Cartografia e políticas públicas: mapas como ferramentas de transformação

A cartografia vai muito além de simplesmente projetar ou desenhar mapas, é uma ferramenta revolucionária que transforma dados complexos em representações visuais que revelam as diferentes nuances de um território. 

O Núcleo de Políticas Públicas Recicleiros (NPP) se utiliza dessa ferramenta para enxergar padrões, conexões e lacunas que antes eram invisíveis no projeto Recicla+Pernambuco. É uma valorização dos dados, pois agora é possível visualizar, de maneira clara e estratégica, a adesão, a cobertura e o impacto do projeto em cada canto do território para consolidar decisões com precisão e inovação.

“Os mapas sempre foram, para nós, ferramentas fundamentais de visualização da capilaridade e do impacto das iniciativas do Programa Recicleiros Cidades, especialmente na seleção dos municípios que integram a plataforma. No Recicla+Pernambuco, com a chegada da geógrafa Camila Guedes ao time, o que antes era uma fotografia estática do território ganhou profundidade analítica e novas camadas de interpretação — sem aumentar a complexidade de uso. Esse avanço representa um ganho expressivo para o projeto, fortalecendo a tomada de decisão e permitindo que os gestores públicos de Pernambuco formulem soluções mais estratégicas, integradas e orientadas por evidências territoriais”, comenta Cezar Augusto, Gerente do NPP.

Enquanto planilhas organizam dados de forma linear, os mapas nos permitem enxergar como esses mesmos dados se manifestam no território, revelando dinâmicas e relações que só se tornam visíveis quando observadas espacialmente.

NPP Recicleiros e o projeto Recicla+Pernambuco

Construir mapas detalhados a partir dos dados do projeto Recicla+Pernambuco representa uma estratégia inovadora que fortalece a área técnica e a atuação do Instituto Recicleiros, além de proporcionar uma comunicação clara e transparente com investidores e parceiros sobre os resultados e abrangência do projeto. 

“A produção cartográfica deste ciclo do Recicla+Pernambuco foi essencial para analisarmos os territórios e compreendermos melhor aspectos como formação dos consórcios, posicionamento geográfico e densidade demográfica dos municípios. Os mapas nos permitiram visualizar de forma clara o impacto regional do projeto, facilitando a tomada de decisão e o diálogo com parceiros institucionais. Além disso, tornaram o diagnóstico mais acessível e estratégico, fortalecendo o planejamento e o monitoramento das ações no estado e do Instituto”, analisa Fábio Augusto, Coordenador de Projetos do NPP.

Mapas que contam histórias

Iremos agora adentrar aos mapas produzidos a partir dos dados da plataforma da Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP). Antes, a autora dos materiais nos traz sua ideia acerca do uso da ferramenta.

“A ideia de construir os mapas surgiu de uma curiosidade: entender o território para além das planilhas. Como geógrafa, eu queria visualizar os dados do Recicla+Pernambuco de uma forma espacial, capaz de revelar padrões e relações que os números sozinhos, distribuídos de forma linear, não mostram. Durante o processo, percebi o quanto a cartografia amplia nossa leitura sobre o projeto. Ela nos permite compreender o espaço como o lugar onde as políticas se concretizam, onde as relações sociais, econômicas e ambientais ganham forma. Pensar a gestão pública com essa visão espacial é fundamental porque é no território que as ações se tornam efetivas e ganham sentido. No fim, ficou ainda mais claro pra mim que tudo o que Recicleiros faz é geografia em prática, só que com outro nome. Cada projeto, cada articulação territorial, é uma forma de planejar e transformar o espaço onde as políticas públicas ganham vida”, revela Camila Guedes, Atendimento da Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP).

Um dos mapas mais expressivos em dados é o da Capilaridade da Formação dos Gestores Públicos Municipais. O levantamento mostrou que houve 89 inscrições de municípios no Edital de Chamamento. Desses, 25 municípios concluíram a plataforma, enquanto outros 25 acessaram a plataforma, mas não a concluíram. Foram esses dados que permitiram analisar a abrangência territorial, comparar proximidade entre municípios e visualizar a participação por mesorregião, revelando que o projeto atendeu diretamente ao que o edital prevê: a promoção da qualificação nas quatro mesorregiões do Estado de Pernambuco, fortalecendo a legitimidade institucional e o compromisso do Instituto com a formação de gestores públicos no território.

O outro mapa intitulado “Distribuição Territorial dos Municípios Classificados no Edital Recicla+Pernambuco” evidencia a organização territorial dos municípios classificados e permite visualizar como os consórcios se articulam no espaço. Foram indicados os municípios participantes de consórcios como Comagsul, Comsul, Comrio e Cimpajeú e revela conexões e proximidades estratégicas entre municípios que apontam para novas possibilidades de cooperação intermunicipal e de otimização logística nas ações do projeto.

Por fim, o mapa comparativo de inscrições analisou o histórico entre editais de 2021 e 2023, e o edital Recicla+Pernambuco. Entre os municípios inscritos, 89 participaram do Recicla+Pernambuco, sendo que 25 desses municípios já haviam participado de outros editais e 12 municípios participaram apenas de editais anteriores. Quando isso é visto no mapa em si, vemos um aumento expressivo da atuação Recicleiros no estado de Pernambuco.  Ao observar o mapa, é possível identificar novas áreas de atuação e perceber uma expansão territorial mais densa, impulsionada pela parceria com o Governo do Estado, que ampliou o engajamento e a adesão de municípios que ainda não haviam participado de iniciativas anteriores.

O valor da cartografia na tomada de decisão

A cartografia aplicada pelo Núcleo de Políticas Públicas Recicleiros organiza informações e transforma dados em conhecimento estratégico. A partir dele, é possível tomar decisões mais embasadas, identificar regiões prioritárias e mensurar impactos de políticas públicas com precisão. 

Em um mundo cada vez mais orientado por dados, os mapas são mais do que ferramentas visuais, são instrumentos de planejamento, análise e transformação territorial.

Texto: Janayna Rodrigues

Recicleiros, Alcoa Foundation e Prefeitura de Juruti juntos pela reciclagem inclusiva

Durante a COP30 que acontece em Belém (PA), o Instituto Recicleiros, a Alcoa Foundation e o município de Juruti, no oeste do Pará, anunciaram uma parceria para fortalecer o ecossistema de reciclagem na cidade.

O projeto prevê investimentos de R$ 2,8 milhões e criará uma nova Unidade de Reciclagem, desenvolverá um Plano Municipal de Coleta Seletiva e oferecerá treinamento técnico e apoio inicial a cooperativas de reciclagem locais, melhorando a eficiência, a segurança e a geração de renda para cerca de 40 catadoras e catadores de materiais recicláveis e suas famílias.

“O projeto Recicleiros demonstra como melhorar a vida das pessoas e proteger o meio ambiente podem andar de mãos dadas”, afirma Erich Burger, Diretor Institucional do Recicleiros. “Com o apoio da Alcoa Foundation, vamos capacitar os catadores de materiais recicláveis locais, fortalecer a infraestrutura de reciclagem e ajudar Juruti a se tornar um modelo de economia circular na Amazônia.”

A parceria é resultado da experiência prática do Instituto Recicleiros por meio do Programa Recicleiros Cidades que incuba, atualmente, 15 cooperativas de catadores de materiais recicláveis nos municípios brasileiros, unindo empresas, gestores públicos, catadores e sociedade. Até setembro último, o Programa Recicleiros Cidades já recuperou 22,5 mil toneladas de materiais, atende 1.013 milhão de pessoas com coleta seletiva na porta e gera 275 postos de trabalho diretos.

“Por meio dessa colaboração, estamos reforçando o compromisso da Alcoa Foundation com o desenvolvimento comunitário sustentável e inclusivo”, disse Caroline Rossignol, presidente da Alcoa Foundation. “Ao apoiar o trabalho de Recicleiros, estamos criando oportunidades reais para as pessoas e, ao mesmo tempo, fortalecendo os sistemas circulares que protegem o planeta.”

O evento, que aconteceu na COP no Espaço ABAL Free Zone (Praça da Bandeira), contou com as presenças de Pâmella De-Cnop, Diretora de assuntos externos e sustentabilidade da Alcoa e Presidente do Instituto Alcoa; Lucidia Batista, Prefeita de Juruti, Gerson Paes, Coordenador de Licenciamento da Mineração na SEMAS; Daniel Santos, Presidente da Alcoa Brasil; e Erich Burger, do Instituto Recicleiros.

Vale lembrar que a Alcoa Foundation apoia a Academia Recicleiros do Catador, uma plataforma de educação online gratuita que oferece treinamento profissional e comportamental para membros de cooperativas em todo o país. O currículo da Academia inclui módulos sobre operações, segurança, liderança, administração e governança, fortalecendo a economia circular do Brasil desde a base.

Instituto Recicleiros apresenta o Relatório de Impacto Socioambiental 2024

O Instituto Recicleiros lançou a mais nova edição do seu Relatório Anual de Impacto Socioambiental, com os resultados referentes a 2024. 

Em sua terceira edição, o Relatório Recicleiros reforça o compromisso da organização com transparência e inovação e lembra sua missão primordial: fomentar a cultura da reciclagem no Brasil. O material destaca as principais conquistas, os desafios enfrentados ao longo do ano e os resultados alcançados pelas cooperativas de reciclagem que integram o Programa Recicleiros Cidades.

Veja alguns números do Relatório 2024:

  • 978.977 pessoas atendidas com o Programa Recicleiros Cidades;
  • 7.186,98 toneladas de resíduos reciclados em 2024 (18.065,24 toneladas desde o início do programa);
  • 2.136 ações de mobilização social e educação ambiental realizadas.

Muito mais do que um balanço, o relatório é um convite para a reflexão, a fim de inspirar, orientar e engajar os leitores na construção da necessária transformação socioambiental.

O documento, disponível para acesso público, também apresenta as iniciativas do Instituto Recicleiros em sua missão de integrar e dialogar com os diferentes setores da sociedade envolvidos na causa socioambiental – técnicos e gestores públicos, catadoras e catadores de materiais recicláveis, empresas e cidadãos.

Quer conhecer melhor o trabalho do Instituto Recicleiros? Baixe agora o Relatório de Impacto Socioambiental 2024!

Aproveite a leitura!

Com apoio de Recicleiros, Simpósio sobre Resíduos Sólidos reuniu sociedade, academia e empresas para discutir cidades inteligentes e sustentáveis

Palestras, debates, conexões e muito conhecimento. Ao longo de quatro dias, diferentes segmentos da sociedade se uniram para a nona edição do Simpósio sobre Resíduos Sólidos (SIRS), uma realização do Núcleo de Estudo e Pesquisa de Resíduos Sólidos (NEPER) da Universidade de São Paulo (USP), com apoio do Instituto Recicleiros e patrocínio da SIG. 

O evento deste ano, um dos mais relevantes do país no tema resíduos sólidos, teve como tema “Cidades Inteligentes e Sustentáveis”, e foi realizado na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP).

Leia também:

Parceria entre Recicleiros e NEPER/USP completa um ano com razões para comemorar

Novas ferramentas de gestão fortalecem cooperativas de reciclagem incubadas pelo Instituto Recicleiros

Recicleiros, NEPER/USP e SIG discutem Cidades Inteligentes e Sustentáveis em Simpósio de Resíduos Sólidos

O Simpósio foi dividido em quatro dias e os seguintes eixos temáticos: 

  • Governança e Políticas Públicas; 
  • Engajamento Social; 
  • Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo;
  • Workshop e Apresentações dos Trabalhos. 

Além das palestras de especialistas e mesas redondas de debates sobre a questão dos resíduos nas cidades, o evento contou com a apresentação de trabalhos acadêmicos desenvolvidos pelos alunos.

Depoimentos dos palestrantes

Destaque para a participação da nossa parceria SIG, representada por Isabela de Marchi, Gerente de Sustentabilidade, que apresentou a “Estratégia de Circularidade SIG: construindo uma cadeia ética de reciclagem”.

“Esse encontro foi extremamente produtivo e reforça a importância de promover o diálogo entre academia, sociedade civil, iniciativa privada e governo. A construção de uma cadeia ética é um grande desafio e só avançará de forma concreta com o engajamento conjunto de todos esses atores. O evento mostrou, na prática, como essa troca é enriquecedora e quantas oportunidades podem surgir para gerar impacto positivo a partir da colaboração”, destacou Isabela.

Para o Instituto Recicleiros, que atua na linha de frente para estruturar a coleta seletiva e reciclagem inclusiva em municípios brasileiros, eventos como esse, que unem diferentes atores da sociedade, são fundamentais.

“Foi muito interessante participar do simpósio realizado pelo NEPER/USP, que exerce um papel fundamental ao fomentar conhecimento técnico e debates qualificados. Tivemos a oportunidade de compreender melhor como diferentes stakeholders e representantes da sociedade podem atuar de forma conjunta: a academia promovendo reflexão e conhecimento, o governo — representado pelo Estado de Pernambuco —, a indústria, os pesquisadores e as organizações da sociedade civil, todos discutindo caminhos para avançar com mais inteligência na gestão de resíduos. Saio bastante satisfeito e animado com os resultados”, afirmou Erich Burger, Diretor Institucional do Instituto Recicleiros.

Já Danilo Nogueira, Gerente Geral de Economia Circular da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha (SEMAS), destacou a qualidade das trocas de conhecimento: “foram trocas super ricas, com conhecimento, pesquisas de ponta, com dados que são importantes para o desenvolvimento de políticas públicas”.

Participação do Instituto Recicleiros e parceiros

A programação do SIRS incluiu palestras, mesas redondas e apresentação de trabalhos técnico-científicos. Foram abordados temas como políticas públicas, economia circular, logística reversa, inclusão de catadores, inovação, tecnologias aplicadas à gestão de resíduos, entre outros.

Veja as participações de Recicleiros e SIG dentro da programação:

1

Tema – Instituto Recicleiros: Núcleo de Políticas Públicas

Palestrante – Erich Burger (Diretor Institucional Instituto Recicleiros)

2

Tema – O projeto Recicla+Pernambuco: coleta seletiva e reciclagem inclusiva para municípios do estado

Palestrantes – Danilo Nogueira (Gerente Geral de Economia Circular – Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha do Estado de Pernambuco) e Erich Burger

3

Tema – Estratégia de Circularidade SIG: construindo uma cadeia ética de reciclagem. 

Palestrante – Isabela de Marchi (Gerente de Sustentabilidade da SIG)

4

Tema – Mesa Redonda sobre Governança e Políticas Públicas 

Participantes –  Danilo Nogueira (Gerente Geral de Economia Circular – Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha do Estado de Pernambuco); Erich Burger (Diretor Institucional Instituto Recicleiros); Isabela de Marchi (Gerente de Sustentabilidade da SIG); e Rafael Rodrigues (Diretor de Operações Instituto Recicleiros)

5

Tema – Apresentação Vox Lab (Laboratório de Pesquisas do Instituto Recicleiros)

Palestrantes – Luciana Ribeiro (Analista de Projetos do Vox Lab do Instituto Recicleiros); e Mônica Alves (Pesquisadora do Vox Lab do Instituto Recicleiros)

6

Tema – Mesa Redonda sobre Engajamento Social

Palestrantes – Luciana Ribeiro (Analista de Projetos do Vox Lab do Instituto Recicleiros); e Mônica Alves (Pesquisadora do Vox Lab do Instituto Recicleiros)

7

Tema – Workshop Academia do Catador: Formação Técnica e Humana 

Palestrantes – Lusimar Guimarães Pereira (Gerente da Academia Recicleiros do Catador); e Monike Vasconcelos Santos Teixeira (Coordenadora de Projetos da Academia Recicleiros do Catador)

O Simpósio de Resíduos Sólidos reforçou que não faltam conhecimento, tecnologia ou vontade. O que precisamos é de conexões – poder público, empresas, catadores e sociedade – e união entre a teoria e a prática. E que cada um de nós pode (e deve) contribuir para buscar soluções para os desafios socioambientais das nossas cidades.

Recicleiros e Governo de Pernambuco lançam projeto de coleta seletiva e reciclagem inclusiva para municípios do estado

O Instituto Recicleiros, em parceria com o Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas-PE), está lançando o projeto Recicla+Pernambuco, que vai transformar a gestão de resíduos sólidos no estado. O evento de lançamento, realizado na terça-feira (15), no Palácio do Campo das Princesas, contou com a participação da governadora Raquel Lyra.

O objetivo do inédito Recicla+Pernambuco é fomentar o desenvolvimento de políticas públicas para o aumento dos índices de reciclagem e a inclusão socioprodutiva de catadoras e catadores. O processo de qualificação de gestores públicos acontecerá por meio da plataforma Academia Recicleiros do Gestor Público e será aberto à participação gratuita dos 184 municípios do estado, mais Fernando de Noronha.

“Estamos levando desenvolvimento a todos os municípios de Pernambuco e isso também passa pela proteção do meio ambiente. Ao firmar esta parceria hoje com o Instituto Recicleiros e lançar o projeto Reciclar+Pernambuco, iremos incentivar nossas cidades a melhorarem a gestão de resíduos sólidos, assegurando melhorias ambientais e também nos índices de saúde municipais. O projeto também vai incluir os catadores de materiais recicláveis, que terão direito a um rendimento digno e outros benefícios. Em Pernambuco, a sustentabilidade caminha de mãos dadas com a justiça social e o cuidado com aqueles que mais precisam”, enfatiza a governadora Raquel Lyra.

Além de qualificar gestores municipais para o desenvolvimento da política pública de coleta seletiva e reciclagem, a iniciativa vai selecionar quatro municípios ou consórcios para implantação do projeto de coleta seletiva. Os investimentos serão destinados para montagem de Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs) completas, campanhas de comunicação para engajamento da população, assessoria técnica para formação socioprofissional dos catadores, capital de giro limitado e, também, apoio técnico de longo prazo para a municipalidade. A duração prevista do projeto é de cinco anos.

Em contrapartida, as cidades deverão se responsabilizar pela regulamentação para criação da política pública de gestão de resíduos sólidos, além dos custos das etapas de coleta, transporte e processamento dos recicláveis. A incubação promovida por Recicleiros poderá beneficiar até cerca de 200 trabalhadores e suas famílias, por meio da geração de trabalho digno e da formação socioprofissional para empreenderem suas cooperativas.

“Esse é um projeto muito inovador e transformador para o estado. Com o Recicla+Pernambuco, oferecemos a oportunidade de todos os 184 municípios e o Arquipélago de Fernando de Noronha serem capacitados por uma instituição de vasta experiência teórica e prática para implantar efetivamente a coleta seletiva em seus territórios. O projeto também abrange a dimensão humana da reciclagem. Milhares de pessoas sobrevivem da coleta, separação e venda de materiais recicláveis no nosso estado. Capacitar e profissionalizar esses trabalhadores é uma ferramenta poderosa de emancipação econômica e social”, ressalta Ana Luiza Ferreira, secretária de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha.

Baseado no conceito de blended finance, o projeto conta com aproximadamente R$ 21 milhões do Governo de Pernambuco e cerca de R$ 9 milhões de recursos complementares a serem captados pelo Instituto Recicleiros. O montante deverá vir de fontes como a logística reversa de embalagens, Lei de Incentivo à Reciclagem e de fundos não reembolsáveis (grants). Empresas e organizações interessadas em investir podem entrar em contato pelo e-mail: contato@recicleiros.org.br.

A SIG, líder no fornecimento de sistemas e soluções para embalagens, é apoiadora do projeto por meio do patrocínio da Academia Recicleiros do Gestor Público e patrocinadora semente Recicleiros. Desde 2018, acredita no programa que implementa e mantém nos municípios brasileiros um sistema de coleta seletiva e reciclagem eficiente e inclusivo.

“O Recicla+Pernambuco traz para o estado uma grande oportunidade de protagonismo e inspiração em relação às políticas de reciclagem e inclusão de catadores. Da forma como o projeto foi estruturado, teremos condições de oferecer suporte técnico qualificado para todos os municípios desenvolverem suas políticas públicas a partir de uma perspectiva de sustentabilidade. Para aqueles que decidirem participar da seletiva para as quatro vagas de implantação, será um caminho abreviado para ter uma operação modelo e economicamente viável”, comenta Erich Burger, Diretor Institucional do Instituto Recicleiros.

Os municípios e consórcios interessados em participar do processo de qualificação e seleção de cidades, devem realizar o cadastro em: https://conteudos.recicleiros.org.br/reciclapernambuco 

Origem do projeto

O Recicla+Pernambuco será realizado com base na experiência de 18 anos do Instituto Recicleiros e do Programa Recicleiros Cidades empreendido por Recicleiros, que incuba, atualmente, 14 sistemas municipais de coleta seletiva com a participação de cooperativas de catadores em onze estados brasileiros, inclusive Serra Talhada (PE). 

O Programa, que tem a SIG como patrocinadora semente, promove uma cadeia ética de reciclagem nos municípios, conectando todos os envolvidos no processo para garantir que a reciclagem seja justa do ponto de vista socioambiental, eficiente, de alto impacto e economicamente viável. Recicleiros oferece às prefeituras conhecimento técnico, parcerias e investimentos para ajudar a implementar a coleta seletiva e reciclagem como uma política pública perene.

Além disso, introduz um novo modelo de centrais de reciclagem: unidades modernas, seguras e eficientes, equipadas com tecnologia avançada e gestão profissional. Essas centrais geram oportunidades de trabalho e capacitação constante para pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica.

Em paralelo, Recicleiros e a cooperativa realizam ações educativas para sensibilizar conscientizar, mobilizar e engajar a população local, incentivando a responsabilidade comunitária compartilhada com o meio ambiente e com as pessoas. Dessa forma, o projeto consolida uma tecnologia socioambiental inspiradora e de sucesso em diversas cidades brasileiras.

Saiba como o Núcleo de Políticas Públicas Recicleiros está transformando a gestão de resíduos no Brasil

A gestão eficiente de resíduos sólidos é um dos maiores desafios enfrentados pelos municípios brasileiros nas últimas décadas. Com leis ambientais mais rígidas e a necessidade urgente de ações sustentáveis para a harmonia do ecossistema do planeta, os gestores públicos precisam de soluções inovadoras e apoio técnico para implementar sistemas eficientes de coleta seletiva e reciclagem inclusiva.

É dentro desse contexto que nasce o Núcleo de Políticas Públicas (NPP) Recicleiros, cujo objetivo é oferecer uma parceria estratégica para capacitar gestores, fortalecer políticas públicas e criar caminhos sólidos para a sustentabilidade da reciclagem no Brasil. O compromisso é construir soluções duradouras, fortalecer a economia circular e ampliar a inclusão socioeconômica das catadoras e dos catadores, os protagonistas da reciclagem.

“A implementação de políticas públicas eficazes para a gestão de resíduos sólidos exige mais do que intenção – requer conhecimento técnico, planejamento estruturado e articulação institucional. Foi com essa visão que estruturamos o NPP, consolidando um modelo que oferece suporte completo aos gestores municipais. Nosso compromisso vai além da qualificação: criamos caminhos regulatórios, viabilizamos infraestrutura e fomentamos parcerias estratégicas para garantir que a coleta seletiva e a reciclagem inclusiva sejam políticas públicas sólidas e permanentes nos municípios brasileiros”, explica Fábio Augusto, Coordenador de Projetos, responsável pelo do eixo de entrada do NPP, Relacionamento e Qualificação de Municípios.

Leia também:

Programa Recicleiros Cidades: conheça a história do jingle que avisa as pessoas que o caminhão da coleta está chegando

Como a reciclagem pode colaborar no combate às mudanças climáticas?

Como Guaxupé (MG) está desbravando a economia circular, a partir de uma parceria entre Delterra e Recicleiros

A trajetória do NPP começou ainda em 2017, com o Edital Cidade+Recicleiros, uma iniciativa pioneira para apoiar municípios na estruturação da coleta seletiva e reciclagem inclusiva. Em 2021, a área deu um salto a partir da criação da Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP), uma plataforma online inovadora que ampliou o alcance de Recicleiros na esfera municipal e, além disso, aprimorou o suporte técnico oferecido.

Agora, em 2025, o NPP se fortaleceu como um pilar estratégico do Instituto Recicleiros, atuando em três frentes principais: qualificação municipal; desenvolvimento do espaço regulatório; e planejamento e instalação de ecossistemas perenes de reciclagem

Soluções que geram resultados para os municípios

O propósito do Núcleo de Políticas Públicas (NPP) Recicleiros é ser agentes de transformação, conectando governos, sociedade civil e setor privado para construir sistemas estruturantes de coleta seletiva e reciclagem que funcionem de verdade.

Para tanto, o NPP está estabelecido em quatro pilares principais de atuação:

Capacitação de Gestores: por meio da Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP), oferece cursos, mentorias e trilhas de conhecimento para preparar agentes públicos na implementação de políticas públicas sólidas de coleta seletiva e reciclagem.

Assessoria Técnica: auxilia na construção do arcabouço regulatório, diagnóstico local e planejamento operacional, garantindo segurança legal e eficiência nas operações.

Implantação de Infraestrutura: coordenação da instalação de Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs) dentro do Programa Recicleiros Cidades, estruturando a cadeia da reciclagem ética e inclusiva.

Articulação de Parcerias: facilitação da conexão entre municípios, cooperativas e empresas, promovendo a economia circular e a inclusão socioprodutiva de catadoras e catadores Brasil afora.

Ao longo dos anos, o NPP vem oferecendo ferramentas reais para transformar a gestão de resíduos no país. Os números mostram a importância da área para os gestores públicos municipais e as suas respectivas cidades:

  • +1.400 agentes municipais capacitados desde 2018;
  • 596 acessos à plataforma ARGP, com gestores de quase todos os estados brasileiros;
  • 18 mentorias técnicas realizadas, beneficiando prefeitos, secretários de meio ambiente e equipes técnicas;
  • 7 Leis Municipais da Coleta Seletiva, 6 Leis Orçamentárias Anuais e 4 Leis de Distribuição da Sacola Plástica implementadas com apoio direto do NPP.

Muito além de um projeto, o Núcleo de Políticas Públicas Recicleiros, que tem a SIG como patrocinadora semente, é um movimento organizado pela gestão inteligente de resíduos no Brasil. Com capacitação, estruturação e parcerias, o NPP acredita que é possível transformar desafios em oportunidades e construir cidades mais limpas, justas e sustentáveis.

Se o seu município quer promover transformações socioambientais significativas, o NPP pode indicar o caminho. Vamos juntos?

Por que o atual sistema de créditos de logística reversa não é capaz de resolver a inviabilidade e precariedade da reciclagem nas cidades brasileiras?

E se eu te disser que atualmente no Brasil são raros os casos de unidades de separação de recicláveis que possuem condições adequadas para um trabalho digno, produtivo e seguro? E se eu te disser que, mesmo nesses raros casos de infraestrutura adequada, o custo de processamento de 1 quilo de material reciclável é pelo menos o dobro do valor de venda desses materiais? E, para piorar, poucas cidades brasileiras têm programas efetivos de coleta seletiva para a população, com infraestrutura e serviços adequados ao bom desempenho dos indicadores?

Essas informações expõem o buraco existente no sistema brasileiro responsável por fazer com que a reciclagem de embalagens e resíduos sólidos urbanos aconteça.

Esse buraco torna o mercado absolutamente desinteressante e faz com que nossos resultados de reciclagem sejam pífios, insuficientes ante a emergência climática que vivemos e se arrastem durante décadas, com o pouco que existe acontecendo porque pessoas à beira da miséria se propõem a fazer esse trabalho enquanto não há nada melhor pra fazer.

Desde a origem e até hoje, a reciclagem no Brasil acontece baseada nesse modelo de miséria, onde quem não tem uma alternativa melhor para viver, acaba se dedicando à realização da primeira e fundamental etapa dessa cadeia, que é a separação primária e preparação dos recicláveis para a indústria.

Sem programas efetivos de coleta seletiva, grande parte do pouco que temos de reciclagem vem de pessoas mexendo no lixo, nas ruas e nos lixões. Quando não, a outra face da moeda mostra trabalhadores desempenhando essa atividade sem infraestrutura adequada e sem material de qualidade, o que acarreta em baixa produtividade por hora trabalhada. Baixa produtividade e preços baixos criam a equação demolidora que resulta no óbvio: pouca reciclagem e alto impacto ambiental.

Imediatamente, a melhor desculpa para a situação é empurrar a culpa para o elo mais fraco, e diante desse cenário, ouvimos em coro: “catadores precisam de capacitação!” Capacitação de operadores é sim muito importante, contanto que tenhamos condições para que esses trabalhadores possam e queiram permanecer nessas operações, e, assim, possam evoluir em capacidade e qualidade.

A alternativa viável para destravar esse cenário é enxergar os gargalos do sistema e atuar sobre eles de maneira coordenada:

  1. Desenvolver a coleta seletiva como política pública nos municípios, para garantir que haja abastecimento qualificado e permanente das unidades de separação de recicláveis;
  2. Investir em infraestrutura adequada e capacitação técnica dos operadores que permita o processamento eficiente dos materiais;
  3. Considerar o pagamento por serviços de separação e processamento prestados como complemento ao valor de comercialização dos materiais para a viabilidade econômica dessas operações.

Pode ser triste a constatação mas é fundamental assumir que o Brasil ainda está na era do investimento estruturante para reciclagem. Não podemos basear o sistema de compliance das empresas geradoras de embalagens em uma máquina de contagem de notas fiscais de comercialização de recicláveis. Nos deixamos seduzir pela velha estratégia dos selos, que ficam lindos nas embalagens, comunicam errado com o público consumidor e atribuem regularidade àqueles que os utilizam, desconsiderando toda a problemática exposta neste texto.

Precisamos de mais capacidade instalada e de melhor qualidade, que proporcione adicionalidade (reciclar mais) com mais segurança, qualidade (reciclar melhor) e perspectiva de crescimento. A portaria do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima nº 1.250 de 13 de dezembro de 2024, traz mais luz a essa realidade, uma vez que regulamenta a Lei de Incentivo à Reciclagem e cria novas oportunidades para financiar projetos que melhorem a infraestrutura, capacitação e inovação tecnológica no setor. Isso significa mais equipamentos, redes de comercialização fortalecidas e programas de educação ambiental.

A arrumação necessária tem como elemento vital os sistemas regulatórios dos estados e da federação. É fundamental jogar luz sobre o tema, reconhecer o que está acontecendo de verdade lá no campo de batalha e criar caminhos para que as ações de compensação das empresas possam gerar mudanças estruturais necessárias e que sejam de verdade atuações circulares. Que a responsabilidade compartilhada seja cumprida integralmente em suas partes, reconhecendo a limitação da atuação de cada ator, mas exigindo a efetividade requerida na parte que lhe cabe. 

Tenho chamado isso de responsabilidade compartilhada e estendida. Empresas e municípios possuem sim limitações para suas ações, por isso as etapas de responsabilidade são compartilhadas e, no âmbito da parte que lhe cabe, sua ação deve ser profunda e abranger a totalidade do encargo, indo até o resultado efetivo.

No arranjo que propomos no Programa Recicleiros Cidades e no próprio modelo de Massa Futura, cidades devem regulamentar e efetivar a coleta seletiva nos seus territórios, sendo responsáveis pelos resultados quantitativos e qualitativos dessa etapa e não somente pela disponibilização do serviço. Dessa forma, ações que apenas a municipalidade pode tomar serão levadas a cabo com foco em quantidade de massa e baixo rejeito, tais como: índice de abrangência e qualidade do serviço de coleta e obrigatoriedade do descarte seletivo por parte de moradores e estabelecimentos comerciais de todos os portes, lançando mão de fiscalização e incentivos.

Do outro lado da responsabilidade, o setor empresarial deve investir no suporte técnico ao município e na viabilização da etapa de processamento e destinação, onde deve-se observar a responsabilidade de implementar infraestrutura adequada aos princípios de trabalho digno e eficiente, além da garantia de compra por preço ético, que viabilize o custo de produção, garantido assim remunerações adequadas ao desenvolvimento virtuoso da base da cadeia da reciclagem.

O fetiche por volume de reciclagem a custos irrisórios está criando uma visão deturpada sobre os elementos necessários para a realidade do Brasil. Governos precisam estar atentos e atuar por isso com visão técnica arrojada.

Só com visão integrada e conhecimento da realidade poderemos canalizar os esforços para o que de fato pode nos levar ao ponto necessário: infraestrutura de qualidade, comprometimento da cadeia de valor e relações comerciais justas.

Esse é o futuro da reciclagem.

Em parceria com Recicleiros e Recicla Campo Largo, So+ma inaugura novo Ponto de Entrega Voluntária (PEV) de recicláveis no Paraná

A So+ma inaugurou recentemente uma nova unidade da Casa So+ma, um Ponto de Entrega Voluntária (PEV) de materiais recicláveis, onde a população pode trocá-los por benefícios. A abertura da unidade em Ferraria, em uma Área de Proteção Ambiental em Campo Largo (PR), reforça a parceria com o Instituto Recicleiros, promovendo benefícios socioambientais para a cidade e para os cooperados da Recicla Campo Largo.

O evento de inauguração contou com a presença do prefeito, Mauricio Rivabem, do secretário de meio ambiente, Thiago Teixeira, da CEO da So+ma, Claudia Pires, da gerente de sustentabilidade da SIG Group na América do Sul, Isabela de Marchi, da presidente da cooperativa Recicla Campo Largo, Daiane Ziebarth, e da líder local do Instituto Recicleiros, Franciele Ortis.

Leia também:

Projeto Hub Recicleiros conecta resíduos com a reciclagem inclusiva

Campanha de reciclagem Separa+ expande ações de conscientização em território do Programa Recicleiros Cidades

Em parceria com a Nestlé, Recicleiros faz pesquisa socioeconômica e de impacto com catadores

Recicla Campo Largo recebe e processa os materiais 

A nova Casa So+ma se junta à unidade já existente no centro da cidade (CIOSP), fortalecendo a política de reciclagem local e incentivando o consumo consciente. Todo o material recebido nos espaços é encaminhado para a cooperativa Recicla Campo Largo, incubada pelo Instituto Recicleiros, conforme Acordo de Cooperação.

“Ao vivenciarmos o aumento da quantidade de material que a cooperativa recebe e recicla, vemos crescer a importância dessa parceria para nós que recebemos, pois é garantia de renda aos cooperados. E o projeto proporciona recebermos material limpo, sem porcentagem de rejeito, o que demonstra conscientização. Esperamos que o volume da unidade na Ferraria seja tão grande como é na unidade do centro”, diz Daiane Ziebarth, presidente da cooperativa Recicla Campo Largo.

Hoje, cerca de 10 toneladas de materiais são recolhidos na Casa So+ma do Centro por mês e, com a abertura do novo espaço, a expectativa é ampliar ainda mais esse volume de recicláveis.

“Nossa empresa é situada na cidade, então muitos funcionários nossos são daqui, e buscamos ser uma empresa de impacto positivo. Colocamos muitas embalagens no mercado, então entendemos como nossa responsabilidade também cuidar desse ciclo, do desafio ambiental. Buscamos uma cadeia que opere de forma ética e sustentável, e quando temos parcerias da sociedade civil, dos governos e da iniciativa privada temos visto que funciona, como esse projeto que é o nosso case de maior sucesso”, diz Isabela De Marchi, gerente de sustentabilidade da SIG Group na América do Sul, patrocinador do projeto Casa So+ma, e patrocinador semente do Instituto Recicleiros.

Na ocasião, o prefeito enalteceu a parceria para a abertura da nova unidade. “Todas as entidades parceiras aqui têm o compromisso de cumprir seu papel, especialmente com a logística reversa. Agradecemos por esse programa – que é um orgulho – pelo incentivo, pelo exemplo que as pessoas precisam, pela geração de emprego, por fechar um ciclo positivo de fomento. Quando a Casa so+ma chegou em Campo Largo lembro das pessoas perguntando: o que é aquela ‘caixa amarela’? E hoje virou cartão postal”. 

Segundo o secretário de Meio Ambiente, Thiago Teixeira, Campo Largo investe, atualmente, cerca de R$ 1 milhão só na coleta de resíduos recicláveis. “Mas é claro que podemos avançar muito mais. E uma das maneiras é com a Casa So+ma, um jeito de estarmos próximos da comunidade, instigando as pessoas a adotarem o hábito da reciclagem, a participarem com frequência. Agradeço aos nossos parceiros pelo desenrolar dessa bela caminhada”, completou.

Durante o evento de inauguração, foi anunciado que, em breve, acontecerá a abertura da terceira unidade da Casa So+ma em Campo Largo, desta vez no Itaqui.

Como funciona o programa So+ma vantagens

O programa So+ma vantagens é gratuito, funciona em um contêiner amarelo onde a população entrega materiais recicláveis e troca por pontos. Esses pontos podem ser trocados por diferentes tipos de benefícios (físicos ou digitais), como cursos profissionalizantes, ingressos para cinema, desconto em compras online de sites parceiros, troca por produtos básicos como mantimentos e itens de higiene pessoal, possibilidade de transferir doações para ONGs locais, entre outros.

Cada Casa So+ma conta com um atendente que auxilia na pesagem dos materiais, bem como computa os pontos. Na Ferraria, a atendente será Suzely Ramos, da cooperativa Recicla Campo Largo.

Fotos: Thiago Ramos de Souza/SIG

Eleições 2024: as propostas Recicleiros para coleta seletiva inclusiva e reciclagem

O Instituto Recicleiros acumula anos de experiência no desenvolvimento de ecossistemas eficientes para coleta seletiva inclusiva e reciclagem nos municípios brasileiros. E, com base nesse conhecimento acumulado, preparou um documento exclusivo com propostas socioambientais para gestão sustentável de resíduos, pensando nas Eleições 2024, que vão eleger prefeitos e vereadores nos quatro cantos do Brasil.

O material inédito “Plano de Governo – Gestão Sustentável de Resíduos em âmbito Municipal” foi desenvolvido a muitas mãos pelo time de especialistas do Instituto Recicleiros. A ideia é nutrir candidatas e candidatos que participarão do processo eleitoral de informações e conhecimentos consistentes que podem ser incorporados aos respectivos planos de governo para uma gestão socioambiental sustentável e inclusiva.

Vale lembrar que a gestão de resíduos é uma responsabilidade direta dos municípios, onde ocorrem ações efetivas de coleta, tratamento e destinação final. Por isso, é crucial que os governantes integrem propostas sólidas e eficazes em seus planos de governo. Na visão Recicleiros, é fundamental tratar a questão dos resíduos sólidos como prioridade nas políticas públicas municipais, não apenas para cumprir a lei, mas também para promover a sustentabilidade ambiental, a saúde pública e a qualidade de vida da população.

Experiência prática e programa estruturado

As sugestões Recicleiros contemplam a experiência de incubação de 14 cooperativas de reciclagem do Programa Recicleiros Cidades, que implanta e promove nos municípios um sistema referência de coleta seletiva e reciclagem. O documento aborda:

  • Planejamento, regulamentação e orçamento municipal. 
  • Estruturação da coleta seletiva no município.
  • Capacitação e inclusão dos catadores nas políticas públicas.
  • Educação ambiental e conscientização da população sobre a importância da reutilização e reciclagem.
  • Parcerias com organizações da sociedade civil e iniciativas privadas.
  • Criação de campanhas de engajamento para promover práticas sustentáveis.

“Nosso compromisso é garantir que os candidatos às eleições de 2024 se tornem agentes de transformação nas suas comunidades”, afirma Cezar Augusto, gerente da Academia Recicleiros do Gestor Público. “A coleta seletiva não é apenas uma questão ambiental, mas uma oportunidade para promover justiça social, gerar emprego e renda, e construir cidades mais resilientes”, acrescenta.

Recicleiros acredita que o equilíbrio do meio ambiente, a coleta seletiva inclusiva e a reciclagem são direitos constitucionais, e devem ser políticas de Estado. Portanto, trabalha ao lado de todos os gestores públicos do Brasil, sempre com a premissa técnica e apartidária.

“Essas sugestões visam não apenas a implementação de um sistema de coleta seletiva eficiente com medidas já testadas e consolidadas ao longo dos últimos anos por Recicleiros em diversas localidades espalhadas pelo Brasil e iniciativas já consolidadas de outras organizações congêneres, mas também a inclusão social, econômica e ambiental, fortalecendo catadoras e catadores de materiais recicláveis e orgânicos compostáveis, promovendo um desenvolvimento sustentável para o município”, finaliza Cezar Augusto.

Para baixar gratuitamente as sugestões do Instituto Recicleiros para Planos de Governo, clique neste link.

Análise: os 14 anos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)

Neste 2 de agosto de 2024, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/2010, completa 14 anos de existência. A PNRS, é bom recordar, estabelece diretrizes importantes para a gestão adequada dos resíduos, incluindo, por exemplo, a obrigatoriedade de todos os municípios elaborarem e implementarem seus Planos de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS). 

No entanto, mais de uma década depois, a Lei ainda não emplacou no Brasil. A maior parte dos municípios brasileiros ainda não cumpre integralmente essas exigências e, sem dúvida, ainda há um longo caminho pela frente para o país avançar nesse tema tão importante (e complexo), que envolve tantos atores nessa cadeia.

Leia também:

Reciclagem no Brasil: incentivos não são suficientes sem engajamento de atores públicos e privados

Recicleiros lança Relatório de Impacto Socioambiental 2023

A importância da gestão pública para o sucesso da reciclagem

Veja abaixo a análise de três especialistas Recicleiros.

“Não dá para negar que a existência de uma Política Nacional de Resíduos Sólidos trouxe diversos temas antes relegados para a mesa de debate. Muito movimento aconteceu desde que passamos a contar com esse marco regulatório. Debates antes inexistentes passaram a existir, mas, muita coisa ficou apenas no debate. Às vezes, quem muito fala, pouco faz. E isso, sem dúvida nenhuma, é um dos pontos marcantes a não ser celebrado neste aniversário de 14 anos.

A expectativa era muito maior, deve-se admitir. Para nós, empreendedores ativistas sociais e ambientais, a perspectiva de uma política como essa trouxe um sopro de esperança para combater mazelas antigas e persistentes como, por exemplo, os criminosos lixões, ou então, as gigantescas montanhas de lixo misturado coletados todos os dias nas cidades brasileiras e que poderiam (e deveriam) estar separados.

Salvo um ou outro movimento interessante que pode ser fisgado nesse oceano de demandas urgentes, muito pouco pode ser celebrado para um país que tem agora quase 15 anos de política específica para combater o lixo, ou os lixos diversos que temos por aí. 

Fazendo um recorte do nosso âmbito de atuação, onde está o resíduo sólido urbano, tudo ainda parece muito incipiente. Nossos casos de sucesso são restritos e limitados. Catadores continuam clamando por jornadas e remunerações dignas e seguem trabalhando em condições precárias e insalubres, mesmo nas principais capitais do país.

Os índices de reciclagem continuam baixos. O mercado continua desprezando o material reciclável e fazendo pouco esforço para garantir sua reintegração às cadeias produtivas. Adesão à coleta seletiva nas cidades ainda parece ser assunto de meia dúzia de abraçadores de árvores. Na vida real, lá na rua, na casa do vizinho, no clube, na escola, na estação, ainda se encontra muito daquele grupo de lixeiras coloridas que na real nada mais são do que cestos de lixo.

O cenário que imagino e gostaria de estar celebrando tem: cidade com política pública efetiva, incentivando a reciclagem de verdade, instituindo mecanismos e penalizando o cidadão que não faz sua parte. Catador trabalhando feliz e melhorando a qualidade de vida de seus familiares por meio da realização do serviço ambiental que prestam. Setor empresarial valorizando materiais e se comprometendo com a circularidade das embalagens para que a reciclagem se torne uma operação economicamente viável. Aterros recebendo só aquilo que não pode ser reciclado e poupando, além dos recursos naturais, os financeiros, que já poderiam estar indo para educação, saúde e cultura.” 

Erich Burger, Diretor Institucional.

“Em 2 de agosto de 2010, finalmente foi assinada a nossa Política Nacional de Resíduos Sólidos, aguardada por muitos e temida por outros, em especial pelas responsabilidades que ali se colocavam. Temos um marco com a definição da destinação adequada dos resíduos e a colocação, de forma clara, mas que teve várias interpretações. 

Desde 1981, pela Política Nacional do Meio Ambiente, os lixões são considerados infração, pois todos temos direito ao meio ambiente limpo e sem poluição. A PNRS exige mais, que os municípios ofereçam a seus munícipes coleta em pelo menos duas frações, os recicláveis secos e os demais resíduos. Chama para a responsabilidade toda a cadeia que gera resíduos sólidos a responder por sua destinação e volta ao ciclo produtivo. 

Assim, se fabricou, transportou, comercializou ou foi beneficiado de alguma forma por um bem de consumo, que gerou resíduo, você, cada um de nós, pessoa física ou jurídica, somos responsáveis por esse resíduo, incluindo rever o nosso consumo, ou a escolha da matéria prima e forma de fabricação dos bens de consumo para gerar um menor impacto.

A logística reversa, com suas metas tímidas, sendo melhoradas no passar dos anos com os novos acordos, vai evoluindo na responsabilização de todos os atores.

A sensação, mesmo após todos esses anos, é que poucas pessoas se sentem realmente responsáveis pelo lixo (resíduos) que gera. Digo isso em todos os setores, tanto a pessoa física, o cidadão comum, as empresas e governo. A maioria das pessoas espera que uma solução milagrosa venha resolver algo que depende, em especial, da atitude que cada um toma em cada dia de sua vida. O Instituto Recicleiros com o seu trabalho ajuda a fazer essa ponte.”

Andréa Portugal, Gerente de Operações.

“A PNRS completa 14 anos, e do ponto de vista pessimista, minha percepção é que avançamos muito pouco se levarmos em conta a quantidade de tempo versus a quantidade de os sistemas municipais de coleta seletiva que de fato operam recuperando 20% do potencial de reciclagem de uma cidade.

Ainda que tenhamos os avanços regulatórios e legais sabemos que a mudança passa pelo executivo municipal e se houver disposição e coragem para inovar na administração pública continuaremos fazendo mais do mesmo e, portanto, colhendo os mesmos resultados.

Mas, são 14 anos e, claro, tivemos avanços. Desde a promulgação da PNRS, outras leis, normas, portarias e sistemas emergiram no sentido de regular a gestão de resíduos sólidos. Diversas iniciativas no Brasil, públicas e privadas, visam fomentar a implementação de sistemas municipais de coleta seletiva e de reciclagem, também a classe de catadores que, em alguma medida, teve seu reconhecimento previsto em legislação e, em alguns casos, quando esse coletivo está organizado, sua atuação no âmbito da execução do serviço público de coleta seletiva e de reciclagem é privilegiada.”

Cezar Augusto, Gerente de Qualificação & Seleção.