Cartografia e políticas públicas: mapas como ferramentas de transformação

A cartografia vai muito além de simplesmente projetar ou desenhar mapas, é uma ferramenta revolucionária que transforma dados complexos em representações visuais que revelam as diferentes nuances de um território. 

O Núcleo de Políticas Públicas Recicleiros (NPP) se utiliza dessa ferramenta para enxergar padrões, conexões e lacunas que antes eram invisíveis no projeto Recicla+Pernambuco. É uma valorização dos dados, pois agora é possível visualizar, de maneira clara e estratégica, a adesão, a cobertura e o impacto do projeto em cada canto do território para consolidar decisões com precisão e inovação.

“Os mapas sempre foram, para nós, ferramentas fundamentais de visualização da capilaridade e do impacto das iniciativas do Programa Recicleiros Cidades, especialmente na seleção dos municípios que integram a plataforma. No Recicla+Pernambuco, com a chegada da geógrafa Camila Guedes ao time, o que antes era uma fotografia estática do território ganhou profundidade analítica e novas camadas de interpretação — sem aumentar a complexidade de uso. Esse avanço representa um ganho expressivo para o projeto, fortalecendo a tomada de decisão e permitindo que os gestores públicos de Pernambuco formulem soluções mais estratégicas, integradas e orientadas por evidências territoriais”, comenta Cezar Augusto, Gerente do NPP.

Enquanto planilhas organizam dados de forma linear, os mapas nos permitem enxergar como esses mesmos dados se manifestam no território, revelando dinâmicas e relações que só se tornam visíveis quando observadas espacialmente.

NPP Recicleiros e o projeto Recicla+Pernambuco

Construir mapas detalhados a partir dos dados do projeto Recicla+Pernambuco representa uma estratégia inovadora que fortalece a área técnica e a atuação do Instituto Recicleiros, além de proporcionar uma comunicação clara e transparente com investidores e parceiros sobre os resultados e abrangência do projeto. 

“A produção cartográfica deste ciclo do Recicla+Pernambuco foi essencial para analisarmos os territórios e compreendermos melhor aspectos como formação dos consórcios, posicionamento geográfico e densidade demográfica dos municípios. Os mapas nos permitiram visualizar de forma clara o impacto regional do projeto, facilitando a tomada de decisão e o diálogo com parceiros institucionais. Além disso, tornaram o diagnóstico mais acessível e estratégico, fortalecendo o planejamento e o monitoramento das ações no estado e do Instituto”, analisa Fábio Augusto, Coordenador de Projetos do NPP.

Mapas que contam histórias

Iremos agora adentrar aos mapas produzidos a partir dos dados da plataforma da Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP). Antes, a autora dos materiais nos traz sua ideia acerca do uso da ferramenta.

“A ideia de construir os mapas surgiu de uma curiosidade: entender o território para além das planilhas. Como geógrafa, eu queria visualizar os dados do Recicla+Pernambuco de uma forma espacial, capaz de revelar padrões e relações que os números sozinhos, distribuídos de forma linear, não mostram. Durante o processo, percebi o quanto a cartografia amplia nossa leitura sobre o projeto. Ela nos permite compreender o espaço como o lugar onde as políticas se concretizam, onde as relações sociais, econômicas e ambientais ganham forma. Pensar a gestão pública com essa visão espacial é fundamental porque é no território que as ações se tornam efetivas e ganham sentido. No fim, ficou ainda mais claro pra mim que tudo o que Recicleiros faz é geografia em prática, só que com outro nome. Cada projeto, cada articulação territorial, é uma forma de planejar e transformar o espaço onde as políticas públicas ganham vida”, revela Camila Guedes, Atendimento da Academia Recicleiros do Gestor Público (ARGP).

Um dos mapas mais expressivos em dados é o da Capilaridade da Formação dos Gestores Públicos Municipais. O levantamento mostrou que houve 89 inscrições de municípios no Edital de Chamamento. Desses, 25 municípios concluíram a plataforma, enquanto outros 25 acessaram a plataforma, mas não a concluíram. Foram esses dados que permitiram analisar a abrangência territorial, comparar proximidade entre municípios e visualizar a participação por mesorregião, revelando que o projeto atendeu diretamente ao que o edital prevê: a promoção da qualificação nas quatro mesorregiões do Estado de Pernambuco, fortalecendo a legitimidade institucional e o compromisso do Instituto com a formação de gestores públicos no território.

O outro mapa intitulado “Distribuição Territorial dos Municípios Classificados no Edital Recicla+Pernambuco” evidencia a organização territorial dos municípios classificados e permite visualizar como os consórcios se articulam no espaço. Foram indicados os municípios participantes de consórcios como Comagsul, Comsul, Comrio e Cimpajeú e revela conexões e proximidades estratégicas entre municípios que apontam para novas possibilidades de cooperação intermunicipal e de otimização logística nas ações do projeto.

Por fim, o mapa comparativo de inscrições analisou o histórico entre editais de 2021 e 2023, e o edital Recicla+Pernambuco. Entre os municípios inscritos, 89 participaram do Recicla+Pernambuco, sendo que 25 desses municípios já haviam participado de outros editais e 12 municípios participaram apenas de editais anteriores. Quando isso é visto no mapa em si, vemos um aumento expressivo da atuação Recicleiros no estado de Pernambuco.  Ao observar o mapa, é possível identificar novas áreas de atuação e perceber uma expansão territorial mais densa, impulsionada pela parceria com o Governo do Estado, que ampliou o engajamento e a adesão de municípios que ainda não haviam participado de iniciativas anteriores.

O valor da cartografia na tomada de decisão

A cartografia aplicada pelo Núcleo de Políticas Públicas Recicleiros organiza informações e transforma dados em conhecimento estratégico. A partir dele, é possível tomar decisões mais embasadas, identificar regiões prioritárias e mensurar impactos de políticas públicas com precisão. 

Em um mundo cada vez mais orientado por dados, os mapas são mais do que ferramentas visuais, são instrumentos de planejamento, análise e transformação territorial.

Texto: Janayna Rodrigues

Recicleiros, Alcoa Foundation e Prefeitura de Juruti juntos pela reciclagem inclusiva

Durante a COP30 que acontece em Belém (PA), o Instituto Recicleiros, a Alcoa Foundation e o município de Juruti, no oeste do Pará, anunciaram uma parceria para fortalecer o ecossistema de reciclagem na cidade.

O projeto prevê investimentos de R$ 2,8 milhões e criará uma nova Unidade de Reciclagem, desenvolverá um Plano Municipal de Coleta Seletiva e oferecerá treinamento técnico e apoio inicial a cooperativas de reciclagem locais, melhorando a eficiência, a segurança e a geração de renda para cerca de 40 catadoras e catadores de materiais recicláveis e suas famílias.

“O projeto Recicleiros demonstra como melhorar a vida das pessoas e proteger o meio ambiente podem andar de mãos dadas”, afirma Erich Burger, Diretor Institucional do Recicleiros. “Com o apoio da Alcoa Foundation, vamos capacitar os catadores de materiais recicláveis locais, fortalecer a infraestrutura de reciclagem e ajudar Juruti a se tornar um modelo de economia circular na Amazônia.”

A parceria é resultado da experiência prática do Instituto Recicleiros por meio do Programa Recicleiros Cidades que incuba, atualmente, 15 cooperativas de catadores de materiais recicláveis nos municípios brasileiros, unindo empresas, gestores públicos, catadores e sociedade. Até setembro último, o Programa Recicleiros Cidades já recuperou 22,5 mil toneladas de materiais, atende 1.013 milhão de pessoas com coleta seletiva na porta e gera 275 postos de trabalho diretos.

“Por meio dessa colaboração, estamos reforçando o compromisso da Alcoa Foundation com o desenvolvimento comunitário sustentável e inclusivo”, disse Caroline Rossignol, presidente da Alcoa Foundation. “Ao apoiar o trabalho de Recicleiros, estamos criando oportunidades reais para as pessoas e, ao mesmo tempo, fortalecendo os sistemas circulares que protegem o planeta.”

O evento, que aconteceu na COP no Espaço ABAL Free Zone (Praça da Bandeira), contou com as presenças de Pâmella De-Cnop, Diretora de assuntos externos e sustentabilidade da Alcoa e Presidente do Instituto Alcoa; Lucidia Batista, Prefeita de Juruti, Gerson Paes, Coordenador de Licenciamento da Mineração na SEMAS; Daniel Santos, Presidente da Alcoa Brasil; e Erich Burger, do Instituto Recicleiros.

Vale lembrar que a Alcoa Foundation apoia a Academia Recicleiros do Catador, uma plataforma de educação online gratuita que oferece treinamento profissional e comportamental para membros de cooperativas em todo o país. O currículo da Academia inclui módulos sobre operações, segurança, liderança, administração e governança, fortalecendo a economia circular do Brasil desde a base.

Instituto Recicleiros apresenta o Relatório de Impacto Socioambiental 2024

O Instituto Recicleiros lançou a mais nova edição do seu Relatório Anual de Impacto Socioambiental, com os resultados referentes a 2024. 

Em sua terceira edição, o Relatório Recicleiros reforça o compromisso da organização com transparência e inovação e lembra sua missão primordial: fomentar a cultura da reciclagem no Brasil. O material destaca as principais conquistas, os desafios enfrentados ao longo do ano e os resultados alcançados pelas cooperativas de reciclagem que integram o Programa Recicleiros Cidades.

Veja alguns números do Relatório 2024:

  • 978.977 pessoas atendidas com o Programa Recicleiros Cidades;
  • 7.186,98 toneladas de resíduos reciclados em 2024 (18.065,24 toneladas desde o início do programa);
  • 2.136 ações de mobilização social e educação ambiental realizadas.

Muito mais do que um balanço, o relatório é um convite para a reflexão, a fim de inspirar, orientar e engajar os leitores na construção da necessária transformação socioambiental.

O documento, disponível para acesso público, também apresenta as iniciativas do Instituto Recicleiros em sua missão de integrar e dialogar com os diferentes setores da sociedade envolvidos na causa socioambiental – técnicos e gestores públicos, catadoras e catadores de materiais recicláveis, empresas e cidadãos.

Quer conhecer melhor o trabalho do Instituto Recicleiros? Baixe agora o Relatório de Impacto Socioambiental 2024!

Aproveite a leitura!

MPMS desenvolve Nota Técnica que orienta a contratação de organizações de catadores por prefeituras

O Ministério Público do Mato Grosso do Sul lançou uma Nota Técnica orientativa para gestores públicos sobre a contratação de cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis.

A Nota Técnica destaca que a contratação pelo poder público deve ser a principal fonte de receita para cooperativas e associações. Além disso, o documento apresenta outras cinco alternativas que podem garantir a sustentabilidade econômica dessas organizações:

  • Contratação pelo poder público (prioritária);
  • Venda do material;
  • Créditos de logística reversa;
  • Serviços a grandes geradores;
  • Pagamento por serviços ambientais;
  • Créditos de carbono.

“O documento nasce da necessidade de enfrentar os desafios da destinação ambientalmente adequada dos resíduos e da valorização do trabalho das associações e cooperativas de catadores, historicamente responsáveis pela coleta, triagem e comercialização de recicláveis no país. Trata-se de um instrumento que visa assegurar o cumprimento dos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, do trabalho, da função socioambiental das políticas públicas e da inclusão social”, afirma Luciano Loubet, Promotor de Justiça – Coordenador do Núcleo Ambiental de apoio ao Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente (CAOMA).

Recicleiros presente na iniciativa do MPMS

O Instituto Recicleiros participou desse processo com apoio técnico na elaboração do documento e fornecimento de dados, estudos e experiências acumuladas pelo Programa Recicleiros Cidades.

“Essa medida é muito importante na medida em que o valor de venda dos materiais historicamente não tem sido suficiente para garantir as premissas mínimas de dignidade, respeito aos direitos humanos e princípios da organização internacional do trabalho. A Nota vem como uma forma de reforçar que essa atividade seja reconhecida como um serviço que deve ser prestado para toda população pelas administrações públicas, independentemente da presença de investimentos de logística reversa e protegido da influência que o preço da matéria-prima virgem tem sobre o mercado de recicláveis pós-consumo”, comenta Rafael Henrique, Diretor de Operações do Instituto Recicleiros. 

“Entretanto, é preciso ficar claro que essa alternativa não exime de responsabilidade o setor empresarial que tem por obrigação contribuir para viabilizar a estruturação e a operacionalização desses sistemas na medida que eles também servem ao cumprimento de suas obrigações legais quanto às embalagens que colocam no mercado”, completa.

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Essa contribuição reafirma a missão do Instituto Recicleiros de fortalecer políticas públicas que promovem a sustentabilidade econômica e a inclusão socioprodutiva de catadores em todo o Brasil.

Veja a notícia e acesse a Nota Técnica completa

Parecer jurídico sobre a contratação direta

Na esteira da Nota Técnica, o corpo jurídico do Instituto Recicleiros elaborou um parecer técnico-jurídico a respeito da contratação direta de cooperativas de catadores de materiais recicláveis por município. O parecer está disponível aqui.

“O parecer jurídico visa a auxiliar as municipalidades para contratação direta de cooperativas de catadores por meio de dispensa de licitação que, além de atender o princípio da economicidade processual, poupando a Administração Pública de burocracias para contratação do serviço de coleta, processamento e destinação dos resíduos recicláveis, também traz justiça social para uma parcela vulnerável da população, com renda digna, segurança, saúde, que também são direitos constitucionais básicos”, diz Bruno Segantini, Coordenador Jurídico do Instituto Recicleiros.

Esse documento oferece respaldo técnico e jurídico para que gestores públicos adotem um modelo de contratação mais ágil, inclusivo e alinhado aos princípios constitucionais.

Vale lembrar que os gestores públicos de todo o Brasil que desejam apoio para cumprir a lei e implementar um sistema eficiente de coleta seletiva e reciclagem inclusiva podem solicitar acesso gratuito à Academia Recicleiros do Gestor Público.

Com apoio de Recicleiros, Simpósio sobre Resíduos Sólidos reuniu sociedade, academia e empresas para discutir cidades inteligentes e sustentáveis

Palestras, debates, conexões e muito conhecimento. Ao longo de quatro dias, diferentes segmentos da sociedade se uniram para a nona edição do Simpósio sobre Resíduos Sólidos (SIRS), uma realização do Núcleo de Estudo e Pesquisa de Resíduos Sólidos (NEPER) da Universidade de São Paulo (USP), com apoio do Instituto Recicleiros e patrocínio da SIG. 

O evento deste ano, um dos mais relevantes do país no tema resíduos sólidos, teve como tema “Cidades Inteligentes e Sustentáveis”, e foi realizado na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP).

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O Simpósio foi dividido em quatro dias e os seguintes eixos temáticos: 

  • Governança e Políticas Públicas; 
  • Engajamento Social; 
  • Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo;
  • Workshop e Apresentações dos Trabalhos. 

Além das palestras de especialistas e mesas redondas de debates sobre a questão dos resíduos nas cidades, o evento contou com a apresentação de trabalhos acadêmicos desenvolvidos pelos alunos.

Depoimentos dos palestrantes

Destaque para a participação da nossa parceria SIG, representada por Isabela de Marchi, Gerente de Sustentabilidade, que apresentou a “Estratégia de Circularidade SIG: construindo uma cadeia ética de reciclagem”.

“Esse encontro foi extremamente produtivo e reforça a importância de promover o diálogo entre academia, sociedade civil, iniciativa privada e governo. A construção de uma cadeia ética é um grande desafio e só avançará de forma concreta com o engajamento conjunto de todos esses atores. O evento mostrou, na prática, como essa troca é enriquecedora e quantas oportunidades podem surgir para gerar impacto positivo a partir da colaboração”, destacou Isabela.

Para o Instituto Recicleiros, que atua na linha de frente para estruturar a coleta seletiva e reciclagem inclusiva em municípios brasileiros, eventos como esse, que unem diferentes atores da sociedade, são fundamentais.

“Foi muito interessante participar do simpósio realizado pelo NEPER/USP, que exerce um papel fundamental ao fomentar conhecimento técnico e debates qualificados. Tivemos a oportunidade de compreender melhor como diferentes stakeholders e representantes da sociedade podem atuar de forma conjunta: a academia promovendo reflexão e conhecimento, o governo — representado pelo Estado de Pernambuco —, a indústria, os pesquisadores e as organizações da sociedade civil, todos discutindo caminhos para avançar com mais inteligência na gestão de resíduos. Saio bastante satisfeito e animado com os resultados”, afirmou Erich Burger, Diretor Institucional do Instituto Recicleiros.

Já Danilo Nogueira, Gerente Geral de Economia Circular da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha (SEMAS), destacou a qualidade das trocas de conhecimento: “foram trocas super ricas, com conhecimento, pesquisas de ponta, com dados que são importantes para o desenvolvimento de políticas públicas”.

Participação do Instituto Recicleiros e parceiros

A programação do SIRS incluiu palestras, mesas redondas e apresentação de trabalhos técnico-científicos. Foram abordados temas como políticas públicas, economia circular, logística reversa, inclusão de catadores, inovação, tecnologias aplicadas à gestão de resíduos, entre outros.

Veja as participações de Recicleiros e SIG dentro da programação:

1

Tema – Instituto Recicleiros: Núcleo de Políticas Públicas

Palestrante – Erich Burger (Diretor Institucional Instituto Recicleiros)

2

Tema – O projeto Recicla+Pernambuco: coleta seletiva e reciclagem inclusiva para municípios do estado

Palestrantes – Danilo Nogueira (Gerente Geral de Economia Circular – Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha do Estado de Pernambuco) e Erich Burger

3

Tema – Estratégia de Circularidade SIG: construindo uma cadeia ética de reciclagem. 

Palestrante – Isabela de Marchi (Gerente de Sustentabilidade da SIG)

4

Tema – Mesa Redonda sobre Governança e Políticas Públicas 

Participantes –  Danilo Nogueira (Gerente Geral de Economia Circular – Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha do Estado de Pernambuco); Erich Burger (Diretor Institucional Instituto Recicleiros); Isabela de Marchi (Gerente de Sustentabilidade da SIG); e Rafael Rodrigues (Diretor de Operações Instituto Recicleiros)

5

Tema – Apresentação Vox Lab (Laboratório de Pesquisas do Instituto Recicleiros)

Palestrantes – Luciana Ribeiro (Analista de Projetos do Vox Lab do Instituto Recicleiros); e Mônica Alves (Pesquisadora do Vox Lab do Instituto Recicleiros)

6

Tema – Mesa Redonda sobre Engajamento Social

Palestrantes – Luciana Ribeiro (Analista de Projetos do Vox Lab do Instituto Recicleiros); e Mônica Alves (Pesquisadora do Vox Lab do Instituto Recicleiros)

7

Tema – Workshop Academia do Catador: Formação Técnica e Humana 

Palestrantes – Lusimar Guimarães Pereira (Gerente da Academia Recicleiros do Catador); e Monike Vasconcelos Santos Teixeira (Coordenadora de Projetos da Academia Recicleiros do Catador)

O Simpósio de Resíduos Sólidos reforçou que não faltam conhecimento, tecnologia ou vontade. O que precisamos é de conexões – poder público, empresas, catadores e sociedade – e união entre a teoria e a prática. E que cada um de nós pode (e deve) contribuir para buscar soluções para os desafios socioambientais das nossas cidades.

Ministério do Meio Ambiente habilita Recicleiros como entidade gestora de logística reversa

O Instituto Recicleiros foi habilitado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) como entidade gestora de sistemas de logística reversa de embalagens em geral, em âmbito nacional. As entidades gestoras são pessoas jurídicas responsáveis por estruturar, implementar e operar sistemas de logística reversa de produtos e embalagens em modelo coletivo. A Portaria Nº 1.469, assinada pela Ministra Marina Silva, foi publicada no Diário Oficial da União neste mês de setembro.

A publicação reconhece oficialmente o trabalho desenvolvido pelo Instituto Recicleiros ao longo dos anos por meio do Programa Recicleiros Cidades, e reforça o compromisso da organização com a regulamentação existente. Entre os requisitos desse processo de habilitação estão a atuação nacional, além da experiência e a capacidade técnica reconhecida. Hoje, de acordo com o SINIR, existem 13 entidades gestoras habilitadas pelo Ministério.

“Acreditamos que o mercado criado pela obrigatoriedade da logística reversa pode ser viabilizador da transformação estrutural necessária para fomentar a economia circular. Desempenhar o papel de entidade gestora se torna necessário para que possamos operar e comprovar esses mecanismos de impacto inovadores. Portanto, estamos felizes com a homologação”, diz Erich Burger, Diretor Institucional do Instituto Recicleiros.

O Programa Recicleiros Cidades, até o momento, já recuperou 22,5 mil toneladas de materiais, atende 1.013 milhão de pessoas com coleta seletiva na porta e gera 275 postos de trabalho diretos.

Confira a Portaria n°1469 em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/mma-n-1.469-de-11-de-setembro-de-2025-655172752

Parceria entre Recicleiros e NEPER/USP completa um ano com razões para comemorar

Há um ano, o Instituto Recicleiros e o NEPER/USP – Núcleo de Estudo e Pesquisa em Resíduos Sólidos da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) – anunciaram uma parceria inédita. O objetivo central era unir o conhecimento técnico e prático de Recicleiros no campo da reciclagem inclusiva com o rigor acadêmico e a produção de conhecimento científico de uma das universidades mais conceituadas e respeitadas da América Latina.

À época, falou-se da união entre teoria e prática e na proposta de gerar um legado positivo para a sociedade brasileira. Agora, 12 meses após a assinatura do acordo, o sentimento é de celebração por tudo o que se realizou até aqui e, também, pelas perspectivas que a união entre academia e terceiro setor ainda podem gerar.

A cooperação previa uma série de ações benéficas para o todo, entre elas a elaboração conjunta de projetos de pesquisa; organização de eventos científicos e técnicos; intercâmbio de informações e publicações; e levantamento de estudos de casos a partir da realidade vivida por Recicleiros.

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Cooperativas incubadas por Recicleiros são referência em estudos de gravimetria

Desde o início, a interação com o NEPER foi vista como um impulso fundamental para o Vox Lab, o laboratório de pesquisas de Recicleiros, que, entre suas ações, busca entender os fatores que influenciam a população no que diz respeito à reciclagem. O Vox Lab, vale lembrar, conta com o fomento da SIG para os projetos de pesquisa.

“Durante o Simpósio de Resíduos Sólidos, realizado pelo NEPER/USP com apoio do Instituto Recicleiros, apresentamos a nossa pesquisa que vem sendo realizada há dois anos com o propósito de traçar o perfil das pessoas que reciclam, das pessoas que não reciclam e conhecer um pouco mais os motivadores que fazem as pessoas engajarem ou não na coleta seletiva. Apresentamos esses dados para a comunidade acadêmica e para os participantes do Simpósio e foi muito positivo esse momento de troca. Essa é a essência do Vox Lab, produzir dados, compartilhar com a academia e fazer uma pesquisa aplicada que mude realidades e que sejam dados para tomadas de decisão”, comemora Mônica Alves, Pesquisadora do Instituto Recicleiros.

Para Recicleiros, a consolidação desse trabalho é a materialização de um dos pilares do Vox Lab. “O Vox Lab surgiu para consolidar o que já fazia parte do DNA do Instituto Recicleiros, que é criar e compartilhar conhecimento. Então, chegar a esse ponto de ter uma troca com a Academia, como no Simpósio de Resíduos Sólidos, além de outros profissionais da área, trocar olhares e receber ideias é muito valioso para nós. É muito satisfatório saber que chegamos até aqui em pouco tempo e com certeza a gente tem muito mais a contribuir e acrescentar”, comenta Luciana Ribeiro, Analista de Projetos que integra o time de Pesquisa do Instituto Recicleiros.

Do lado do NEPER, a avaliação é que a parceria tem gerado bons resultados, a partir de uma via de mão dupla, onde o conhecimento e a pesquisa transitam sem reservas.

“O balanço desse um ano de parceria é muito positivo. Na universidade pública, a gente está interessado em formar quadros qualificados, produzir conhecimento de qualidade e ser um indutor de mudanças na sociedade para além dos muros da universidade e entendo que a parceria com o Instituto Recicleiros atingiu todos esses objetivos. Temos pesquisas de pós-graduação sendo feitas, artigos científicos sendo elaborados e levamos o conhecimento da universidade para o Instituto Recicleiros, que é o agente dessa mudança. A parceria traz conhecimento técnico e análise rigorosa nos dados, então foi muito positivo esse primeiro ano”, avalia Guilherme Oliveira, professor doutor e vice-coordenador do NEPER.

“Nesse ano de parceria, destaco a importância da disponibilidade de dados para pesquisa. Sou uma das pós-graduandas que desenvolve pesquisa junto com o Instituto Recicleiros e, dentro da área de resíduos, assim como em toda a área acadêmica, é necessário o acesso aos dados com possibilidade de publicidade. Durante esse ano, conseguimos desenvolver três projetos de mestrado com essa possibilidade de parceria e diálogo aberto entre o Instituto Recicleiros e a universidade”, revela Ana Teresa Sousa, mestranda na EESC-USP e integrante do NEPER.

O primeiro ano foi de semeadura, mas também de colheita. Os próximos devem ampliar ainda mais o impacto positivo desse ciclo virtuoso de gerar conhecimento com rigor acadêmico, que retorna para a sociedade na forma de métodos aplicáveis e replicáveis e deixa um legado importante para a gestão de resíduos sólidos no Brasil.

Novas ferramentas de gestão fortalecem cooperativas de reciclagem incubadas pelo Instituto Recicleiros

O Instituto Recicleiros tem como uma de suas missões transformar a reciclagem no Brasil a partir da inovação. E uma dessas ações é a incubação de cooperativas até a sua emancipação. Nesse caminho, a equipe de Serviços Técnicos apresentou um conjunto de ferramentas de gestão voltadas aos processos produtivos e à manutenção, com foco na melhoria da qualidade, produtividade e padronização nas Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs).

O objetivo vai além de garantir eficiência operacional, é sobre criar um ambiente de evolução constante, onde ajustes de rota, padronização e soluções direcionadas fortalecem o trabalho das catadoras e catadores e ampliam o impacto socioambiental da reciclagem.

De dados a decisões: como a gestão se transforma e melhora

Essas soluções ajudam as cooperativas a sair de um modelo onde os problemas só são tratados quando surgem, para uma atuação preventiva e estratégica. O acompanhamento dos dados se torna um aliado para medir impacto, identificar falhas, corrigir processos e apoiar decisões mais assertivas.

As ferramentas de gestão fortalecem o controle dos processos produtivos e de manutenção, assegurando qualidade, produtividade e padronização nas UPMRs. Elas permitem monitorar dados de forma integrada, orientar as ações junto às cooperativas e propor melhorias contínuas com base em indicadores confiáveis”, explica Renato Sobrinho, Gerente de Serviços Técnicos do Instituto Recicleiros.

Ferramentas que fazem diferença no dia a dia

Conheça as ferramentas para uma gestão eficaz e aprimorada:

  • Controle e validação de dados operacionais: monitoram peso de fardos, volume de materiais processados, calendário de atividades e outras métricas que orientam ajustes imediatos.
  • Registros de estoque: corrigem inconsistências que antes geravam desperdícios de tempo, recursos e eficiência e dificultavam a rastreabilidade.
  • Auditoria de processos por câmeras: permite observar etapas-chave da produção, sempre acompanhadas de orientações práticas para aperfeiçoamento.
  • Matriz de Avaliação de Desempenho: avalia não só processos, mas também a atuação das equipes e coordenadores de produção, onde indicadores viram planos de ação estratégicos.
  • Portal de Serviços Técnicos e Dashboard de Manutenção: centralizam checklists, relatórios, chamados e indicadores de manutenção, o que eleva a sustentabilidade pela dispensa de controles em papel, uma eficiente ferramenta de gestão digital integrada.

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Como essas ferramentas mudam o dia a dia das cooperativas?

Um dos principais pontos é que equipe técnica Recicleiros e cooperativas conseguem caminhar lado a lado. Não é um trabalho que só aparece quando algum problema acontece, os dados ajudam a enxergar sinais antes, permitem agir rápido e evitam impactos maiores no processo. Isso dá mais segurança para quem está na ponta.

Além disso, as soluções chegam de forma direcionada. Cada cooperativa tem sua realidade, seus desafios e sua forma de trabalhar, e é justamente aí que a tecnologia se faz importante para um suporte específico a fim de  aprimorar os processos.

O reflexo disso é um ecossistema de reciclagem de maior qualidade e padronização, mas sem perder a singularidade e potencial de cada lugar. A sustentabilidade se constrói, de fato, nos três eixos: social, ambiental e econômico, pois garante melhor dinâmica de trabalho, cuidado para que o material reciclável seja tratado de forma devida, do começo ao fim do ciclo e retorno financeiro sendo reflexo de todo o processo.

É uma gestão que sai do papel e vira prática. São dados que deixam de ser números apenas e se transformam em decisão, um conhecimento que não fica guardado, mas que se multiplica, tanto dentro das cooperativas quanto no território em que elas estão inseridas.

Recicleiros, NEPER/USP e SIG discutem Cidades Inteligentes e Sustentáveis em Simpósio de Resíduos Sólidos

De 16 a 19 de setembro, acontece a nona edição do Simpósio sobre Resíduos Sólidos (SIRS), promovido pelo Núcleo de Estudo e Pesquisa de Resíduos Sólidos (NEPER/USP) em São Carlos (SP). Com o tema Cidades Inteligentes e Sustentáveis, o encontro, que tem apoio do Instituto Recicleiros, será realizado em formato híbrido, presencial e online, na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP).

O Simpósio acontece a cada dois anos, desde 2009, e se consolidou como um dos eventos mais importantes do país no tema resíduos sólidos. O SIRS oferece ambiente adequado para colaboração, parcerias e fortalecimento de especialistas na área. Nesta edição, o encontro terá apoio do Instituto Recicleiros, parceiro do NEPER na área de pesquisas, e patrocínio da SIG, especialista em sistemas e soluções para embalagens. Assim, consolida a união entre academia, indústria e terceiro setor, tão importante para superar os desafios impostos pela gestão de resíduos sólidos no Brasil.

União entre ciência, prática e setor produtivo

Para a gerente de Sustentabilidade da SIG, Isabela De Marchi, a discussão sobre o descarte de resíduos é mais que necessária para o avanço das estratégias de reutilização de materiais e a criação de uma cadeia ética de reciclagem que de fato contribua para redução dos impactos ambientais do consumo. “A SIG apoia o desenvolvimento de ações efetivas para sanear o problema do descarte inadequado do lixo, incluindo condições justas para o catador, e a chancela do Neper/USP sobre a importância deste tema mostra que estamos no caminho certo”, comenta.

Na visão de Recicleiros, a parceria reforça a importância do encontro entre prática e ciência.

“Para nós, do Instituto Recicleiros, por meio do Vox Lab, é uma alegria imensa ter o NEPER como parceiro nessa caminhada de produção de conhecimento. Participar da nona edição do SIRS é uma oportunidade muito importante de fortalecer o debate técnico e acadêmico sobre a gestão de resíduos sólidos. Com mais de 18 anos de atuação, Recicleiros leva para o evento não só sua história, mas também as experiências vividas em 14 cidades brasileiras, além de dados consolidados que podem servir à ciência e ajudar a transformar a forma como olhamos para a reciclagem no nosso país. É nesse diálogo entre prática e ciência que acreditamos ser possível avançar”, afirma Mônica Alves, Pesquisadora Vox Lab, do Instituto Recicleiros.

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Programação diversa e completa

A programação do SIRS inclui palestras, mesas redondas e apresentação de trabalhos técnico-científicos. Serão abordados temas como políticas públicas, economia circular, logística reversa, inclusão de catadores, inovação e tecnologias aplicadas à gestão de resíduos.

Veja as participações de Recicleiros e SIG dentro da programação:

16/09 (terça-feira)

11h30 – Núcleo de Políticas Públicas

Erich Burger (Diretor Institucional Instituto Recicleiros)

14h – Programa Recicla+Pernambuco

Erich Burger e Danilo Nogueira (Gerente Geral de Economia Circular – Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha do Estado de Pernambuco)

15h – Estratégia de Circularidade SIG: construindo uma cadeia ética de reciclagem. 

Isabela de Marchi (Gerente de Sustentabilidade da SIG)

17h – Mesa Redonda sobre Governança e Políticas Públicas 

Erich Burger (Diretor Institucional Instituto Recicleiros)

Rafael Rodrigues (Diretor de Operações Instituto Recicleiros)

Isabela de Marchi (Gerente de Sustentabilidade da SIG)

Danilo Nogueira (Gerente Geral de Economia Circular – Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha do Estado de Pernambuco)

17/09 (quarta-feira)

11h – Apresentação Vox Lab (Laboratório de Pesquisas do Instituto Recicleiros)

Mônica Alves (Pesquisadora do Vox Lab do Instituto Recicleiros)

Luciana Ribeiro (Analista de Projetos do Vox Lab do Instituto Recicleiros)

17h – Mesa Redonda sobre Engajamento Social

Mônica Alves (Pesquisadora do Vox Lab do Instituto Recicleiros)

Luciana Ribeiro (Analista de Projetos do Vox Lab do Instituto Recicleiros)

19/09 (sexta-feira)

9h às 12h – Workshop Academia do Catador: Formação Técnica e Humana 

Lusimar Guimarães Pereira (Gerente da Academia Recicleiros do Catador)

Monike Vasconcelos Santos Teixeira (Coordenadora de Projetos da Academia Recicleiros do Catador)

Para participar é necessária inscrição no site oficial, onde você também pode conferir a programação completa: https://sirs.eesc.usp.br/   

Um espaço para soluções sustentáveis e coletivas

Mais do que um evento técnico, o SIRS é um espaço de cooperação. A cada edição, amplia a rede de pessoas e instituições comprometidas com o avanço da gestão de resíduos sólidos no Brasil, o que fortalece o diálogo entre ciência, prática e inovação.

Pernambuco e Recicleiros firmam novo Termo de Compromisso e lançam modelo inovador de logística reversa com impacto socioambiental

O Governo de Pernambuco e o Instituto Recicleiros assinaram um Termo de Compromisso de Logística Reversa (TCLR) pioneiro, que introduz conceitos transformadores para modernizar a gestão de resíduos no Brasil. O TCLR introduz regras claras para valorizar créditos de logística reversa vinculados à profundidade do impacto socioambiental gerado, oferecendo segurança jurídica e incentivos para empresas que precisam cumprir suas responsabilidades com a logística reversa e contribuir com a agenda socioambiental.

O evento de celebração aconteceu nesta quinta-feira (28), em Recife (PE), com promoção da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas-PE), Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e Instituto Recicleiros e apoio institucional da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (ADEPE), Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) e Câmara Americana de Comércio (AMCHAM) Pernambuco.

O acordo inovador vai além dos modelos tradicionais ao incorporar critérios como adicionalidade, integridade e limitação de responsabilidade, considerados essenciais para o avanço da reciclagem inclusiva. 

Mas, antes de avançar nos conceitos e conquistas, é importante contextualizar de onde surgem essas discussões. As regulamentações de Logística Reversa estão passando por processo de necessária modernização, seja na esfera federal ou estadual. O debate tem se concentrado na constatação de que a Logística Reversa, em dadas situações, tem se distanciado de seu propósito original, conforme estabelecido na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS): ser um instrumento de desenvolvimento econômico e social ao viabilizar a reinserção de resíduos na cadeia produtiva.

Além disso, há uma discussão sobre quais medidas podem ser adotadas para corrigir as distorções que se configuraram ao longo dos anos. Dentro desse contexto, no caso da Logística Reversa de Embalagens Pós-Consumo, Recicleiros propõe uma discussão objetivando pautar a adoção de critérios para determinar as condições em que uma determinada massa de recicláveis pode gerar um crédito legalmente reconhecido; e definir pesos diferenciados para esses créditos no cumprimento das metas quantitativas, levando em conta a dimensão do impacto social e ambiental gerados ao longo da cadeia, bem como sua contribuição para a estruturação da cadeia.

 

Por que o modelo de Pernambuco é inovador?

O novo modelo proposto por Recicleiros em Pernambuco é um marco importante porque busca reconhecer e valorizar projetos estruturantes de reciclagem a partir da:

Adicionalidade: medidas que ampliam a capacidade de reciclagem além da existente, como novas plantas de processamento, melhorias de infraestrutura e capacitação de catadores, além de gerar impactos adicionais em outras dimensões por conta dos ganhos sociais decorrentes do desenvolvimento da política pública, da geração de trabalho e renda, do desenvolvimento da cultura de reciclagem nas comunidades, entre outros;

Integridade: ações que garantem condições mínimas de trabalho digno e segurança aos catadores, como remuneração justa, saúde e segurança no ambiente de trabalho e seguridade social;

Limitação de responsabilidade: dispositivo que protege investidores de riscos sistêmicos ao longo do tempo, o que incentiva aportes em projetos estruturantes e de longo prazo, como massa futura.

Para que o sistema de créditos realmente contribua para a economia circular e não se torne apenas um mecanismo de compensação sem efeito real, adicionalidade e integridade devem ser garantidas. Se os créditos não atenderem a esses dois critérios – integridade e adicionalidade –, há o risco de que o sistema apenas sirva como uma ferramenta de “greenwashing”, sem impacto real na ampliação da logística reversa e no atendimento das metas crescentes de reciclagem.

 

Pesos diferentes para ações que geram benefícios reais

Hoje, o sistema de logística reversa no Brasil valoriza todos os créditos de reciclagem de forma igual, independentemente de sua origem. Isso significa que uma tonelada de material reciclado por meio de cooperativas estruturadas, com catadores formalizados e condições dignas de trabalho, inseridos em sistemas municipais formais, vale o mesmo que uma tonelada proveniente de notas fiscais sem rastreabilidade ou benefício social real. 

“Um crédito de reciclagem que gera emprego digno, desenvolvimento sistêmico e amplia a capacidade do setor não pode valer o mesmo que um mero documento sem comprovação de impacto real”, explica Erich Burger, diretor institucional do Instituto Recicleiros. “Estamos dando um passo importante na modernização dos termos da logística reversa no país e tenho convicção de que esta atitude pioneira de Pernambuco tem potencial para influenciar políticas públicas em outros estados e até mesmo na esfera federal, incentivando investimentos em reciclagem com maior impacto socioambiental”, aposta Burger.

 

Efeito multiplicador de resultados

Um dos grandes trunfos do novo Termo de Compromisso firmado com Pernambuco é o efeito multiplicador, um grande avanço nos resultados de logística reversa. Ao considerar os benefícios da adicionalidade, integridade e a dimensão do impacto de uma atuação sistêmica e estruturante, o Termo reconhece e valoriza a reciclagem de maior impacto socioambiental como forma de incentivar sua ocorrência no estado. Na prática, uma tonelada reciclada em um projeto estruturante gerador de adicionalidade resulta em dois ou até quatro créditos, a depender do escopo do projeto.

Importante: isso não significa que as empresas precisarão reciclar menos, mas sim que investimentos em projetos de maior qualidade serão mais valorizados, criando um incentivo para a reciclagem inclusiva e sustentável.

“Queremos que esse modelo inovador se espalhe pelos quatro cantos do país, porque só assim a reciclagem no Brasil vai crescer de verdade, com bases sólidas, dignidade para os catadores, resultados mensuráveis e satisfatórios para todos os elos envolvidos na cadeia”, encerra o diretor do Instituto Recicleiros.

Mais do que cumprir suas obrigações legais, ao investirem no TCLR as empresas têm a oportunidade de demonstrar seu compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social, contribuir para o desenvolvimento de Pernambuco e participar de uma iniciativa inovadora que está redefinindo o futuro da reciclagem no país.

Empresas que querem se tornar parceiras, entre em contato:
E-mail: reciclamaispe@recicleiros.org.br

WhatsApp: (11) 5198-9432

 

Recicla+Pernambuco

A assinatura do Termo de Compromisso de Logística Reversa vem na esteira do projeto Recicla+Pernambuco, uma iniciativa do Estado, em parceria com Recicleiros, que busca fortalecer a cadeia de reciclagem no estado. O objetivo é fomentar o desenvolvimento de políticas públicas para o aumento dos índices de reciclagem e a inclusão socioprodutiva de catadoras e catadores.

Além de qualificar gestores municipais para o desenvolvimento da política pública de coleta seletiva e reciclagem, a iniciativa vai selecionar quatro municípios ou consórcios para implantação do projeto de coleta seletiva. 

Os investimentos serão destinados para montagem de Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs) completas, campanhas de comunicação para engajamento da população, assessoria técnica para formação socioprofissional dos catadores, capital de giro limitado e, também, apoio técnico de longo prazo para a municipalidade.

 

Termos de Compromisso e Massa Futura

Promover ações inspiradoras e indutoras de políticas públicas de coleta seletiva e reciclagem faz parte da história do Instituto Recicleiros. Anos atrás, outros estados, como São Paulo e Mato Grosso do Sul, assinaram Termos de Compromisso com Recicleiros, por meio da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) e Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL).

Os dois estados, vale lembrar, foram pioneiros na formalização do Termo de Compromisso, uma iniciativa inovadora proposta por Recicleiros para criar um ambiente mais seguro do ponto de vista jurídico e que acabou por alavancar investimentos para ações estruturantes.

Importante lembrar que esses Termos de Compromisso influenciaram a legislação federal e de outros estados no que diz respeito ao reconhecimento do caráter estruturante de sua iniciativa de logística reversa. E, além disso, dos chamados Créditos de Massa Futura hoje disciplinados pelo Decreto Federal nº 11.413/2023.