanha em Guaxupé/MG

Leia também:

Mobilização orientada por dados: transformando informação em impacto

Por que a Reciclagem Não Tira Férias, e nem deveria?

Reciclando o Futuro: conheça o projeto Recicleiros de educação ambiental nas escolas municipais

 

Impacto medido em toneladas e em participação

A campanha contou com a adesão de 9 das 12 cidades participantes do Programa Recicleiros Cidades e alcançou 136 toneladas de materiais arrecadados. O destaque ficou para Cajazeiras, que registrou 27,1 toneladas, quase 18 vezes mais que no ano anterior, contudo as outras cidades também revelaram mudanças na rotina da UPMR. 

Esse aumento expressivo de materiais foi comemorado por toda a equipe de triagem e mobilização, destacando a importância e impacto positivo direto que o trabalho cotidiano de uma cooperativa tem na comunidade.

“No primeiro ano, a dúvida sobre a adesão das escolas, pais e alunos deu lugar a uma grande surpresa: o sucesso! O trabalho de mobilização dos cooperados e a colaboração na divulgação de parceiros, o envolvimento de toda a comunidade escolar… a campanha arrecadou uma grande quantidade de livros, apostilas e papéis, muitos guardados há anos. Foi sucesso e fez uma enorme diferença para o trabalho da cooperativa e para o meio ambiente”, comenta Gisele Biléia, Líder Local de Guaxupé.

Um ciclo que se renova

As escolas participantes receberam certificados e a ação ganhou visibilidade nas mídias locais. No ano seguinte, a campanha foi replicada em novas cidades, consolidando-se como prática recorrente dentro do Programa Recicleiros Cidades.

Entrega de certificado pela Recicla Guaxupé à Escola Municipal Coronel Antônio Costa Monteiro.

O avanço da iniciativa demonstra como ações orientadas por dados podem gerar resultados sustentáveis, articulando educação ambiental, gestão de resíduos e participação comunitária. À medida que novos anos letivos se encerram, novas oportunidades de fortalecer essa mobilização continuam surgindo.

Cadeia Ética da Reciclagem: o valor humano por trás do resíduo

No último sábado (15), os diretores fundadores do Instituto Recicleiros, Erich Burger e Rafael Henrique realizaram na COP30 o painel “Cadeia Ética da Reciclagem: o valor humano por trás do resíduo”, que teve como objetivo debater sobre a dimensão humana da reciclagem a partir da conexão entre cidades sustentáveis, justiça climática e economia circular.

O evento fez parte do Festival Coletivo, realizado pela Gael e Menos1Lixo, na Casa Brasil Belém 2025. Os presentes e o público online puderam acompanhar um debate aberto e provocador sobre o real cenário da reciclagem no Brasil e o cumprimento da responsabilidade compartilhada pelos resíduos gerados nas cidades brasileiras. Participaram também da discussão o presidente do Instituto Movimento Eu sou Catador (MESC), Tião Santos, e a presidente da Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis das Águas Lindas  (ARAL) e diretora da Recicla Pará, Sarah Reis.

No painel foi realizada uma constatação incômoda: 15 anos após a Política Nacional de Resíduos Sólidos, quase nada mudou para quem sustenta a reciclagem no Brasil: os catadores. O cenário ainda continua o mesmo, uma parcela significativa dos catadores e catadoras ainda trabalham em lixões ou nas ruas, sem garantias básicas e recebendo menos de meio salário mínimo por um trabalho essencial. Enquanto isso, grande parte das empresas cumpre metas ambientais com base em créditos obtidos às custas de mão de obra sub-remunerada.

Os participantes expuseram o paradoxo central: a reciclagem virou símbolo da economia circular, mas continua operando sobre uma base de trabalho informal, mal pago e invisível.

Alguns pontos críticos do debate:

1. A responsabilidade compartilhada virou desculpa compartilhada.

Prefeituras não estruturam coleta seletiva, empresas sub-remuneram os créditos, cidadãos seguem desinformados e cada elo aponta para o outro.

2. O mercado de créditos virou um mecanismo que “bate meta”, mas não paga dignidade.

Em diversos cenários, a cooperativa é responsável por processar e destinar o material, garantindo a geração dos créditos. No entanto, não recebe pelo serviço prestado, já que o valor de venda do material cobre, no máximo, apenas custos operacionais, como o frete para a destinação final.

3. Infraestrutura sem remuneração não resolve.

Prensa, galpão e caminhão ajudam, mas não fecham a conta quando ninguém paga pelo serviço ambiental prestado. O básico,  salário mínimo, INSS, férias, condições de segurança, simplesmente não chega.

4. O imaginário da reciclagem ainda é romântico.

Há a crença de que o material “paga” o processo. Mas, como provocaram: se o material realmente pagasse a operação, por que nenhuma empresa aceitaria um contrato público de limpeza recebendo apenas o material?

5. Falta coragem para tratar reciclagem como política pública real.

Gestores evitam instituir a taxa de resíduos (prevista em lei), não fiscalizam separação domiciliar e continuam operando com restrição orçamentária e pouco resultado.

6. Sem ética mínima, não existe cadeia circular possível.

Se um crédito de reciclagem é gerado em condições de trabalho indignas, ele é antiético por definição, ainda que cumpra a meta de logística reversa e apareça nos relatórios ESG.

7. Caminho para o futuro: ética como padrão do setor.

O painel propõe um novo marco: um selo de reciclagem ética, garantindo que o material reciclado carregue não só rastreabilidade, mas também respeito ao trabalhador.

8. Educação é necessária, mas não suficiente.

Conscientizar o cidadão é essencial, mas esperar gerações é inviável. O avanço real nos países que reciclam mais veio de fiscalização, regras claras e sanção — não só de campanhas.

Para que a economia circular se consolide de fato, é indispensável que se reconheça com dignidade os trabalhadores da reciclagem e seu papel central na cadeia de valor.

O painel completo pode ser assistido no canal do YouTube do Menos1Lixo.

 

 

 

Mobilização orientada por dados: transformando informação em impacto

Quando falamos em Mobilização, aposto que você pensa logo nas ações feitas nas escolas com as crianças, nas ruas, nas campanhas… e é isso mesmo! Esse é o lado visível, que toca as pessoas. Mas, o que nem todo mundo sabe é que, por trás de tudo isso, existe uma estrutura enorme de dados, planilhas e análises que ajudam o setor a funcionar do jeito certo.

No contexto do Programa Recicleiros Cidades, a Mobilização passou por uma transformação silenciosa, mas profunda. O que antes era apenas o registro manual das tarefas realizadas e a percepção empírica se transformou em um modelo organizado e orientado por dados, onde cada ação é mapeada, analisada e transformada em conhecimento.

Do registro à inteligência

O processo foi gradual. Começamos com planilhas simples com registros que mostravam onde estivemos, quando, com quem e com qual objetivo. Mas, conforme o trabalho crescia, ficou claro que precisávamos enxergar além.

Foi assim que nasceram os dashboards de Mobilização: painéis dinâmicos que reúnem dados de campo, relatórios de eventos, resultados de campanhas e indicadores de impacto, que representaram uma verdadeira virada de chave. Hoje, conseguimos não apenas saber o que foi feito, mas como e por que cada ação gerou determinado resultado.

Dados que contam histórias

Esses números não são frios, eles contam histórias. Mostram o engajamento crescente da comunidade, as campanhas que mais despertam interesse, os territórios que demandam atenção e os resultados das ações de educação ambiental.

Cada ponto no gráfico representa uma ação, com pessoas reais, que se envolveram, participaram e transformaram seu entorno. E é justamente isso que torna a Mobilização do Instituto Recicleiros única: a combinação entre encantamento humano e precisão analítica.

Eficiência com propósito

Com essa estrutura, o planejamento ficou mais estratégico. As equipes conseguem cruzar dados de participação, adesão e engajamento, além de identificar tendências e gargalos.

Os dashboards permitem atuar com agilidade, reforçando o princípio da melhoria contínua, um dos pilares da Mobilização. Agora, cada reunião, campanha e nova ideia nascem sustentadas em evidências. Isso garante que o trabalho em campo seja inspirador, eficiente e mensurável.

É aí que a Mobilização se torna ainda melhor. Quando você consegue enxergar os resultados de forma clara, tudo ganha outro ritmo. As reuniões ficam mais objetivas, as campanhas são pensadas com base no que deu certo (e no que não deu), e o tempo em campo é usado com mais estratégia.

A verdade é que os dashboards viraram uma espécie de bússola. Não substituem o olhar humano, mas dão base a ele. Afinal, mobilizar continua sendo sobre pessoas, conversa e vínculo. A diferença é que agora temos informação estruturada para apoiar cada decisão.

Um futuro orientado por dados e pessoas

A Mobilização segue sendo o ponto de partida das transformações nas cidades. Mas, hoje, é também um espaço de análise, planejamento e aprendizado.

Cada dado registrado é uma semente plantada e cada insight gerado é um passo em direção a comunidades mais engajadas e cooperativas mais fortalecidas.

Porque mobilizar é, sim, sobre pessoas, mas também sobre entender o que os dados nos contam sobre elas para seguir transformando realidades com mais clareza, eficiência e impacto.

A Mobilização segue em crescimento, se reinventando e aprendendo com o que os dados mostram e com o que as pessoas ensinam. Porque é assim que o encantamento e a análise se encontram: um orienta o outro.

Instituto Recicleiros apresenta o Relatório de Impacto Socioambiental 2024

O Instituto Recicleiros lançou a mais nova edição do seu Relatório Anual de Impacto Socioambiental, com os resultados referentes a 2024. 

Em sua terceira edição, o Relatório Recicleiros reforça o compromisso da organização com transparência e inovação e lembra sua missão primordial: fomentar a cultura da reciclagem no Brasil. O material destaca as principais conquistas, os desafios enfrentados ao longo do ano e os resultados alcançados pelas cooperativas de reciclagem que integram o Programa Recicleiros Cidades.

Veja alguns números do Relatório 2024:

  • 978.977 pessoas atendidas com o Programa Recicleiros Cidades;
  • 7.186,98 toneladas de resíduos reciclados em 2024 (18.065,24 toneladas desde o início do programa);
  • 2.136 ações de mobilização social e educação ambiental realizadas.

Muito mais do que um balanço, o relatório é um convite para a reflexão, a fim de inspirar, orientar e engajar os leitores na construção da necessária transformação socioambiental.

O documento, disponível para acesso público, também apresenta as iniciativas do Instituto Recicleiros em sua missão de integrar e dialogar com os diferentes setores da sociedade envolvidos na causa socioambiental – técnicos e gestores públicos, catadoras e catadores de materiais recicláveis, empresas e cidadãos.

Quer conhecer melhor o trabalho do Instituto Recicleiros? Baixe agora o Relatório de Impacto Socioambiental 2024!

Aproveite a leitura!

Novas ferramentas de gestão fortalecem cooperativas de reciclagem incubadas pelo Instituto Recicleiros

O Instituto Recicleiros tem como uma de suas missões transformar a reciclagem no Brasil a partir da inovação. E uma dessas ações é a incubação de cooperativas até a sua emancipação. Nesse caminho, a equipe de Serviços Técnicos apresentou um conjunto de ferramentas de gestão voltadas aos processos produtivos e à manutenção, com foco na melhoria da qualidade, produtividade e padronização nas Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs).

O objetivo vai além de garantir eficiência operacional, é sobre criar um ambiente de evolução constante, onde ajustes de rota, padronização e soluções direcionadas fortalecem o trabalho das catadoras e catadores e ampliam o impacto socioambiental da reciclagem.

De dados a decisões: como a gestão se transforma e melhora

Essas soluções ajudam as cooperativas a sair de um modelo onde os problemas só são tratados quando surgem, para uma atuação preventiva e estratégica. O acompanhamento dos dados se torna um aliado para medir impacto, identificar falhas, corrigir processos e apoiar decisões mais assertivas.

As ferramentas de gestão fortalecem o controle dos processos produtivos e de manutenção, assegurando qualidade, produtividade e padronização nas UPMRs. Elas permitem monitorar dados de forma integrada, orientar as ações junto às cooperativas e propor melhorias contínuas com base em indicadores confiáveis”, explica Renato Sobrinho, Gerente de Serviços Técnicos do Instituto Recicleiros.

Ferramentas que fazem diferença no dia a dia

Conheça as ferramentas para uma gestão eficaz e aprimorada:

  • Controle e validação de dados operacionais: monitoram peso de fardos, volume de materiais processados, calendário de atividades e outras métricas que orientam ajustes imediatos.
  • Registros de estoque: corrigem inconsistências que antes geravam desperdícios de tempo, recursos e eficiência e dificultavam a rastreabilidade.
  • Auditoria de processos por câmeras: permite observar etapas-chave da produção, sempre acompanhadas de orientações práticas para aperfeiçoamento.
  • Matriz de Avaliação de Desempenho: avalia não só processos, mas também a atuação das equipes e coordenadores de produção, onde indicadores viram planos de ação estratégicos.
  • Portal de Serviços Técnicos e Dashboard de Manutenção: centralizam checklists, relatórios, chamados e indicadores de manutenção, o que eleva a sustentabilidade pela dispensa de controles em papel, uma eficiente ferramenta de gestão digital integrada.

Leia também: 

Lançamento: Academia Recicleiros do Catador investe na inclusão e capacitação de profissionais da reciclagem 

Recicleiros cria Protocolos de Manutenção de Máquinas e Equipamentos e de Saúde e Segurança do Trabalho voltada a catadores 

Como essas ferramentas mudam o dia a dia das cooperativas?

Um dos principais pontos é que equipe técnica Recicleiros e cooperativas conseguem caminhar lado a lado. Não é um trabalho que só aparece quando algum problema acontece, os dados ajudam a enxergar sinais antes, permitem agir rápido e evitam impactos maiores no processo. Isso dá mais segurança para quem está na ponta.

Além disso, as soluções chegam de forma direcionada. Cada cooperativa tem sua realidade, seus desafios e sua forma de trabalhar, e é justamente aí que a tecnologia se faz importante para um suporte específico a fim de  aprimorar os processos.

O reflexo disso é um ecossistema de reciclagem de maior qualidade e padronização, mas sem perder a singularidade e potencial de cada lugar. A sustentabilidade se constrói, de fato, nos três eixos: social, ambiental e econômico, pois garante melhor dinâmica de trabalho, cuidado para que o material reciclável seja tratado de forma devida, do começo ao fim do ciclo e retorno financeiro sendo reflexo de todo o processo.

É uma gestão que sai do papel e vira prática. São dados que deixam de ser números apenas e se transformam em decisão, um conhecimento que não fica guardado, mas que se multiplica, tanto dentro das cooperativas quanto no território em que elas estão inseridas.

Pernambuco e Recicleiros firmam novo Termo de Compromisso e lançam modelo inovador de logística reversa com impacto socioambiental

O Governo de Pernambuco e o Instituto Recicleiros assinaram um Termo de Compromisso de Logística Reversa (TCLR) pioneiro, que introduz conceitos transformadores para modernizar a gestão de resíduos no Brasil. O TCLR introduz regras claras para valorizar créditos de logística reversa vinculados à profundidade do impacto socioambiental gerado, oferecendo segurança jurídica e incentivos para empresas que precisam cumprir suas responsabilidades com a logística reversa e contribuir com a agenda socioambiental.

O evento de celebração aconteceu nesta quinta-feira (28), em Recife (PE), com promoção da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas-PE), Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e Instituto Recicleiros e apoio institucional da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (ADEPE), Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) e Câmara Americana de Comércio (AMCHAM) Pernambuco.

O acordo inovador vai além dos modelos tradicionais ao incorporar critérios como adicionalidade, integridade e limitação de responsabilidade, considerados essenciais para o avanço da reciclagem inclusiva. 

Mas, antes de avançar nos conceitos e conquistas, é importante contextualizar de onde surgem essas discussões. As regulamentações de Logística Reversa estão passando por processo de necessária modernização, seja na esfera federal ou estadual. O debate tem se concentrado na constatação de que a Logística Reversa, em dadas situações, tem se distanciado de seu propósito original, conforme estabelecido na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS): ser um instrumento de desenvolvimento econômico e social ao viabilizar a reinserção de resíduos na cadeia produtiva.

Além disso, há uma discussão sobre quais medidas podem ser adotadas para corrigir as distorções que se configuraram ao longo dos anos. Dentro desse contexto, no caso da Logística Reversa de Embalagens Pós-Consumo, Recicleiros propõe uma discussão objetivando pautar a adoção de critérios para determinar as condições em que uma determinada massa de recicláveis pode gerar um crédito legalmente reconhecido; e definir pesos diferenciados para esses créditos no cumprimento das metas quantitativas, levando em conta a dimensão do impacto social e ambiental gerados ao longo da cadeia, bem como sua contribuição para a estruturação da cadeia.

 

Por que o modelo de Pernambuco é inovador?

O novo modelo proposto por Recicleiros em Pernambuco é um marco importante porque busca reconhecer e valorizar projetos estruturantes de reciclagem a partir da:

Adicionalidade: medidas que ampliam a capacidade de reciclagem além da existente, como novas plantas de processamento, melhorias de infraestrutura e capacitação de catadores, além de gerar impactos adicionais em outras dimensões por conta dos ganhos sociais decorrentes do desenvolvimento da política pública, da geração de trabalho e renda, do desenvolvimento da cultura de reciclagem nas comunidades, entre outros;

Integridade: ações que garantem condições mínimas de trabalho digno e segurança aos catadores, como remuneração justa, saúde e segurança no ambiente de trabalho e seguridade social;

Limitação de responsabilidade: dispositivo que protege investidores de riscos sistêmicos ao longo do tempo, o que incentiva aportes em projetos estruturantes e de longo prazo, como massa futura.

Para que o sistema de créditos realmente contribua para a economia circular e não se torne apenas um mecanismo de compensação sem efeito real, adicionalidade e integridade devem ser garantidas. Se os créditos não atenderem a esses dois critérios – integridade e adicionalidade –, há o risco de que o sistema apenas sirva como uma ferramenta de “greenwashing”, sem impacto real na ampliação da logística reversa e no atendimento das metas crescentes de reciclagem.

 

Pesos diferentes para ações que geram benefícios reais

Hoje, o sistema de logística reversa no Brasil valoriza todos os créditos de reciclagem de forma igual, independentemente de sua origem. Isso significa que uma tonelada de material reciclado por meio de cooperativas estruturadas, com catadores formalizados e condições dignas de trabalho, inseridos em sistemas municipais formais, vale o mesmo que uma tonelada proveniente de notas fiscais sem rastreabilidade ou benefício social real. 

“Um crédito de reciclagem que gera emprego digno, desenvolvimento sistêmico e amplia a capacidade do setor não pode valer o mesmo que um mero documento sem comprovação de impacto real”, explica Erich Burger, diretor institucional do Instituto Recicleiros. “Estamos dando um passo importante na modernização dos termos da logística reversa no país e tenho convicção de que esta atitude pioneira de Pernambuco tem potencial para influenciar políticas públicas em outros estados e até mesmo na esfera federal, incentivando investimentos em reciclagem com maior impacto socioambiental”, aposta Burger.

 

Efeito multiplicador de resultados

Um dos grandes trunfos do novo Termo de Compromisso firmado com Pernambuco é o efeito multiplicador, um grande avanço nos resultados de logística reversa. Ao considerar os benefícios da adicionalidade, integridade e a dimensão do impacto de uma atuação sistêmica e estruturante, o Termo reconhece e valoriza a reciclagem de maior impacto socioambiental como forma de incentivar sua ocorrência no estado. Na prática, uma tonelada reciclada em um projeto estruturante gerador de adicionalidade resulta em dois ou até quatro créditos, a depender do escopo do projeto.

Importante: isso não significa que as empresas precisarão reciclar menos, mas sim que investimentos em projetos de maior qualidade serão mais valorizados, criando um incentivo para a reciclagem inclusiva e sustentável.

“Queremos que esse modelo inovador se espalhe pelos quatro cantos do país, porque só assim a reciclagem no Brasil vai crescer de verdade, com bases sólidas, dignidade para os catadores, resultados mensuráveis e satisfatórios para todos os elos envolvidos na cadeia”, encerra o diretor do Instituto Recicleiros.

Mais do que cumprir suas obrigações legais, ao investirem no TCLR as empresas têm a oportunidade de demonstrar seu compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social, contribuir para o desenvolvimento de Pernambuco e participar de uma iniciativa inovadora que está redefinindo o futuro da reciclagem no país.

Empresas que querem se tornar parceiras, entre em contato:
E-mail: reciclamaispe@recicleiros.org.br

WhatsApp: (11) 5198-9432

 

Recicla+Pernambuco

A assinatura do Termo de Compromisso de Logística Reversa vem na esteira do projeto Recicla+Pernambuco, uma iniciativa do Estado, em parceria com Recicleiros, que busca fortalecer a cadeia de reciclagem no estado. O objetivo é fomentar o desenvolvimento de políticas públicas para o aumento dos índices de reciclagem e a inclusão socioprodutiva de catadoras e catadores.

Além de qualificar gestores municipais para o desenvolvimento da política pública de coleta seletiva e reciclagem, a iniciativa vai selecionar quatro municípios ou consórcios para implantação do projeto de coleta seletiva. 

Os investimentos serão destinados para montagem de Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs) completas, campanhas de comunicação para engajamento da população, assessoria técnica para formação socioprofissional dos catadores, capital de giro limitado e, também, apoio técnico de longo prazo para a municipalidade.

 

Termos de Compromisso e Massa Futura

Promover ações inspiradoras e indutoras de políticas públicas de coleta seletiva e reciclagem faz parte da história do Instituto Recicleiros. Anos atrás, outros estados, como São Paulo e Mato Grosso do Sul, assinaram Termos de Compromisso com Recicleiros, por meio da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) e Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL).

Os dois estados, vale lembrar, foram pioneiros na formalização do Termo de Compromisso, uma iniciativa inovadora proposta por Recicleiros para criar um ambiente mais seguro do ponto de vista jurídico e que acabou por alavancar investimentos para ações estruturantes.

Importante lembrar que esses Termos de Compromisso influenciaram a legislação federal e de outros estados no que diz respeito ao reconhecimento do caráter estruturante de sua iniciativa de logística reversa. E, além disso, dos chamados Créditos de Massa Futura hoje disciplinados pelo Decreto Federal nº 11.413/2023.

 

Recicleiros anuncia municípios classificados para próxima fase do Recicla+Pernambuco

O Instituto Recicleiros divulgou a lista dos municípios pernambucanos que avançam para a fase de habilitação do Recicla+Pernambuco, projeto desenvolvido em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha (Semas-PE), para fortalecer a coleta seletiva e a reciclagem inclusiva em Pernambuco.

Processo de qualificação: engajamento e capacitação

Entre abril e julho, 89 municípios se inscreveram para participar da fase de qualificação, que incluiu uma série de atividades para estruturar sistemas de coleta seletiva e reciclagem com inclusão socioprodutiva de catadores. Durante esse período:

  • 168 gestores participaram das 4 Oficinas Presenciais;
  • 177 pessoas estiveram presentes nas 5 Mentorias Técnicas Online;
  • 25 gestores e técnicos concluíram a Trilha de Conhecimento da Academia Recicleiros do Gestor Público;
  • 34 municípios se candidataram para avançar no processo.

Ao final dessa etapa, 18 municípios e 1 consórcio foram classificados para a próxima fase:

Afogados da Ingazeira, Bezerros, Bom Jardim, Buíque, Camaragibe, Ipojuca, Moreno, Ouricuri, Pesqueira, Petrolândia, Salgueiro, São Bento do Una, São Lourenço da Mata, Timbaúba, Toritama, e o consórcio do Cimpajeú, representado pelos municípios de São José do Egito, Betânia e Quixaba.  

Acesse a planilha completa das candidaturas, clique aqui.

Próxima etapa: fase de habilitação

A SIG é patrocinadora semente da Academia Recicleiros do Gestor Público e, graças ao seu apoio foi possível realizar a etapa formativa e instrucional de maneira tão consistente e focada.

Agora, os municípios e consórcios classificados passarão por um processo de habilitação, que inclui consultorias e diagnósticos para estruturar os aspectos legais, orçamentários e institucionais necessários à implantação da coleta seletiva. Essa fase inicia já em 15 de julho.

“A fase de habilitação é crucial para sedimentar a política pública, possibilitando a aplicação dos investimentos estruturantes previstos nos territórios. Nesse período, os municípios indicam a capacidade, o compromisso e o nível de prioridade da municipalidade em avançar com essa agenda. Temos quatro oportunidades, e aqueles que alcançarem as condições em menor tempo terão mais chances de serem contemplados”, explica Cezar Augusto, Gerente do Núcleo de Políticas Públicas do Instituto Recicleiros.

O que o Recicla+Pernambuco oferece?

O projeto selecionará quatro ecossistemas para receber investimentos em:

  • Reformas, máquinas e equipamentos para Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs);
  • Campanhas de comunicação para engajamento da população;
  • Assessoria técnica intensiva e de longo prazo para formação socioprofissional de catadores;
  • Capital de giro limitado;
  • Apoio técnico contínuo para a gestão municipal.

O Recicla+Pernambuco é um marco na construção de políticas públicas sustentáveis, promovendo a reciclagem inclusiva e a valorização dos catadores de materiais recicláveis.

Acompanhe as próximas etapas!

Lançamento: Academia Recicleiros do Catador investe na inclusão e capacitação de profissionais da reciclagem

As catadoras e catadores de materiais recicláveis acabam de ganhar uma ferramenta inovadora para o empoderamento individual e coletivo. Nesta quinta-feira (29), o Instituto Recicleiros lançou a Academia Recicleiros do Catador, plataforma que oferece acesso gratuito a todo o público de catadores e técnicos que atuam no ecossistema da reciclagem no Brasil. A iniciativa nasceu a partir de uma parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, além de SIG, Nestlé, Instituto Heineken e Alcoa Foundation.

O objetivo da Academia do Catador é formar pessoas e promover a mobilidade social desses profissionais a partir do empreendedorismo. Para tanto, desenvolve um processo de formação profunda e transversal, considerando todas as dimensões necessárias para que o negócio dos catadores possa ser bem sucedido. As trilhas de capacitação desenvolvem conhecimento operacional, de segurança, administrativo, liderança, cooperativismo, governança, relacionamento interpessoal, entre outros assuntos técnicos e comportamentais. 

“A Academia é a concretização de um sonho de constituir uma escola que não tratasse apenas de questões produtivas e administrativas, mas considerasse a dimensão humana, olhando para a origem e a história de vida dessas pessoas. A reciclagem, para nós, só é sustentável se for inclusiva e emancipatória”, explica Lusimar Guimarães, gerente do Núcleo de Desenvolvimento do Catador (NDC).

Parceria estratégia com o Ministério do Meio Ambiente

A parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima acontece por meio da assinatura de um Acordo de Cooperação, que envolve o lançamento e o desenvolvimento contínuo da plataforma Academia do Catador. O acordo considera a evolução e a gestão da plataforma pelo Instituto Recicleiros, incluindo suporte técnico e monitoramento. Por parte do Ministério do Meio Ambiente, abrange a colaboração na sugestão de temas, inserção de conteúdos normativos como Logística Reversa, Lei de Incentivo à Reciclagem, Remuneração de Serviços Ambientais, além da promoção da plataforma online. 

A metodologia de formação da Academia Recicleiros do Catador já vem sendo utilizada e constantemente melhorada nas operações do Programa Recicleiros Cidades. São mais de 300 catadores e 40 técnicos facilitadores, em 14 cidades, passando pela formação da Academia. Recicleiros vem sistematizando esse conteúdo há 18 anos de atuação no campo para torná-lo disponível de maneira gratuita para catadores de todo o país.

Com uma jornada intensiva, transversal e de longo prazo, a Academia do Catador busca desenvolver condições ideais para que as pessoas mais vulneráveis da comunidade possam atuar de maneira profissional e altamente eficiente em suas cooperativas, tornando-se elo estratégico e competitivo em um mercado cada vez mais explorado.

“Trabalhava em uma associação de catadores de materiais recicláveis em Guaxupé (MG). Fui treinado e capacitado para fazer a separação de materiais e, depois, fazer a coleta na rua com o caminhão três dias na semana. Mas sem equipamentos de proteção e minha retirada era abaixo de um salário mínimo. Tempos depois, a associação fechou e o Instituto Recicleiros chegou e inaugurou a Recicla Guaxupé, em parceria com a prefeitura. Participei da seleção e fui convidado a fazer parte da cooperativa, que inaugurou em 2020. Passei pela esteira de separação, prensa, pré-triagem e hoje sou coordenador de mobilização. Aqui trabalhamos com EPI´s e recebemos uma remuneração digna. Estou feliz por fazer parte da Recicla Guaxupé e grato a todos que confiam em mim”, conta Carlos Alberto da Cruz Filho, coordenador de mobilização da cooperativa de catadores Recicla Guaxupé.

Erich Burger, Diretor Institucional de Recicleiros e um dos idealizadores da Academia, fala do impacto positivo que a Academia do Catador provoca. 

“Entendemos que a demanda por capacitação de qualidade e aderente à realidade dos catadores vem de todo o Brasil. Com a experiência do Instituto Recicleiros na incubação e profissionalização de catadores, associada à possibilidade de deixar isso acessível e padronizado para quantos catadores tiverem interesse, acreditamos que temos um produto extremamente valioso e gerador de profundo impacto social. É um projeto de longa duração, de melhoria contínua, até que se torne a melhor e mais completa solução para o desenvolvimento profissional dos catadores”, diz Erich Burger. 

Empresas têm papel preponderante na Academia do Catador

Para dar escala à Academia do Catador, Recicleiros conta com o apoio de empresas que acreditam e apoiam essa causa. Tornar tanto o método quanto o conteúdo livres e gratuitos para catadores de todo o Brasil foi o que chamou a atenção e incentivou organizações como SIG, Nestlé, Instituto Heineken e Alcoa Foundation a investirem no programa.

Além disso, a Academia trabalha com a lógica de ‘inovação aberta’, conceito que busca a inovação a partir da criação de parcerias externas com outras pessoas e organizações. Dessa maneira, os investidores têm a oportunidade de contribuir para a construção dos módulos educativos, estudos socioeconômicos e projetos especiais dentro do espectro da Academia do Catador.

“Com o apoio de mais empresas, vamos amplificar este modelo que estrutura, qualifica e emancipa os atores envolvidos nesse segmento da cadeia produtiva, além de gerar conhecimento que é aberto e compartilhado com outras organizações que promovem os catadores. E, por fim, transformar o que alguns ainda chamam de lixo em recursos, trabalho e dignidade, afinal, essa é a nossa missão”, finaliza Lusimar Guimarães.

Evento com painéis de debates

Para celebrar o lançamento da Academia do Catador, o Instituto Recicleiros promoveu um evento com painéis de debate com especialistas e referências do mercado para tratar dos principais temas que impactam o trabalho das cooperativas de reciclagem. O tema central foi “Inclusão Socioprodutiva de Catadores: construindo capacidade na base da cadeia de valor”, que teve quatro painéis ao longo do dia com nomes importantes dos setores público e privado.

O evento pode ser assistido na íntegra no canal do YouTube do Instituto Recicleiros.

Instituto Recicleiros, SIG, Nestlé, Instituto Heineken e Alcoa Foundation promovem evento com debates sobre inclusão socioprodutiva de catadores

O Instituto Recicleiros e patrocinadores da Academia do Catador (SIG, Nestlé, Instituto Heineken e Alcoa Foundation) promovem o evento “Inclusão Socioprodutiva de Catadores: construindo capacidade na base da cadeia de valor”, que acontecerá no dia 29 de maio, em São Paulo (SP), com transmissão ao vivo pelo YouTube (@Recicleiros)

O encontro promoverá debates com representantes do governo e lideranças do setor sobre os principais temas que impactam o trabalho das cooperativas de reciclagem. Além dos debates com especialistas, o evento marca o lançamento oficial da Academia Recicleiros do Catador, uma tecnologia social inovadora para fortalecer cooperativas de reciclagem, que conta com a cooperação técnica do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. 

Veja a Programação Completa: 

9h às 10h30 – Painel 1: Política Nacional de Resíduos Sólidos e o protagonismo dos catadores: avanços, entraves e caminhos futuros na visão do governo federal. 

Adalberto Maluf (Secretário Nacional de Meio Ambiente Urbano e Qualidade Ambiental – MMA/MMAMC) 

Ary Moraes Pereira (Secretário Executivo do CIISC) 

Lucas Ramalho Maciel (Diretor do Departamento de Economia Circular e Resíduos Sólidos – MDIC) 

10h30 às 11h45 – Painel 2: O que ainda limita a inclusão plena dos catadores no sistema de reciclagem. 

Tião Santos (Movimento Eu Sou Catador – MESC)  

Telines Basilio – Carioca (Confederação Nacional de Cooperativas de Trabalho e Produção de Recicláveis – CONATREC) 

Aline Souza (Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis – MNCR) 

Nanci Darcolete (Pimp My Carroça) 

11h45 às 12h15 – Visão Estratégica: Por que fazer com catadores? Eficiência, legalidade e valor compartilhado na cadeia da reciclagem. 

Rafael Henrique, Diretor de Operações do Instituto Recicleiros 

13h30 às 14h45 – Lançamento da Academia Recicleiros do Catador. 

14h45 às 15h15 – Visão Estratégica: Ecossistemas virtuosos como uma necessidade para a reciclagem inclusiva, eficiente e de longo prazo. 

Erich Burger, Diretor Institucional do Instituto Recicleiros 

15h15 às 16h30 – Painel 3: Cadeia ética – integridade e adicionalidade nos resultados de reciclagem. 

Isabella Tioqueta (Coordenadora de Saneamento Ambiental e Economia Circular – SEDEST/PR) 

Ana Luiza Ferreira (Secretária de Meio Ambiente Pernambuco) 

Dr. Juliano de Barros Araújo (Promotor de Justiça do MP-GO) 

Fernando Bernardes (CEO Central de Custódia) 

16h30 às 17h45 – Painel 4: Circularidade com propósito: como empresas líderes podem redefinir a lógica da cadeia de reciclagem.

Isabela De Marchi (Gerente de Sustentabilidade SIG)

Taissara Martins (Head de Sustentabilidade Nestlé Brasil)

Cristiane Tolotti Rossi (Gerente de Economia Circular Braskem)

Serviço: 

Inclusão Socioprodutiva de Catadores: construindo capacidade na base da cadeia de valor. 

Data: 29 de maio. 

Horário: das 9h às 17h45 

Transmissão: Ao vivo pelo YouTube @Recicleiros