Quadro Gestão à Vista proporciona mais transparência e agilidade na tomada de decisão dentro das cooperativas

Mais transparência e agilidade na tomada de decisão dos cooperados. Esses são os principais benefícios do quadro de Gestão à Vista, implantado recentemente em todas as Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs) que integram o Programa Recicleiros Cidades.

A novidade está facilitando a gestão das cooperativas incubadas por Recicleiros, uma vez que simplifica informações relevantes do dia a dia e traz mais clareza e acessibilidade aos assuntos essenciais das UPMRs, como metas e resultados. 

“O quadro de Gestão à Vista é uma forma fácil e prática de os cooperados acompanharem os níveis de produtividade da Unidade, compreenderem a questão financeira e a entrada de materiais recicláveis a partir da coleta seletiva municipal”, explica Cauê Henrique Pelegrineli, líder de unidade. 

No painel fixado na parede da cooperativa estão dados como metas de processamento de materiais recicláveis, as entradas da última semana, o volume de rejeitos – itens enviados à coleta seletiva, mas que não são reciclados – entre outras informações importantes.

Semanalmente, os cooperados se reúnem em frente ao quadro, analisam as informações ali projetadas e podem tomar decisões estratégicas para maior eficiência da UPMR. “Por exemplo, se o volume de rejeito está alto, conversamos imediatamente com os coletores e buscamos soluções com parceiros e mobilização nas ruas para atenuar a entrada desses itens não recicláveis na cooperativa”, conta Cauê.

O quadro de Gestão à Vista foi uma construção coletiva, com líderes locais Recicleiros e, também, com a participação dos cooperados.

“Além de nos auxiliar na visibilidade das nossas metas, o quadro de Gestão à Vista nos permite a transparência de todos os dados da cooperativa. Toda vez que nos reunimos e fazemos a análise dos dados fica mais fácil demonstrar com o quadro. Ali desenhamos as nossas metas, processamento, coleta seletiva, rejeito e em como podemos diminuir faltas, além de toda parte financeira. É uma ferramenta muito importante para nós cooperados”, diz Carla Luiza Alves Cavalcante, Presidente da Recicla Garça.

Recicleiros e Owens-Illinois fecham parceria inovadora para viabilizar reciclagem de embalagens de vidro no Brasil

O entrave que impede a reciclagem de embalagens de vidro parecia intransponível. Sem uma oferta estruturada que viabilize os custos de recuperação, triagem, processamento e transporte do material até os recicladores, bem como a falta de profissionalização, colaboração e integração entre diferentes agentes da cadeia, faz cerca de 60% das embalagens de vidro irem direto para aterros e lixões. 

Comprometidos em subverter essa lógica, o Instituto Recicleiros e a Owens-Illinois (O-I), líder mundial na fabricação de embalagens de vidro, fecharam uma parceria para garantir que as embalagens de vidro pós-consumo processadas nas 14 unidades de triagem do Programa Recicleiros Cidades, espalhadas nas cinco regiões do Brasil, possam ser recicladas e transformadas em novas embalagens de vidro. A expectativa inicial é recuperar cerca de 3 mil toneladas no primeiro ano do projeto.

Desafio logístico do vidro

O principal desafio da reciclagem do vidro é logístico, uma vez que é um monomaterial permanente, ou seja, após produzido pela primeira vez, não necessita de outras matérias virgens para ser reciclado novamente, podendo fazê-lo infinitas vezes sem perder suas características principais. Entretanto, devido a problemas no descarte, na falta de infraestrutura de coleta e processamento na cadeia, o vidro pós-consumo acaba se misturando com diversos contaminantes antes de retornar à indústria.

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“Queremos aumentar a reciclagem de vidro em regiões do país onde ainda não era viável. Ao fomentar a base da cadeia e a venda desse material por parte das cooperativas diretamente para a indústria, incentivamos a geração de empregos e renda, bem como a redução da extração de matéria-prima virgem do ambiente, a redução no consumo de energia e das emissões de CO2. Outro aspecto importante é que ao reciclar o vidro, é possível aumentar a vida útil dos aterros sanitários, bem como diminuir as despesas do poder público relacionadas ao descarte desse material”, explica Alexandre Macário, gerente da área de Economia Circular da O-I.

De acordo com o Erich Burger, fundador e diretor institucional do Instituto Recicleiros, o contrato firmado entre O-I e Recicleiros representa um marco na relação entre cooperativas e indústria, pois foi negociado tendo como premissa um elemento básico fundamental na formação do preço, a garantia de remuneração mínima-justa do processo produtivo.

“De um lado, entregamos o que há de mais produtivo e seguro em termos de processo, com vistas a obter um material de muita qualidade, processado com os melhores padrões de segurança e produtividade. Do outro, a indústria reconhece os atributos de qualidade e a garantia de origem sustentável do produto, o que gera valor em um mercado pautado pela agenda ESG e os compromissos globais das grandes empresas”, diz Erich Burger.

Parceria baseada na eficiência e padrão de qualidade

A viabilidade desta parceria está baseada num modelo de busca de eficiência e padrão de qualidade que possa trazer mais valor para o material pós-consumo produzido nas unidades de triagem. Com equipamentos e processos produtivos adequados, além da busca contínua pela melhoria dos indicadores de produção, torna-se possível oferecer um material com os padrões de qualidade desejados pelos recicladores, eliminando perdas ao longo de todo o processo. Com isso é possível trazer mais valor para a negociação de venda do material, tornando viável do ponto de vista econômico o retorno desses cacos para serem reciclados.

Na visão de Erich, este é um produto diferenciado, que não pode ser tratado como outro qualquer. “Entregamos um material com rastreabilidade ponta a ponta e garantia de origem digna para que seja transformado em novos produtos e embalagens”, afirma. 

O vidro processado nas Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMR) incubadas pelo Instituto Recicleiros é fruto de um projeto que começa com a criação de políticas públicas municipais apoiadas pela Academia Recicleiros do Gestor Público, da instalação de infraestrutura qualificada nas cidades, que oferece ao catador um ambiente saudável, seguro e estimulante para o trabalho, além de equipamentos que permitem melhores taxas de produtividade. Adicione-se a isso o fator remuneração mínima-justa dos catadores, primeira linha considerada na formação do preço de venda do material.

A iniciativa da Owens-Illinois ajuda a consolidar um conceito fundamental para quem quer fazer essa cadeia de recuperação de materiais pós-consumo acontecer. Inclusive, esta tem sido uma bandeira prioritária no Instituto Recicleiros: debater o tema junto à indústria.

“Responsabilidade compartilhada gera prosperidade coletiva. Enquanto maior recicladora de vidro do mundo, entendemos a urgência de unir esforços entre os diversos agentes da cadeia a fim de criar modelos de negócio que não só promovam a transição para economia circular, mas, que, principalmente, tragam adicionalidade à massa de vidro reciclada no país, de forma profissional, eficiente, ética e inclusiva, unindo indústria, cooperativas, poder público, marcas e consumidores. Recicleiros traz justamente esta proposta e decidimos apostar juntos”, acrescenta Macário.

Lógica necessária para a solidez de um grande projeto

Houve um avanço nos últimos anos com o entendimento da indústria e do governo sobre a importância das ações estruturantes para alavancar a capacidade de recuperação do material reciclável de maneira qualificada e conectada com o serviço público de limpeza urbana. Agora, para preservar e potencializar esse investimento é fundamental se olhar para o protagonismo que os contratos de venda do material têm na viabilidade econômica dessas unidades de triagem. 

É essencial que a indústria entenda que a oscilação de preços coloca em xeque a viabilidade operacional das cooperativas e, portanto, coloca em risco todo o investimento feito em infraestrutura e capacitação técnica dos catadores. Garantir o preço mínimo que viabiliza a operação digna dessas unidades de triagem operadas por catadores é dar a mínima condição desses prestadores de serviço se manterem ativos e animados para que os resultados almejados pela cadeia de valor aconteçam.

“As embalagens usadas precisam ser recicladas, isso é uma condição. Então precisamos olhar para o sistema produtivo e identificar o que ele precisa para ser o mais eficiente possível sem abrir mão da dignidade e justiça social. Nossa proposta é entregar qualidade e previsibilidade para a indústria recicladora por meio de um processo justo e sustentável”, acrescenta o diretor do Instituto Recicleiros.

Parceria inspiradora e com visão de futuro

O Decreto 11.300, de 2022, traz mudanças importantes a fim de criar um ecossistema que aumente os índices de reciclagem de vidro no Brasil. Esse acordo entre O-I e Recicleiros busca apoiar a amarração final dessa visão de construção de ecossistema, uma vez que para se criar adicionalidade na reciclagem (decreto 11.413/23 de Crédito de Massa Futura) e garantir o cumprimento das metas de recuperação de vidro (Decreto 11.300/22) é preciso investir não só em infraestrutura, mas também ter o compromisso da indústria com o preço mínimo – que viabiliza o processamento e transporte do material para reciclagem.

“O conceito de valor mínimo, que considera os custos do processo produtivo na formação do preço do material reciclável, com especial enfoque no custo da mão-de-obra dos catadores, é uma bandeira prioritária no Instituto Recicleiros para todos os materiais pelo impacto que isso tem no desenvolvimento da cadeia de valor, no aumento da reciclagem e na dignidade dos postos de trabalho dos catadores. Este é o primeiro contrato que celebramos com esse enfoque e espero que inspire um movimento nesse sentido”, comenta Rafael Henrique, fundador e diretor de operações do Instituto Recicleiros.

Transformação da realidade socioambiental

A parceria entre Recicleiros e O-I vai gerar um grande impacto positivo na cadeia produtiva.

“Esse contrato representa mais um avanço na retomada da valorização das catadoras e catadores de materiais recicláveis, buscando garantir remuneração minimamente digna pelo importante serviço prestado por esses trabalhadores e também segurança para a empresa quanto à origem dos resíduos triados. Esperamos que esse modelo possa ser replicado para outros tipos de materiais, pois sabemos que sem a remuneração justa dos serviços dos catadores não conseguiremos avançar na reciclagem e na melhoria de suas condições de trabalho”, enfatiza Sabrina Gimenes de Andrade, Coordenadora Geral de Logística Reversa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Cleiciane Soares, Presidente da Recicla Caldas Novas, uma das cooperativas beneficiadas diretamente pela parceria, já que faz parte do Programa Recicleiros Cidades, comenta sobre os impactos do acordo não apenas para a unidade, mas para o todo. 

“Esses contratos longos só têm a ajudar as cooperativas a manter o projeto, a crescer ao longo do tempo e a ter mais cooperativas abraçadas por ONGs como Recicleiros, para que mais pessoas possam sair dos lixões e virem trabalhar com equipamentos, limpos, dignos, em um local bem cuidado, onde serão bem tratados, bem vistos e a gente só tem a crescer com contratos assim”, diz Cleiciane.

Por fim, Rhaiza Matos, prefeita de Naviraí (MS), uma das 14 cidades que fazem parte do Programa Recicleiros Cidades, traz seu ponto de vista.

“A parceria que a Prefeitura de Naviraí tem com o Instituto Recicleiros tem sido fundamental para a implementação do Programa de Coleta Seletiva na nossa cidade. O vidro é um dos resíduos com a logística mais complicada e uma parceria nesse sentido vai nos garantir a destinação em maior quantidade e qualidade, proporcionando uma renda maior para os cooperados e um meio ambiente mais saudável”, encerra.

O acordo, acreditam as instituições, vai inspirar outros segmentos da indústria a fazer o mesmo e oferecer essa estabilidade necessária para a economia circular se desenvolver. Afinal, uma iniciativa como essa tem por trás um conceito de ecossistema de mercado envolvido. 

As cooperativas incubadas por Recicleiros ainda possuem desafios que precisam ser superados, como encontrar novos parceiros para o mesmo tipo de acordo, porém com outros materiais envolvidos, como plásticos e papel, por exemplo.

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Academia do Catador desenvolve treinamento para governança das cooperativas

A Academia do Catador desenvolveu um treinamento específico voltado a diretores e conselheiros fiscais das cooperativas de reciclagem. O objetivo do “Treinamento em Procedimentos de Governança para as Cooperativas de Reciclagem” é esclarecer o conceito e a importância da governança para a construção do processo de autonomia e independência de uma Unidade de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMR).

Além disso, o novo curso também visa apresentar modelos de instrumentos e procedimentos de governança para contribuir nos processo de decisão das diretorias e na fiscalização das cooperativas. O intuito é colocar a unidade em plena conformidade com o estatuto social e as legislações pertinentes.

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“Esse treinamento surgiu da identificação da dificuldade que as cooperativas enfrentam para realizar a Assembleia Geral Ordinária, conforme determina a lei e o estatuto social. Ao buscar entender a raiz do problema, identificamos que não havia uma estrutura de governança metodologicamente estruturada”, explica Mário Ralise, especialista em cooperativismo do Instituto Recicleiros.

“Ao final do ciclo de treinamentos esperamos que os cooperados estejam aptos a governar suas cooperativas, atendendo aos preceitos da governança cooperativa em conformidade com os princípios e valores do cooperativismo”, acrescenta o especialista.

A qualificação das cooperativas incubadas por Recicleiros, via Academia do Catador, vai ao encontro da necessidade das unidades estarem alinhadas com os melhores processos de governança. Afinal, este é um caminho fundamental para a solidez da cooperativa a longo prazo, aliada às boas práticas ESG do mercado.

Conceitos gerais de governança e princípios cooperativistas

O treinamento está dividido em quatro etapas. O primeiro encontro, que ocorreu em julho, foi dedicado às reuniões de diretoria, no qual se apresentou os conceitos gerais de governança – ética, equidade, transparência, responsabilidade, sustentabilidade e prestação de contas –, além dos princípios cooperativistas, como associação voluntária e aberta, controle democrático dos sócios, autonomia e independência, educação, treinamento e informação, cooperação entre cooperativas e preocupação com a comunidade. 

Na sequência, durante o segundo semestre de 2023, serão realizadas as outras fases do treinamento. O curso vai seguir abordando outros assuntos, como Organização do Quadro Social; Reuniões do Conselho Fiscal e realização da Assembleia Geral Ordinária.

“As legislações pertinentes ao cooperativismo contemplam em grande parte os princípios da governança, alçando este modelo organizacional à vanguarda das boas práticas de administração de negócios. Porém, estão estabelecidos na legislação apenas os objetivos e os princípios. Assim, cabe às cooperativas estabelecer protocolos que promovam tais resultados”, acrescenta Ralise. 

Treinamento piloto em duas cidades

A metodologia do “Treinamento em Procedimentos de Governança para as Cooperativas de Reciclagem” foi desenvolvida internamente pela Academia do Catador. Por se tratar de um projeto inédito, a Academia realizou um piloto em Guaxupé (MG) e São José do Rio Pardo (SP), que foram muito bem sucedidas. A proposta era testar a metodologia, incluindo a adequação da linguagem utilizada e dos modelos propostos à realidade das cooperativas.

A Academia do Catador, que promove ações e treinamentos diversos nas áreas técnicas e humanas para cooperados em todo o Brasil, é uma plataforma online de qualificação gratuita tanto para unidades de reciclagem quanto para profissionais da área. O ambiente virtual de aprendizagem, que conta com apoio do Instituto Heineken, Nestlé e SIG, está em fase de desenvolvimento e a previsão é que esteja à disposição de cooperativas e cooperados – sejam incubadas ou não por Recicleiros – ainda em 2024.

O que o aumento da reciclagem tem a ver com a estratégia de mitigação dos lixões?

A reciclagem tem um papel fundamental no desenvolvimento sustentável do planeta, já que preserva recursos naturais, diminui a quantidade de resíduos nos lixões e aterros sanitários, reduz a poluição do solo, água e ar, entre outros benefícios.

Além do aspecto ambiental, a coleta seletiva e reciclagem tem um papel social importante, uma vez que um grande número de catadoras e catadores ganham a vida com a renda obtida a partir da venda de resíduos sólidos recicláveis.

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O aumento da reciclagem pode ser visto como um indutor da mitigação de lixões. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), 39% do total de resíduos coletados em 2022, que corresponde a 29,7 milhões de toneladas, vão para a destinação inadequada, incluindo lixões.

Isso ocorre pois muitos municípios se deparam com a escassez de recursos financeiros para garantir a destinação final ambientalmente adequada para aterros, principalmente quando esses são distantes das cidades e o custo de transporte se torna um agravante para a inviabilidade. Aterros estão cada vez mais distantes das cidades e, portanto, cada vez mais caros para os municípios. 

Como o custo de destinação é uma relação entre volume e quantidade, quanto mais resíduos, mais caminhões, quanto mais caminhões, mais caro, a redução de quantidade de material tende a tornar a substituição de lixões por aterros mais factível. 

Para um município com alta eficiência na coleta seletiva de recicláveis, destinar os rejeitos para aterro é algo muito mais viável.

Dito isso, um ponto bastante relevante dentro desse contexto é a relação do aumento da reciclagem com a redução dos lixões. Afinal, quanto mais resíduos vão para a reciclagem e a cadeia produtiva da economia circular, menos itens têm os lixões como destino final.

Não existe a ideia de “jogar fora”

De certa forma, tudo que “jogamos fora” vai parar em algum lugar. Ou seja, na melhor das hipóteses, o lixo está indo para um aterro sanitário, o que ainda significa que está se acumulando de forma desenfreada no planeta. Por esse motivo, é bom ficarmos atentos, pois, na realidade, não existe esse conceito de “jogar fora”.

Quando não separamos os recicláveis do lixo comum, só estamos contribuindo para deixar nosso grande lar cada vez mais perto de se tornar inabitável. Mas, ao dar a destinação correta aos nossos resíduos, por meio da coleta seletiva e reciclagem, estamos contribuindo diretamente para uma cidade e um planeta mais limpo e sustentável, seja no aspecto social ou ambiental.

Por que os lixões devem ser combatidos?

Nunca é demais lembrar: o lixão é uma maneira inadequada de lidar com os resíduos, por isso devem ser extintos. 

Veja abaixo alguns motivos claros para o fim definitivo dos lixões nas cidades:

  • Poluição do solo e águas por conta do chorume acumulado.
  • Oferece riscos à saúde por conta do ambiente favorável à proliferação de doenças.
  • Recebimento de materiais perigosos, como os resíduos de serviços de saúde.
  • Gera grandes riscos a pessoas em situação de vulnerabilidade que buscam renda.
  • Geração de gases que podem provocar incêndios e potencializar mudanças climáticas. 

Para ampliar e aperfeiçoar os processos de coleta seletiva e reciclagem, a fim de vencer o desafio dos lixões, precisamos adotar novas medidas, como fomento à educação ambiental, bem como trabalhar a responsabilidade compartilhada dos diferentes agentes que fazem parte dessa cadeia sustentável.

Japão: exemplo inspirador de reciclagem

Um exemplo que pode inspirar a realidade brasileira e dar novos rumos à coleta seletiva e reciclagem é o Japão. Diante de uma área territorial restrita e grande população, lidar com a gestão dos resíduos é crucial para o país asiático. 

Houve, por anos, um investimento significativo em educação ambiental, além de busca por soluções que pudessem transformar a realidade local. Hoje, a gestão de resíduos no Japão está ancorada em três pilares principais.

O primeiro é a divisão clara de responsabilidades. Os consumidores, o setor privado, como indústria e comércio, e também o poder público tiveram seus papéis muito bem definidos. E não se trata apenas de direcionamento. Foi tudo bem estabelecido por lei. E cada parte responde pelo seu eventual descumprimento. E, aliado à lei, está a fiscalização.

O segundo pilar tem um aspecto econômico. O consumidor tem de pagar pelo descarte do lixo que produz, incluindo aqui o transporte e a reciclagem. Ou seja, quanto menos resíduos gerar, menor será a conta no final do mês. Aqui, entram também os famosos conceitos 3Rs – reduzir, reutilizar e reciclar.

Por fim, o terceiro ponto é a implementação gradual desse movimento em diferentes locais que, somados, acabam impactando o estado e, depois, o país inteiro. 

Em síntese, estamos falando em conscientização e educação ambiental, responsabilidade compartilhada, além da aplicação e fiscalização das leis.

Vamos trabalhar juntos pelo aumento da reciclagem? Estamos à disposição!

ZBRA desenvolve software exclusivo de gestão de dados para Recicleiros

O Instituto Recicleiros fechou uma parceria inédita com a ZBRA, empresa de desenvolvimento de software com quase 20 anos de mercado, que está gerando grandes resultados dentro e fora da organização. 

O objetivo é desenvolver um sistema personalizado para gestão inteligente de dados e, assim, trazer ainda mais transparência às ações de Recicleiros, além de melhorar os procedimentos internos de administração e governança corporativa. 

O acordo também faz parte do compromisso da organização de promover inovação e melhoria contínua nos processos, beneficiando a todos os segmentos envolvidos no dia a dia do Instituto. Afinal, com um sistema moderno digital, as informações ficarão mais acessíveis, por exemplo, aos investidores que apoiam as ações de Recicleiros, assim como as cooperativas parceiras, geridas por catadores, que operam as Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs). 

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Para acompanhar o crescimento de Recicleiros nos últimos anos, a evolução na gestão de dados tornou-se uma necessidade. “Em síntese, temos um grande volume de dados dentro do Instituto Recicleiros, com muitas variáveis. Como são muitas informações para correlacionar, chega em um momento em que realmente é um trabalho muito complexo de fazer por meio de planilhas”, explica Jessika Arimura, da área de relacionamento comercial, pós-venda e conciliação de Recicleiros.

Essa foi a razão pela qual Recicleiros procurou apoio da tecnologia oferecida pela ZBRA, especialista, dentre outras coisas, em transformar os processos baseados em planilhas em softwares eficientes de gestão de dados.

Software construído a muitas mãos

Para iniciar os trabalhos, no início de 2022, representantes de ZBRA e Recicleiros se encontraram durante oito dias inteiros para fazer descobertas, trocar informações, analisar e compreender os desafios e, então, encontrar as possíveis soluções. 

“Eram 10 pessoas de diferentes perfis, incluindo os usuários finais, e isso é importante para a cocriação porque tem um alinhamento, tanto estratégico quanto a operação do sistema. Foram dias de muita discussão e conseguimos chegar a uma ideia de solução”, conta Gustavo Ayres, CIO da ZBRA. 

Feito isso, o passo seguinte foi começar a programar, mexer no código e, em seguida, começar a fazer as entregas faseadas do sistema. Hoje, aliás, a maior parte dos dados já está presente no novo sistema de Recicleiros, e a entrega final do software está prevista para acontecer no próximo mês de agosto, antes do previsto inicialmente no cronograma.

“O que fizemos foi criar um sistema que facilita a entrada de dados, centraliza todos os dados e também facilita o acesso à informação a todos os interessados, como investidores, órgãos reguladores e cooperativas. Por exemplo, o próprio investidor pode atualizar dados dentro do sistema”, acrescenta Ayres. 

Assim, os investidores terão fácil acesso a informações sobre as operações de logística reversa do Instituto Recicleiros com previsão de massa futura, incluindo os contratos em vigor, o que já foi realizado e a previsão das próximas entregas.

Jessika afirma ainda que o novo software da ZBRA vai melhorar a produtividade, já que a gestão do tempo está sendo aprimorada. “A economia de tempo será melhor, pois vamos agilizar processos internos com as informações mais acessíveis dentro do sistema”, projeta.

Alinhamento com a causa socioambiental

A parceria entre Recicleiros e ZBRA, é bom dizer, só foi possível graças ao alinhamento existente entre as partes. De acordo com os líderes da ZBRA, essa conexão com o cliente é muito importante, até para a execução mais fluida do trabalho. “O foco de Recicleiros de oferecer uma vida digna aos catadores marcou a gente desde o início. E o esforço para fazer esse projeto acontecer tem a ver com esse alinhamento de valores”, conta Gustavo.

“Internamente a gente fala muito sobre empatia. No caso de Recicleiros para nós é fácil ter empatia porque é uma causa social que a gente se identifica, tem a ver com reciclagem. Isso gera muito mais motivação na equipe porque eles entendem o valor do software que estão entregando. Se o software funcionar, terão mais catadores tendo uma vida digna e mais resíduos sendo reciclados”, complementa Alexandre Cunha, sócio da ZBRA. 

Segundo ele, a empatia com o usuário e com o cliente faz parte do modo de operar com todos os clientes.

Um pouco mais sobre a ZBRA

A ZBRA nasceu 18 anos atrás a partir da união de Alexandre Cunha e Milton Terra, que viram uma oportunidade em iniciar um negócio que prezasse pela satisfação do engenheiro de software e, também, do cliente, ou seja, em que as duas partes ficassem satisfeitas.

Com o tempo, a empresa foi crescendo organicamente, inclusive por conta das indicações. Hoje, o time da ZBRA conta com praticamente 100 pessoas. 

“Criamos um ambiente onde as pessoas querem permanecer, e isso é muito importante para nós. E do outro lado, os clientes também querem ficar. Por exemplo, tem cliente que está com a gente desde o começo, outros com mais de 10 anos. Para nós, a medida de sucesso é isso, quanto tempo os clientes e os desenvolvedores querem ficar com a gente”, diz Alexandre.

Jessika fala das trocas produtivas que tiveram até aqui. “Eles são muito ativos, estão ajudando em vários aspectos, até como consultores. É uma parceria muito boa para nós. Desde as primeiras conversas eles mostraram engajamento com a causa, acreditaram no nosso projeto e fizeram questão de contribuir”, encerra Jessika, a coordenadora deste projeto.

Para saber mais informações sobre a empresa, acesse: https://zbra.dev/

Conheça os impactos ambientais, sociais e econômicos obtidos com o Programa Recicleiros Cidades

Quais são os impactos socioambientais e econômico possível a partir da implementação do Programa Recicleiros Cidades? Esse foi um dos assuntos da 10ª Mentoria Técnica, promovida pela Academia Recicleiros do Gestor Público.

O décimo e último encontro on-line deste ciclo da Seletiva 2023 falou sobre os efeitos positivos desta ação nos aspectos ambientais, econômicos e sociais, sobretudo, como é possível na prática implantar o sistema municipal de coleta seletiva e reciclagem dentro do escopo proposto pelo Instituto Recicleiros no Programa Recicleiros Cidades. 

O encontro coordenado por Cezar Augusto, gerente da Academia Recicleiros do Gestor Público, fez uma espécie de retrospectiva, resgatando um resumo dos conteúdos trabalhados anteriormente nas outras nove mentorias, como legislação, coleta e transporte, comunicação e mobilização, entre outros assuntos.

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Além disso, contou com duas entradas ao vivo com relatos importantes que evidenciaram os resultados em diferentes municípios, sob óticas diversas. Primeiro, Cauê Henrique Pelegrineli, líder de Unidade em Garça (SP), mostrou um pouco do trabalho realizado pela Unidade de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMR) em Garça (SP), inaugurada há pouco mais de 2 anos.

Dignidade ao ser humano e respeito ao meio ambiente

Em seguida, foi a vez de Sinézio Rodrigues, secretário do meio ambiente de Serra Talhada (PE), direto da Recicla Serra Talhada, falar da experiência de fazer parte do Programa Recicleiros Cidades sob o ponto de vista do gestor público.

“A gente destinava todos nossos resíduos para o aterro sanitário, ou seja, a Prefeitura não gerava emprego e não garantia dignidade para um público que estava à margem da sociedade. A gente costuma dizer que enterrava dinheiro. Com essa parceria com Recicleiros, nós resolvemos um grande problema, já que o material reciclável estava sendo enterrado no lixão”, explica Sinézio Rodrigues.

“Hoje, geramos emprego e renda para mais de 20 pessoas, e a perspectiva da cooperativa é chegar a 60 cooperados. Nós estamos levando dignidade para as pessoas através de um projeto bacana e que a prefeitura de Serra Talhada não teria condições de fazer com investimentos próprios. É isso que Recicleiros faz: leva dignidade às pessoas que mais precisam, respeito ao meio ambiente e economia ao município”, completa.

Quais os impactos positivos da coleta seletiva e da reciclagem?

Veja agora alguns dos impactos positivos gerados pelo Programa Recicleiros Cidades, considerando o período de incubação de 60 meses em uma praça.

Ambiental

  • Recuperação

Potencial de recuperação de massa reciclável da ordem de 7.900 toneladas.

  • Preservação

Diminuição do passivo ambiental e da área degradada a ser recuperada.

  • Reciclagem

Reintrodução de materiais no ciclo produtivo.

  • Redução

Diminuição da extração de matéria-prima para produção de embalagens.

Social

  • Trabalho e renda digna

Geração de mais de 50 postos de trabalho qualificados diretos.

  • Capacitação

Potencialização das capacidades profissionais dos cooperados;

  • Empoderamento

Aumento da autoestima e da valorização das pessoas envolvidas.

  • Mobilidade

Possibilidade de oportunizar mobilidade social.

Econômico

  • Dinheiro novo

Injeção de dinheiro novo na economia local, entre R$ 2,5 e R$ 3 milhões.

  • Economia de recursos

Diminuição dos recursos aportados em assistência social.

  • Produtividade

Menos investimento em programas de recuperação de área degradada.

  • Fontes de financiamento

Acesso a recursos do estado e do governo (ICMS Ecológico, por exemplo).

Quais serão os próximos municípios contemplados com o Programa Recicleiros Cidades?

Atualmente, o Programa Recicleiros Cidades está em plena operação em 12 municípios brasileiros, com uma coleta seletiva e reciclagem inclusiva, proporcionando inúmeros benefícios à população, ao meio ambiente e à gestão pública. Outras três cidades estão em fase de implantação, e muito em breve, farão parte do Programa, casos de São José do Rio Pardo (SP), Cataguases e Machado, ambos em Minas Gerais.

Por fim, importante frisar que a Academia Recicleiros do Gestor Público oferece as gravações das Mentorias Técnicas na íntegra dentro do blog de sua plataforma on-line, para todos agentes públicos brasileiros interessados. Para ter acesso, basta se inscrever na página oficial: clique aqui > 

3 fatos que comprovam o caráter inovador da Academia Recicleiros do Gestor Público

A Academia Recicleiros do Gestor Público é a área do Instituto Recicleiros responsável por  qualificar e selecionar os municípios para o ingresso no Programa Recicleiros Cidades, que implanta (muitas vezes) do zero a política pública de coleta seletiva e reciclagem em parceria com as cidades. 

Ou seja, trata-se de um setor que dialoga diretamente com os gestores municipais, e que nasceu e se desenvolveu a partir de um esforço coletivo, de horas e horas de conversas e reflexões dos profissionais de diferentes departamentos dedicados ao Instituto Recicleiros.

E se tem uma palavra que simboliza as ações da Academia nesses últimos anos é inovação. Esta, aliás, é uma das máximas de Recicleiros. Afinal, verdade seja dita, tomar a frente para auxiliar os gestores a criarem uma base sólida para coleta seletiva dentro dos moldes adotados pelo Programa Recicleiros Cidades é, sem dúvida, uma ação inovadora.

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E, por essência, a inovação passa por pensar e fazer diferente, o que envolve tentativas e erros. “Essa necessidade de construir passa pelas diferentes tentativas. Chamávamos sempre nossas ações organizadas de projeto piloto porque a gente sempre ia para o laboratório experimentando. Se der certo nós replicamos, e o que não deu nós analisamos para não continuar”, diz Franklin Oliveira, analista técnico pleno, responsável pela coordenação e estruturação dos processos da Seletiva Recicleiros Cidades, bem como o monitoramento e gestão de indicadores do projeto. Franklin está há mais de 5 anos no Instituto Recicleiros. 

Separamos aqui três pontos que mostram a atitude inovadora da Academia. Confira!

1. Trilha do Conhecimento on-line para aprendizagem dos gestores públicos

A Trilha do Conhecimento, que integra a plataforma on-line da Academia Recicleiros do Gestor Público, nasceu em 2021 com o objetivo de qualificar os gestores públicos compartilhando as experiências acumuladas ao longo dos anos de atuação do Instituto Recicleiros. E, a partir dela, facilitar o entendimento do Edital de Chamamento Público, dos requisitos obrigatórios para a implantação do Programa Recicleiros Cidades, dentre outras facilidades. Até então, toda a transferência de conhecimento de Recicleiros era realizada em trocas presenciais.

A Trilha do Conhecimento tem 120 minutos de conteúdo dividido em três módulos: Sobre o Instituto Recicleiros e o modelo de atuação; Criando as condições necessárias para desenvolvimento da coleta seletiva; e Infraestrutura e processos para uma operação eficiente. 

Durante a Trilha, são disponibilizados gratuitamente modelos de leis, minutas sugestões, motores de cálculos, projetos de engenharia e muitos outros documentos que favorecem a ágil estruturação da política pública municipal de coleta seletiva e de reciclagem de alto impacto socioambiental.

Até hoje, a Trilha do Conhecimento já recebeu 678 embarques de gestores públicos de todo o Brasil, tanto dos municípios participantes da Seletiva quanto de outros interessados em adquirir conhecimento para instalar uma coleta seletiva perene e sustentável.

“A Academia consolida todo esse conhecimento que a gente vem adquirindo durante todos esses anos dentro de uma plataforma, como uma Academia. Levamos o conteúdo de forma mais lúdica”, acrescenta Franklin.

2. Edital de Chamamento Público

Em um primeiro momento, a seleção de municípios para o Programa Recicleiros Cidades passava pela busca ativa de Recicleiros pelos gestores municipais. Na prática, era o Instituto que fazia o primeiro contato para iniciar as conversas.

Com o passar dos anos, a metodologia mudou. A partir da experiência adquirida no contato com os gestores no cotidiano, a Academia Recicleiros do Gestor Público criou o Edital de Chamamento Público. Assim, os municípios interessados em instalar um sistema inteligente e eficiente de coleta seletiva e reciclagem poderiam se inscrever para concorrer a uma vaga no maior programa estruturante de coleta seletiva do Brasil.

A Seletiva 2023 evidencia que a proposta inovadora da Academia está dando resultados. Neste ano, durante a fase de credenciamento, a Academia registrou recorde de inscrições. Foram 24 estados brasileiros alcançados, com 312 inscrições oficiais, aumento de 184% em relação ao processo seletivo de 2022.

O crescimento de municípios aptos também foi expressivo: 61%. Este ano foram 121, contra 75 no ano passado.

“O que mais revolucionou foi o processo de chamamento público, começamos com três selecionados, subimos para 12, ou seja, cresceu o número de municípios com quem nos relacionamos, e depois cito a Trilha do Conhecimento. A organização do processo de forma fluida é um dos destaques atuais dentro da inovação constante. Fazemos e refazemos os processos desde sempre”, diz Cezar Augusto, gerente da Academia Recicleiros do Gestor Público.

3. Mentorias Técnicas para qualificação dos gestores públicos

É verdade que existem hoje no mercado ótimos cursos ligados à coleta seletiva e reciclagem. Porém, uma qualificação de gestores públicos dentro do padrão oferecido pela Academia, modéstia à parte, ainda não tem.

A gestão prática da Academia junto aos gestores públicos trouxe a necessidade de não apenas atrair, mas também qualificar os representantes municipais. Afinal, Recicleiros acumula 17 anos de experiência na promoção e implantação de coleta seletiva de eficiência.

E o caminho inovador proposto pela Academia foi a criação das Mentorias Técnicas com especialistas Recicleiros para qualificar os municípios selecionados, em 2022. Em síntese, a ideia é esclarecer dúvidas e orientar os interlocutores/representantes dos municípios para permitir o entendimento acerca do Programa Recicleiros Cidades, seus requisitos e de que modo esse município se prepara para concorrer a uma vaga no Programa Recicleiros Cidades.

São 10 encontros durante 3 meses de qualificação, com temas que passam pela regulamentação, infraestrutura, estabelecimentos de parcerias, organização de catadores, entre outros.

“Quando criamos a Plataforma on-line da Academia, achamos que daria tudo certo. Criamos o edital, fizemos a comunicação e esperamos, mas não foi como esperávamos. Então, fomos ver quem concluiu a Trilha, e daí veio a ideia de fazer um bloco de aceleração com os gestores públicos para fazer dar certo. Não dava para acontecer sozinho, precisava de relacionamento, que se materializou nas Mentorias, somada às trocas com os gestores”, conclui Cezar Augusto.

O que os gestores municipais falam dos trabalhos inovadores da Academia?

“Importante para as equipes municipais conhecerem melhor as etapas do Programa, os organizadores e idealizadores do Programa e, principalmente, as diretrizes que norteiam o Programa Recicleiros Cidades. Acreditamos que os municípios contemplados pelo Programa terão uma excelente oportunidade para transformar a realidade da gestão dos serviços de coleta seletiva e dos catadores que retiram dessa atividade o seu sustento”. Priscilla Cunha Moreira dos Santos Ruiz, Assessora de Gabinete do Departamento de Meio Ambiente de Paraguaçu Paulista (SP).

“As mentorias foram muito claras e enriquecedoras. Todo corpo técnico do município de Machado pôde compreender melhor todo sistema do projeto e aspirar melhorias na coleta seletiva de nossa cidade”. Fernando Aryson Milan, Diretor de Licenciamento e Regularização Ambiental de Machado (MG), município habilitado para o Programa Recicleiros Cidades e que está em fase de instalação.

“Foi de extrema importância esse primeiro contato, para entendermos a logística e responsabilidade de cada setor envolvido. Estamos cientes de todos os itens a serem cumpridos e o Programa vem de encontro com várias situações pendentes e que necessitam de melhorias em nosso município”. Rafaela Mayer Zaniolo Seleme, Secretária Municipal de Meio Ambiente de Canoinhas (SC).

Conheça a página da Academia Recicleiros do Gestor Público clicando aqui! 

Os desafios da comunicação para o sucesso do Programa Recicleiros Cidades

Com o tema “Comunicação Ambiental: mobilização”, a 9ª Mentoria Técnica voltada aos gestores públicos municipais falou sobre o trabalho de conscientização e mudança de comportamento realizado por Recicleiros dentro dos municípios que fazem parte do Programa Recicleiros Cidades.

A responsável pela partilha do conteúdo foi Tamires Lavor, gerente de comunicação do Programa Recicleiros Cidades, que contou detalhes desse trabalho tão importante realizado junto à população para o sucesso da coleta seletiva e reciclagem.

A importância da responsabilidade compartilhada

Um ponto importante destacado na apresentação foi a responsabilidade compartilhada. Afinal, para o desenvolvimento constante da política pública de coleta seletiva e reciclagem dentro da premissa pensada pelo Instituto Recicleiros, é fundamental a união e integração de diferentes segmentos que fazem parte desse modelo. Ou seja, prefeitura, cooperativa, munícipes e Recicleiros precisam trabalhar em parceria, cada uma fazendo a sua parte.

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Nesse contexto, é responsabilidade de Recicleiros atuar ativamente na construção da cultura da reciclagem com os cidadãos. Esse é o principal objetivo da comunicação: munir as pessoas de informações e conhecimentos para criar o hábito (urgente) de reciclar. E, também, deixar evidente que, ao adotar esse modelo de vida, estamos contribuindo de forma significativa para o meio ambiente e gerando renda e trabalho para as pessoas que mais precisam dentro das Unidades de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMRs).

O desafio da comunicação é grande. Segundo pesquisa do Instituto Akatu, 76% das pessoas são indiferentes ou iniciantes em assuntos que envolvem consciência ambiental. Esse dado deixa evidente a importância do trabalho de mobilização realizado por Recicleiros nas cidades para trazer cada vez mais reflexões acerca da sustentabilidade, incluindo a reciclagem.

Ao mesmo tempo, um relatório da Akatu & Globe Scan, cujo nome é “Vida Saudável e Sustentável”, apontou que o interesse em reciclar é maior que a facilidade. Isso significa que existe um potencial inexplorado na gestão dos resíduos sólidos e, também, na comunicação do tema. E é nessa oportunidade que Recicleiros está apoiado.

7 passos para engajar os cidadãos

Tamires abordou em sua apresentação os sete passos essenciais para engajar os cidadãos e cidadãs dentro da perspectiva de reciclar. Confira:

1. Conhecer o público

2. Causar impacto

3. Informação fácil e acessível

4. Estar presente on e off com comunicação cruzada

5. Comunicações abrangentes e segmentadas

6. Interatividade e engajamento da cidade

7. Consistência e melhoria constante

Para além de todas essas ações, a fiscalização por parte da gestão pública é de grande importância para consolidar a prática do descarte dos materiais recicláveis.

Por fim, Tamires destacou as fases de atuação do time de comunicação Recicleiros dentro dos municípios. Vamos a eles:

1. Conhecimento do território com o mapeamento do ambiente.

2. Chegou a reciclagem, a partir de ações de mídia de massa para divulgação da coleta e captação de materiais.

3. Recicle, com as mobilizações presenciais.

4. Você já recicla? Acontece com ações direcionadas.

5. Projetos, com desenvolvimento e testes de novos serviços e produtos

Entre janeiro de 2021 e abril de 2023, o Programa Recicleiros Cidades foi diretamente responsável pelo volume de mais de 4,4 mil toneladas de materiais reciclados. E, sem dúvida nenhuma, a comunicação e a conscientização da população para a mudança de comportamento foi preponderante para se atingir tais números.

Importante frisar que a Academia Recicleiros do Gestor Público oferece as gravações das Mentorias Técnicas na íntegra dentro do blog de sua plataforma on-line, para todos agentes públicos brasileiros interessados. Para ter acesso, basta se inscrever na página oficial: clique aqui > 

A 10ª (e última) Mentoria Técnica da Academia Recicleiros do Gestor Público falará sobre a candidatura dos municípios para integrarem o Programa Recicleiros Cidades.

Saiba como a Academia Recicleiros do Catador faz a incubação em uma UPMR

Como funciona o processo de criação, incubação e emancipação das cooperativas nas cidades, a partir da atuação da Academia Recicleiros do Catador na UPMR? Esse foi o tema da 8ª Mentoria Técnica com especialistas Recicleiros junto aos gestores públicos dos municípios que concorrem a uma vaga para o Programa Recicleiros Cidades.

O convidado da Mentoria com o tema “Organização dos Catadores: Incubação” foi Lusimar Guimarães, gestor da Academia Recicleiros do Catador, que tem como premissa trabalhar fomentando o empreendedorismo, a inclusão e a mobilidade social das catadoras e catadores brasileiros.

É bom frisar: a Academia Recicleiros do Catador é uma escola de educação corporativa, com foco no desenvolvimento técnico e humano de catadores de materiais recicláveis reunidos em cooperativas. Sua atuação engloba diretamente a Unidade de Processamento de Materiais Recicláveis (UPMR) do município que integra o maior e mais completo programa estruturante de coleta seletiva e reciclagem do Brasil.

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Academia Recicleiros do Catador investe na inclusão e capacitação de profissionais da coleta seletiva e reciclagem

A incubação dentro da UPMR é um projeto de longo prazo, em torno de 60 meses, que dá suporte para o grupo de cooperados operar, administrar e governar a cooperativa. “A Academia tem por missão preparar as pessoas para esses três pontos essenciais, até porque em dado momento esse empreendimento social vai andar sozinho fazendo parte da política pública local”, explica Lusimar.

Os três pilares da incubação

Infraestrutura, Capacitação e Emancipação. Esses são os três pilares da incubação promovida pela Academia do Catador junto às cooperativas que fazem parte do Programa Recicleiros Cidades.

Dentro de Infraestrutura, estão contemplados seis itens: galpão, equipamentos, comunicação, coleta seletiva, orçamento e administrativo.

Já com relação à capacitação, os pontos tratados são: competências gerais, cooperativismo, operacional, administrativo, liderança e empreendedorismo.

Por fim, sobre a emancipação, a incubação envolve a certificação, a política pública e os ativos da cooperativa.

Programa de Desenvolvimento Socioprofissional Recicleiros

Para estruturar todas as ações, a Academia Recicleiros do Catador criou um programa completo de formação estruturado em 5 módulos, são eles:

  • Cooperativismo
  • Produtivo
  • Administrativo
  • Lideranças
  • Competências básicas e gerais para o trabalho

“A escola está dentro da planta, se aprende fazendo na própria UPMR. Tem desenvolvimento individual e tem também um plano coletivo para desenvolvimento do grupo”, acrescenta Lusimar.

Vale lembrar que a Academia Recicleiros do Gestor Público oferece as gravações das Mentorias Técnicas na íntegra dentro do blog de sua plataforma on-line, para todos agentes públicos brasileiros interessados, para ter acesso, basta se inscrever na página oficial a seguir, clique aqui > 

A 9ª Mentoria Técnica da Academia Recicleiros do Gestor Público terá como tema “Mobilização e Comunicação”.

Anuário da Reciclagem traz um raio-X do segmento no Brasil

O Anuário da Reciclagem, desenvolvido a partir da iniciativa do Instituto Pragma, é um material de referência no setor. Foi criado para evidenciar o potencial econômico, social e ambiental da reciclagem e, também, mostrar a importância de catadoras e catadores de recicláveis na promoção e viabilização da cadeia sustentável.

Temos orgulho de ter contribuído com dados estatísticos que compõem esse conteúdo tão rico e que nos ajuda a refletir e pensar nos próximos passos para criarmos um modelo sustentável que una os aspectos ambientais e sociais.

Destacamos aqui 8 pontos relevantes do Anuário, cuja última edição foi lançada em dezembro de 2022. Confira!

1. O perfil demográfico das catadoras e catadores no Brasil

De acordo com o Anuário da Reciclagem 2022, em média, são 32 catadoras e catadores de materiais recicláveis por cooperativa/associação, considerando uma amostragem de 306 organizações pesquisadas em todo o país, e um total de 9.854 profissionais. 

Olhando para as regiões, o Centro-Oeste conta com a maior média de profissionais por organização (50). Depois, aparecem Sudeste e Nordeste (31), Sul (29) e Norte (22).

Outro ponto interessante é a análise em números absolutos por região. A Sudeste apresenta o maior número de catadoras e catadores, com 3.977, cerca de 40% dos trabalhadores, seguida da Sul, com 1.964. Já o Norte tem o menor número entre as regiões do país (568), aproximadamente 6%.

Considerando os estados, São Paulo tem o maior número de trabalhadores: 2.854. Na sequência, vem o Distrito Federal (1.052). Na outra ponta, os estados da Paraíba e do Acre registraram o menor número de catadoras e catadores, com 23 e 22, respectivamente. 

Importante ressaltar que esse cenário de distribuição das catadoras e catadores pode estar relacionada a alguns fatores, como a presença de políticas públicas voltadas à coleta seletiva operacionalizada por organizações de catadores de materiais recicláveis, bem como incentivos públicos, além da presença de indústrias da reciclagem.

Recicleiros está presente hoje em todas as regiões do país. E o plano é, até 2027, marcar presença em 60 cidades, e alcançar mais de 3 mil postos de trabalho nas cooperativas.

2. A proporção de homens e mulheres dentro da reciclagem

As mulheres representam 56% do total de trabalhadores vinculados à reciclagem, versus 44% dos homens. A análise considera 306 organizações, num total de 9.854 catadores.

Em números absolutos, são 5.483 mulheres, enquanto 4.371 são homens, ou seja, uma diferença de 1.112 mulheres a mais nas atividades de coleta, triagem, enfardamento e comercialização de materiais recicláveis dentro do universo pesquisado.

Quando analisada a distribuição de mulheres e homens por região, a Sudeste é a que conta com a maior presença feminina: 60% ou 2.381 profissionais. Depois, aparecem as regiões Sul com 1.077 mulheres (55%); Centro-Oeste com 919 (53%), Norte com 291 (51%) e Nordeste com 815 (50,3%).

As mulheres, além de essenciais na cadeia da reciclagem, são protagonistas em diversos movimentos da categoria pelo país. 

3. Renda média de catadoras e catadores

A renda média mensal foi um dos pontos levantados no Anuário. De acordo com ele, a média nacional da renda desses profissionais da reciclagem é de R$ 1.478, ou seja, ligeiramente acima do salário mínimo atual, fixado em R$ 1.320.

Quando olhamos a renda média por região, Centro-Oeste, Sul e Sudeste registraram R$ 1.671, R$ 1.594 e R$ 1.574, respectivamente, acima da média nacional. As regiões Nordeste e Norte ficaram abaixo da média nacional e, também, inferior ao salário mínimo. A primeira registrou R$ 1.008, enquanto a segunda R$ 1.022.

O estudo também revela um crescimento expressivo da renda média mensal das catadoras e catadores entre os anos de 2019 e 2021. O valor, que era de R$ 1.072, passou para R$ 1.448 dois anos depois, uma elevação considerável de 35,1%. 

Destaque para as regiões Centro-Oeste e Sudeste, que cresceram acima da média nacional. Na Centro-Oeste, subiu de R$ 800 para R$ 1.671, aumento de 108,9%. Já a Sudeste passou de R$ 1.073 para 1.574, acréscimo de 46,7%. Vale mencionar que as outras regiões também cresceram, mas com índices um pouco menores.

Apesar das conquistas nos últimos anos em relação à remuneração, é bom ressaltar que ainda existem muitos avanços pela frente. Afinal, os valores ainda não são satisfatórios e, também, a informalidade é uma realidade nesse contexto. É comum se ver ambientes de trabalho precários, nos quais muitos trabalhadores seguem sem benefícios trabalhistas e direito à seguridade social, por exemplo. E isso precisa mudar.

Recicleiros defende uma remuneração justa a catadoras e catadores como elemento importante dentro da cadeia da reciclagem. Veja este texto publicado aqui no blog.

4. Preço médio dos materiais comercializados para reciclagem

O alumínio é disparado o item reciclável mais rentável na hora da venda, de acordo com o Anuário da Reciclagem 2022. O valor médio cobrado pelo item no Brasil é de R$ 4,77 o quilo. Quando feito o recorte por região, na Sudeste o alumínio é negociado por até R$ 5,94, enquanto no Nordeste, o valor fica em R$ 2,82.

Em seguida, aparece o plástico, negociado a R$ 1,73 o quilo na média nacional. Aqui, é bom lembrar, existem hoje diversos tipos de plásticos, como PEAD, PEBD, PP, PET e PS. Alguns bem mais valorizados pelo mercado do que outros, o que acaba desvalorizando a comercialização dos que possuem menor demanda.

O terceiro item é “outros metais” (sucatas), vendido, em média, a R$ 1,58. Já o papel é comercializado a R$ 0,81, em média. Por último na lista vem o vidro, cujo preço de negociação fica em apenas R$ 0,21. Sobre esse valor tão baixo envolvendo o vidro, vale uma ponderação.

Apesar de a reciclagem do vidro ser um dos processos de reciclagem menos complexos, o material ainda enfrenta o desafio da logística, por conta de seu peso e fragilidade. Atento a isso, Recicleiros tem desenvolvido projetos em conjunto com o setor empresarial para a real evolução da cadeia de reciclagem de vidro. O objetivo é garantir que este material aumente o percentual de reciclabilidade, ao mesmo tempo que garanta uma remuneração justa às cooperativas e, por consequência, aos cooperados.

Quando analisamos a representatividade por material coletado dentro das cooperativas, o papel é o item que tem maior participação, com 46% do total recolhido. Na sequência, vem o plástico, com 22%. 

Os metais representam 16% de toda a quantidade de recicláveis coletada pelas cooperativas brasileiras, sendo apenas 2% de alumínio, o item mais rentável. Importante destacar que este baixíssimo percentual de alumínio que chega às cooperativas acontece, em geral, pela coleta de catadores avulsos nas ruas e estabelecimentos em geral, situação esta onde comumente o catador ou a catadora estão em situação de alta vulnerabilidade social. Os vidros, por sua vez, correspondem a 16%.

Os dados foram obtidos a partir das informações disponibilizadas por 646 organizações de catadores, que correspondem a uma amostragem de 32% do Banco de Dados do Anuário.

Embora as iniciativas para transformar este cenário sejam muitas, o caminho ainda é longo. Recicleiros acredita que uma cadeia sustentável de reciclagem passa necessariamente pelo pagamento de um preço justo dos materiais recicláveis. 

Só assim será possível promover impacto profundo do ponto de vista ambiental e social, e que seja perene para benefício de toda a sociedade.

5. Coleta Seletiva nos municípios

As 1.996 organizações que compõem o Banco de Dados do Anuário da Reciclagem 2022 estão sediadas em 1.032 municípios espalhados por todo o país. 

A partir daí, foram consultados os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) sobre a gestão de resíduos sólidos no Brasil. O resultado? Constatou-se que 692 municípios possuem coleta seletiva, o que corresponde a 67% do total de municípios mapeados pela pesquisa. A margem de erro é de 5%. Vale ressaltar que os 1.032 municípios correspondem a 18,5% do total de municípios no Brasil. 

Ao fazer o recorte por regiões, a Sudeste é a que concentra o maior número de municípios com coleta seletiva em operação: 48,5%. A Sul aparece em segundo lugar com 29,6%, seguida pela região Nordeste com 11,1%. 

Em quarto lugar, vem a Centro-Oeste com 7,3% e, fechando a lista, a Norte, com 3,3%.

Dentro do universo pesquisado, o Estado de São Paulo figura com o maior número de cidades com coleta seletiva: 185. O Paraná vem em segundo com 125, e Minas Gerais fecha o top-3 com 100 municípios.

É importante destacar que em diversos municípios brasileiros a coleta seletiva ainda é incipiente e/ou ineficiente, sendo ao mesmo tempo que um grande obstáculo, tanto para a gestão de resíduos sólidos quanto para as cooperativas que têm seu trabalho e renda atrelado ao serviço, também uma grande oportunidade para que estes sistemas sejam otimizados. 

6. Impactos ambientais da atuação das organizações de catadores

Para além de uma atividade econômica importantíssima, a reciclagem tem um papel essencial na preservação do planeta. Por exemplo, a partir da reciclagem, podemos reduzir as emissões de gases do efeito estufa na atmosfera.

Sem dúvida nenhuma, essa é uma das grandes motivações para implantar ou mesmo ampliar a coleta seletiva de resíduos, como fazemos, em parceria com as prefeituras, por meio do Programa Recicleiros Cidades. 

Essa diminuição de emissões de CO2 a partir da reciclagem acontece de forma direta e indireta. O efeito direto se aplica na redução da geração de gases naturalmente emitidos durante o processo de decomposição dos materiais nos locais de descarte. Já o efeito indireto diz respeito à redução da produção de materiais virgens.

De acordo com o Anuário da Reciclagem 2022, foram coletadas pelas organizações de catadores que compõem o banco de dados da pesquisa, 421,7 mil toneladas de materiais. Esse volume está associado com o potencial de redução de emissões de 282,4 mil toneladas de CO2, considerando a redução da produção de materiais virgens, além da diminuição do descarte de resíduos em aterros e lixões, e, por consequência, do gás metano emitido durante o processo de decomposição.

O material que mais contribui para a potencial redução de emissões, conforme dados do Anuário, é o metal, que soma 51%, em razão do alto nível energético envolvido na produção da matéria-prima virgem. Na sequência vem o plástico, que responde por aproximadamente 40% de todas as emissões evitadas.

Esse cenário deixa evidente a lógica da cadeia da sustentabilidade defendida por Recicleiros, que envolve impacto ambiental e social. Afinal, a atividade das catadoras e catadores, que são ponto-chave nesse sistema, tem um papel essencial na redução da emissão de gases do efeito estufa, aliada à preservação dos recursos naturais. 

7. Economia de matéria-prima virgem 

Entre os muitos benefícios da coleta seletiva e reciclagem, hoje vamos olhar para o impacto positivo do ponto de vista da economia da matéria prima virgem. Já imaginou quanto podemos poupar de matéria-prima ao reutilizar materiais?

Por exemplo, estudos indicam¹ que a reciclagem de uma tonelada de papel economiza, em média, o equivalente a 20 árvores, 3,51 mil kWh de energia, e 29.202 litros de água. Já uma tonelada de plástico reciclado economiza cerca de 0,5 toneladas de petróleo e 5,3 mil kWh de energia, enquanto uma tonelada de vidro economiza, em média, 1,2 toneladas de areia e 800 kW/h de energia elétrica.

A partir daí, o Anuário da Reciclagem 2022 calculou o potencial de preservação considerando as informações reportadas pelas organizações que constam neste Banco de Dados, que serve de base para o Anuário.

Vale ressaltar que os cálculos dizem respeito apenas à economia da matéria-prima que deixa de ser empregada na produção de um novo material, sem considerar os insumos aplicados na reciclagem dos materiais usados.

Portanto, levando-se em conta o volume de resíduos coletados para a reciclagem mapeadas no Banco de Dados do Anuário da Reciclagem 2022, a economia potencial de matéria-prima seria de:

  • 1.378,1 milhões de kWh de energia
  • 3,9 milhões de árvores
  • 5.706 milhões de litros de água
  • 46,6 mil toneladas de petróleo
  • 42,8 mil toneladas de bauxita, 
  • 57,7 mil toneladas de ferro-gusa 
  • 80,2 mil toneladas de areia

Os números são impressionantes!

Por aqui, temos orgulho de ser parte disso. Por meio do Programa Recicleiros Cidades, contribuímos de forma direta para dar vida à coleta seletiva e à reciclagem e, claro, para a economia de matéria prima gerada a partir do reaproveitamento de resíduos sólidos.

1.Hisatugo, Erika e Marçal Júnior, Oswaldo. Coleta seletiva e reciclagem como instrumentos para conservação ambiental: um estudo de caso em Uberlândia, Sociedade & Natureza, v. 19, n. 2, pp. 205-216. 2007.

8. Evolução da quantidade de resíduos sólidos destinados à reciclagem

Dentre tantas informações relevantes do segmento, a quarta edição do Anuário da Reciclagem mostra a evolução de alguns indicadores, como a quantidade de resíduos sólidos destinados à reciclagem. 

Neste caso, foi feita uma análise evolutiva da quantidade expandida, ou seja, quando a média obtida pelas organizações pesquisadas pelo Anuário é estendida às demais organizações da macrorregião.

Dito isso, o crescimento de resíduos sólidos destinados à reciclagem em todo o Brasil foi de 23%, saltando de 1057,5 mil toneladas em 2019 para 1304,5 mil toneladas em 2021.

Na análise por região, a Nordeste foi a que mais cresceu neste mesmo intervalo: 63%. Depois, aparecem Norte, com 36%, Sudeste (29%), Centro-Oeste (15%) e Sul (4%).

O dado, por um lado, é positivo porque sinaliza uma evolução da coleta seletiva e reciclagem nos últimos anos. Mas, sabemos que, mesmo se tratando de um crescimento na casa de dois dígitos, ainda há muito espaço para a reciclagem evoluir e se fortalecer no nosso país. 

É por isso que trabalhamos em diversas frentes, sempre em parceria com o poder público, iniciativa privada e sociedade civil para promover mudanças significativas do ponto de vista ambiental dentro da coleta seletiva e reciclagem.